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“Estamos a executar projetos que vão revolucionar a qualidade de vida dos lamecenses”

Ângelo Moura, presidente socialista da Câmara de Lamego, em entrevista ao idealista/news.

Autor: Elisabete Soares (colaborador do idealista news)

Lamego está a mudar. Muito. E para melhor. Quem o garante é o presidente da Câmara Municipal deste concelho de Trás-os-Montes e Alto Douro. Em entrevista ao idealista/news, o socialista Ângelo Moura conta que a autarquia lançou, durante o ano de 2020 e inícios de 2021, um conjunto de projetos de requalificação e construção de diversos equipamentos, parques, passeios, vias e alguns acessos, com o objetivo de revolucionar uma das mais antigas cidades portuguesas, datada já do tempo dos romanos. 

Como desafios futuros, o autarca destaca a aposta continua em projetos que promovam a mobilidade, como a criação de melhores acessos à cidade, bem como em promover melhores condições para a instalação de novas empresas no concelho.

A requalificação e reabilitação do centro histórico da cidade de Lamego e nos diversos aglomerados das freguesias do concelho do distrito de Viseu são as prioridades a levar a cabo nos próximos anos, promete o presidente da Câmara Municipal.

Wikimedia commons
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Como é que o conjunto de projetos de investimento que a autarquia de Lamego está a levar a cabo vai permitir melhorar a qualidade de vida dos seus habitantes?

A autarquia de Lamego está a executar um ambicioso plano de investimentos, que é estratégico para o desenvolvimento da cidade, com um investimento superior a 12 milhões de euros.

Estes projetos destinam-se a promover a renovação urbana no concelho, mas são destinados também à requalificação e construção de diversos equipamentos, parques, passeios, vias e outros acessos.

Algumas destas obras já estão em curso e foram adjudicadas no ano passado e este ano e, neste momento, na cidade de Lamego já podemos ver os sinais dessa profunda revolução que está agora acontecer.

Estas intervenções vão permitir trazer uma nova vida à cidade e sobretudo melhorar o nível da qualidade de vida dos munícipes permitindo o usufruto de uma cidade mais moderna, com conforto e segurança.

Os 11 novos projetos de melhoramentos urbanísticos de Lamego, que lançamos nos últimos meses, são apoiados em fundos comunitários do Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano (PEDU).

Câmara Municipal de Lamego
Câmara Municipal de Lamego

Estas intervenções vão permitir trazer uma nova vida à cidade e sobretudo melhorar o nível da qualidade de vida dos munícipes permitindo o usufruto de uma cidade mais moderna, com conforto e segurança.

Falo, por exemplo, da obra de requalificação urbana do Largo dos Bancos, da reabilitação do Centro Cívico de Lamego ou da requalificação do espaço público do Bairro de Alvoraçães.

A construção do túnel sob o escadório do Santuário dos Remédios é uma das obras importantes para a mobilidade na cidade?

Sim, a construção da passagem do escadório do Santuário de Nossa Senhora dos Remédios é uma obra essencial para a cidade e para conseguirmos cumprir um desejo antigo que é o de diminuir a circulação automóvel no centro, reforçando assim a estratégia da autarquia para um município mais ecológico.

Lamego enfrenta atualmente diversos desafios ao nível da mobilidade automóvel, uma vez que a evolução urbana e a morfologia do seu território apresentam problemas de articulação viária entre o núcleo central e as restantes zonas, motivo que leva a que um grande número de automobilistas atravesse diariamente o centro da cidade. A construção do túnel, com certeza, ajuda a atenuar este grave constrangimento.

Estamos assim a apostar nas áreas da acessibilidade e da mobilidade que vão também possibilitar que os cidadãos circulem com outra facilidade e comodidade, o que anteriormente não era possível. E, nesta matéria, destaco o circuito pedonal – Relógio do Sol - de acesso ao centro urbano e a obra fundamental de requalificação da Rua Visconde de Arneirós e da sua envolvente.

A construção da passagem do escadório do Santuário de Nossa Senhora dos Remédios é uma obra essencial para a cidade e para conseguirmos cumprir um desejo antigo que é o de diminuir a circulação automóvel no centro, reforçando assim a estratégia da autarquia para um município mais ecológico.

Em termos de imobiliário, sobretudo residencial, qual é a situação?

Tínhamos uma boa dinâmica na construção de habitação que não parou na fase de pandemia. Verifica-se uma maior dificuldade na obtenção de mão de obra qualificada na construção, mas continua a existir oferta de habitação no mercado.

A habitação é uma preocupação deste executivo. Por isso, estamos a complementar com a aprovação da estratégia local da habitação, onde se pretende incentivar o investimento privado.

Estamos em vias de aprovar essa estratégia local de habitação e adequar os planos para a sua concretização.

Flickr
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Estão criadas as condições para a atração do investimento tanto imobiliário como turístico?

Nos últimos anos a cidade tornou-se apelativa a nível imobiliário e turístico. Não obstante a situação de pandemia em que vivemos nos últimos meses, notamos alguma apetência do investimento imobiliário, mesmo estrangeiro.

Tínhamos uma boa dinâmica na construção de habitação que não parou na fase de pandemia. Continua a existir oferta de habitação no mercado. Nos últimos anos a cidade tornou-se apelativa a nível imobiliário e turístico.

Verificamos também a procura a nível de alojamento nas nossas unidades hoteleiras da cidade. Neste caso, destaco a excelência da Escola de Hotelaria e Turismo do Douro, que funciona em Lamego desde 2000 e que, desde então, tem formado profissionais de destaque, que gozam de uma forte integração no mercado de trabalho.

A atração de investimento passa também pela reabilitação urbana e renovação do centro histórico da cidade?

Queremos mobilizar a iniciativa privada para a reabilitação do edificado no centro urbano da cidade de Lamego e nos centros dos principais aglomerados do concelho.

Já temos algumas áreas delimitadas, as ARU (Áreas de Reabilitação Urbana), e temos ambição de aumentar mais essas áreas de intervenção urbana.

Considero que todo o núcleo urbano da cidade deve ser uma zona de reabilitação, facilitando assim o processo de renovação do edificado através de um conjunto de incentivos fiscais e redução de taxas.

Wikimedia commons
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Estamos a definir áreas de intervenção nos polos das principais freguesias rurais onde é visível essa necessidade e onde já existem grandes aglomerados urbanos e muitos já antigos.

O concelho de Lamego tem várias freguesias com aglomerados significativos, como é o caso de Britiande, Sande e Penajoia.

Considero que todo o núcleo urbano da cidade deve ser uma zona de reabilitação, facilitando assim o processo de renovação do edificado através de um conjunto de incentivos fiscais e redução de taxas.

A autarquia está a promover algumas obras de reabilitação e renovação no centro histórico de Lamego?

Sim, no decorrer do processo de reabilitação do Bairro do Castelo, a autarquia está a revitalizar a Casa do Horto e da Torre dos Figos, dois edifícios históricos que anteriormente estavam votados ao abandono.

Depois da demolição das ruínas da casa antiga, decorrem atualmente na Casa do Horto - localizada junto à entrada do Castelo de Lamego - a realização de diversos trabalhos arqueológicos que vão possibilitar a caracterização e registo de todos os vestígios materiais relativos a acontecimentos decorridos naquela área.

Sublinho que esta intervenção é muito importante, pois vai permitir recolher mais dados e informações sobre o passado da nossa cidade, sobre a cultura e o modo de vida dos antepassados locais, de forma a conhecer melhor a nossa história e mostrá-la a quem nos visitar.

O novo edifício Casa do Horto será palco de várias iniciativas culturais com o intuito de atrair jovens residentes e mais turistas que queiram usufruir de um local único e com uma vista singular sobre a cidade.

Como está a autarquia a lidar com as situações criadas pela pandemia da Covid-19?

No âmbito do apoio social de emergência no período de pandemia o Município de Lamego, lançou um projeto para auxiliar e proteger as pessoas mais vulneráveis do concelho, em particular a população idosa, ou em situação de isolamento social e sem retaguarda familiar.
As equipas do programa Lamego Ajuda entregam medicação e bens de primeira necessidade em casa dos lamecenses. Abrange, de igual modo, a cidade e as freguesias rurais.

O Programa Operacional de Apoio às Pessoas Mais Carenciadas garante resposta social reforçada, pelo que uma franja significativa da população em situação de carência é apoiada através deste programa.

No âmbito do apoio social de emergência no período de pandemia o Município de Lamego, lançou um projeto para auxiliar e proteger as pessoas mais vulneráveis do concelho, em particular a população idosa, ou em situação de isolamento social e sem retaguarda familiar.

Quais os seus projetos mais emblemáticos para desenvolver nos próximos anos?

Com a pandemia teve que interromper-se ou atrasar-se o conjunto de projetos estratégicos que estamos a executar no âmbito do PEDU.

Por isso, a nossa ambição é concluir os projetos que estamos a executar e que se enquadram em três eixos prioritários: regeneração urbana, mobilidade e apoio a comunidades desfavorecidas.

No caso de obras destinadas a promover a mobilidade na cidade refiro a intervenção na Rua Visconde Arneirós, uma importante artéria nas imediações na cidade, inserida no âmbito do plano de beneficiação da rede viária do concelho, num investimento de 1.6 milhões de euros.

Trata-se de uma intervenção fundamental, não só em termos de acessibilidade e de escoamento do trânsito, mas também, e acima de tudo, em termos do reforço das condições de segurança dos peões.

A nossa ambição é concluir os projetos que estamos a executar e que se enquadram em três eixos prioritários: regeneração urbana, mobilidade e apoio a comunidades desfavorecidas.

Esta artéria é importante porque faz ligação com a rua de acesso à escola de Hotelaria e Turismo do Douro, um dos principais estabelecimentos de ensino do concelho e um local de grande afluência de pessoas e com grande impacto na atividade económica da região.

Vamos continuar a apostar em projetos que promovam a mobilidade, como a criação de melhores condições de acesso à cidade, sobretudo no acesso ao à auto estrada (A24), e assim apostar em criar melhores condições para a instalação de empresas.

A autarquia está a promover projetos na componente ambiental e na reflorestação da Serra das Meadas?

Os próximos desafios vão continuar a centrar-se em áreas como a saúde e a melhoria da qualidade de vida das populações.

Estamos apostados em melhorar a oferta de novos espaços verdes e lúdicos e que vão também permitir que as gerações futuras possam aproveitar a nossa cidade em pleno, com tudo de bom que Lamego tem para oferecer. E aqui tenho de destacar a construção do Parque Urbano de Lamego, um projeto que vai privilegiar o desporto, o lazer e a educação ambiental. Edificado numa área superior a sete hectares, este novo pulmão verde da cidade foi criado com o objetivo de melhorar a qualidade de vida de todos os lamecenses.

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Mas temos de pensar também em promover um ambiente sustentável, apostando, por exemplo, na reflorestação da Serra das Meadas, um ‘pulmão verde’ da região, continuando iniciativas como a recente  que assinalou o Dia Mundial da Floresta com a plantação de duas mil árvores, oferecidas pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas e pela Quercus, na sequência de uma candidatura ao projeto Floresta Comum, de proteção de espécies autóctones como o pinheiro-bravo, o carvalho, o freixo e o medronheiro.

Os próximos desafios vão continuar a centrar-se em áreas como a saúde e a melhoria da qualidade de vida das populações.