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Economia afunda 16,5% no segundo trimestre: é a maior queda de sempre do PIB

“Refletindo o impacto económico da pandemia, o PIB registou uma forte contração em termos reais no 2º trimestre de 2020”, conclui o INE.

Gtres
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Autor: Redação

O Produto Interno Bruto (PIB) português caiu 16,5% no segundo trimestre de 2020 face ao mesmo período de 2019, tendo também contraído 14,1% em cadeia, ou seja, face aos primeiros três meses do ano. Trata-se, segundo os dados divulgados esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), da maior queda do PIB desde que há registo oficial, sendo que a anterior maior remonta ao quarto trimestre de 2012, quando a economia portuguesa contraiu 4,5%.

INE
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Refletindo o impacto económico da pandemia, o PIB registou uma forte contração em termos reais no 2º trimestre de 2020, tendo diminuído 16,5% em termos homólogos, após a redução de 2,3% no trimestre anterior. Este resultado é explicado em larga medida pelo contributo negativo da procura interna para a variação homóloga do PIB, que foi consideravelmente mais negativo que o observado no trimestre anterior, refletindo a expressiva contração do consumo privado e do Investimento. O contributo negativo da procura externa líquida também se acentuou no 2º trimestre, traduzindo a diminuição mais significativa das Exportações de Bens e Serviços que a observada nas Importações de Bens e Serviços devido em grande medida à quase interrupção do turismo de não residentes”, lê-se na nota do INE.

Segundo o instituto, a informação divulgada nesta estimativa rápida é “forçosamente incompleta”, mas face à “particular urgência” do seu conhecimento devido ao contexto económico atual, o INE adianta que “decidiu antecipar a divulgação de resultados para o 2.º trimestre de 2020, tal como se espera que aconteça com outros estados membros da União Europeia”. 

“O INE inicia assim a divulgação de estimativas rápidas a 30 dias para as taxas de variação do PIB trimestral em volume. A habitual divulgação a 45 dias da estimativa respeitante ao 2º trimestre (neste caso a segunda estimativa) irá ser mantida e será divulgada no dia 14 de agosto”, explica.

Confirmada “quebra muito acentuada da atividade”

Para o ministro da Economia, a quebra de 16,5% do PIB no segundo trimestre “confirma o que já se sabia”, ou seja, “uma queda muito acentuada da atividade económica”. “(...) Tivemos nos meses de abril e maio uma queda muito acentuada da atividade económica, com uma quebra muito acentuada do consumo privado, uma quebra do investimento, mas sobretudo uma grande quebra das exportações. São estes fatores, sobretudo a queda das exportações, que explicam a queda do PIB no segundo trimestre”, disse Pedro Siza Vieira, citado pela Lusa.

Segundo o ministro, que falava aos jornalistas, a quebra do PIB também é explicada pelas quebras “muito significativas” em toda a zona euro, e particularmente para os países que são os maiores clientes das exportações portuguesas: Espanha, Itália, França, Alemanha.

“Todas tiveram quedas superiores àquelas que estavam estimadas. Como exportamos em grande quantidade para estes países é normal que também sejamos afetados nesta dimensão”, explicou, salientando que a quebra em cadeia, ou seja, face ao primeiro trimestre, que foi de 14,1%, é idêntica ao que a Comissão Europeia já antecipava (14%).

Vamos continuar atentos aos próximos tempos. É de esperar que neste trimestre já teremos um crescimento relativamente ao segundo trimestre. Vamos ver qual é o ritmo de crescimento da economia nestes próximos meses e até ao final do ano para tentar perceber qual será, no conjunto do ano de 2020, o impacto desta pandemia na economia”, disse o ministro aos jornalistas. “Quebra muito abruta no segundo trimestre, recuperação no terceiro e no quarto trimestre, vamos ver a que ritmo”, acrescentou.