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BPI já cobra transferências MB Way, mas há como “escapar”

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Autor: Redação

O banco BPI deu o tiro de partida na cobrança de transferências MB Way - começou a aplicar a partir desta quarta-feira (1 de maio de 2019) uma comissão de 1,248 por cada movimento realizado na aplicação da SIBS. Dentro de um mês, o BCP entra na corrida - e poderão haver mais instituições a juntar-se à lista. Em dois dias, a Deco já registou mais de mil reclamações de clientes bancários, insatisfeitos com as novas regras.

Mas atenção: a comissão de 1,248 do BPI só será cobrada aos clientes do banco que optem por usar a app do MB Way. Todos aqueles que realizem este tipo de transferências através da app BPI ficam isentos. Na prática, o banco irá privilegiar quem decidir manter uma relação de “proximidade” com a instituição, e será esta a forma de “escape”.

Em junho será a estreia do BCP. A partir dessa data, os clientes que utilizem a app Millennium para realizarem transferências passam a pagar 0,52 euros por cada operação, e 1,258 euros se utilizaram a app MB Way. Isentos de qualquer custo ficarão os clientes com soluções “Cliente Frequente”, “Millennium GO!”, “Programa Prestige, “Programa Prestige Direto” e “Portugal Prestige” – os clientes até 23 anos de idade também não pagam.

A maioria dos bancos já prevê a cobrança de comissões nos seus preçários, embora a maioria não as esteja ainda a aplicar, como o idealista/news noticiou.

BPI não irá “receber praticamente nada” com comissões

O presidente executivo do BPI, Pablo Forero, adianta que a app do banco ganhou "muito poucos" novos clientes desde que a cobrança das transferências MBWay foi anunciada. "O que está por detrás desta decisão é reforçar a nossa aplicação, que é gratuita e que é um canal muito importante de comunicação com os nossos clientes", disse o responsável, citado pelo Negócios, durante a apresentação de resultados do primeiro trimestre.

"Com o MBWay, o que achamos que vamos receber é nada, praticamente nada, porque os clientes podem fazer transferências com a nossa aplicação de forma gratuita. Só pode ser por erro que alguém faz transferências sem utilizar a nossa aplicação", concluiu.

Deco já recebeu mais de mil reclamações e exige “limites”

Desde que a regra entrou em vigor – a 1 de maio de 2019 – que a Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (Deco) já registou mais de mil reclamações devido ao impacto da cobrança de comissões do BPI para os utilizadores do MB Way.

“Já temos mais de 1.000 reclamações” de clientes bancários que se sentem lesados com a cobrança de comissões, disse à Lusa fonte da associação, no dia em que o banco começou a cobrar comissões pelas transferências na app da SIBS.

A Deco já anunciou estar a preparar uma reclamação, “em nome de cada consumidor”, para entregar ao Banco de Portugal a exigir uma “limitação dos custos associados a todas as formas de pagamento e transferências”, segundo um comunicado divulgado no seu site.

“Cabe ao Banco de Portugal limitar os encargos aplicados às transferências feitas através do MBWay, já que é esta instituição que valida os preçários dos bancos”, defende a associação, segundo a qual as eventuais comissões associadas a este serviço não devem ultrapassar os limites dos custos imputados aos comerciantes para pagamentos com cartões, impostos pela União Europeia (0,2% para os cartões de débito e 0,3% para cartões de crédito).