As reuniões do Conselho do Banco Central Europeu (BCE) representam eventos importantes tanto para investidores, como para quem tem poupanças no banco a render. As decisões da instituição liderada por Christine Lagarde também têm impacto no imobiliário e na vida das famílias que estão a pagar créditos habitação. Isto porque, durante estas reuniões, decide-se o destino da evolução das taxas de juro diretoras que acabam por influenciar toda a economia europeia.
De um modo geral, as reuniões do BCE podem ser divididas em encontros sobre as taxas de juro diretoras e em reuniões não monetárias, dedicadas a outros temas, como a estabilidade financeira. Na sua última reunião de política monetária, realizada a 18 de julho de 2024, o BCE decidiu deixar as taxas de juro inalteradas, depois de ter avançado com o primeiro corte dos juros (de 25 pontos base) em junho.
A próxima reunião de política monetária do BCE está marcada para 12 de setembro, pelo que é nesta data que se vai saber qual o rumo da Euribor (indicador de referências para os créditos habitação a taxa mista e variável) e dos juros pagos noutros investimentos das famílias que vivem na Europa.
O calendário de reuniões do BCE para 2024
É nas reuniões do Conselho do Banco Central Europeu que se decide a evolução das taxas de juro na zona euro, tendo por isso especial importância para famílias e investidores. Importa agora relembrar que existem dois tipos de reuniões do BCE:
- reuniões sobre taxas de juros: em 2024 foram agendados um total de 8 encontros de política monetária;
- reuniões não monetárias: também neste caso, há 8 reuniões previstas.
Datas e decisões das reuniões do BCE já realizadas em 2024
As reuniões do BCE sobre as taxas de juro diretoras - ou melhor, sobre medidas de política monetária da zona euro - ocorrem de seis em seis semanas, geralmente às quintas-feiras.
Depois de dois anos de subida das taxas de juro – o BCE aumentou as taxas de juro até setembro de 2023, tendo feito uma paragem nos aumentos apenas em outubro passado –, 2024 afigura-se como um ano fundamental para a políticas monetária europeia. No que diz respeito às reuniões já realizadas durante 2024, o Banco Central Europeu decidiu:
- 25 de janeiro de 2024 : taxas de juro inalteradas;
- 7 de março de 2024 : taxas de juro inalteradas;
- 11 de abril de 2024 : taxas de juro inalteradas;
- 6 de junho de 2024 : taxas de juro reduzidas em 25 pontos base, ficando entre 3,75% e 4,5%.
- 18 de julho de 2024 : taxas de juro inalteradas em relação ao mês de junho.
Quando vão ser as próximas reuniões do BCE este ano?
As próximas reuniões de política monetária, onde vai ser decidido o rumo dos juros do BCE, estão agendadas para:
- 12 de setembro de 2024 ;
- 17 de outubro de 2024 ;
- 12 de dezembro de 2024.
No final de cada reunião é publicado um comunicado de imprensa resumindo as decisões tomada. E também decorre uma conferência de imprensa que conta com a presença de Christine Lagarde, a presidente do BCE.
As reuniões do BCE sobre questões não monetárias em 2024
Paralelamente às decisões relativas à política monetária convencional, o BCE também se reúne ciclicamente para discutir questões não monetárias, como a supervisão bancária, a segurança dos sistemas de pagamentos ou a estabilidade do sistema financeiro.
Ao contrário dos encontros sobre a evolução dos juros diretores, as reuniões de política não monetária não seguem um prazo específico de seis em seis semanas. Para questões de política monetária não convencional, por exemplo, o BCE já se reuniu em 21 de fevereiro, 8 e 22 de maio, 19 de junho e 1 de julho durante 2024. As próximas reuniões de política não monetária do BCE estão agendadas para:
- 25 de setembro de 2024;
- 13 de novembro de 2024;
- 27 de novembro de 2024.
Quais são as taxas de juro do BCE?
Desde logo, importa recordar que o BCE determina a evolução de três taxas de juro principais:
- Taxa de juro das principais operações de refinanciamento: é a taxa à qual os bancos pagam quando pedem dinheiro emprestado ao BCE durante uma semana. É o que mais influencia as taxas de juro de curto prazo no mercado interbancário (e tem impacto no crédito habitação por via da Euribor);
- Taxa aplicada à facilidade permanente de depósitos, ou seja, o que é pago sobre os montantes depositados pelos bancos junto do Eurosistema;
- Taxa aplicável à facilidade permanente de cedência de liquidez, ou seja, a aplicada aos empréstimos 'overnight' - portanto com vencimentos diários - pelo BCE aos bancos, que representa o limite máximo para os empréstimos de médio prazo.
Estas três taxas de juro diretoras do BCE influenciam diretamente a economia europeia, porque determinam a liquidez em circulação na zona euro, o custo do dinheiro e o nível de preços.
Que fatores influenciam as taxas de juro do BCE?
Para decidir o rumo dos juros diretores (se há aumentos, descidas ou estabilizações), o BCE considera vários dados económicos, como:
- Inflação na zona euro: a meta do BCE para a inflação no médio prazo é de 2%. Quando a inflação está muito acima da sua meta, o BCE tende a aumentar as taxas para reduzi-la. Se, pelo contrário, a inflação está demasiado baixa, geralmente reduz os juros diretores para impulsionar o crescimento económico;
- Crescimento económico da zona euro: normalmente o BCE corta os juros gradualmente para impulsionar o investimento e os empréstimos;
- Mercado de trabalho: o BCE também tem em conta as taxas de desemprego, bem como a evolução dos salários para tomar decisões. Por exemplo, o BCE pode avançar com cortes no juros para estimular a criação de emprego;
- Fatores geopolíticos: aqui entram as crises económicas internacionais ou guerras. Por exemplo, a guerra na Ucrânia e as suas consequências no mercado energético e na confiança dos consumidores. O conflito armado no Médio Oriente também está na mira do BCE, assim como os efeitos das alterações climáticas na economia.
O que é esperado na reunião do BCE de setembro?
Tal como revela o calendário de reuniões de política monetária do BCE, o próximo encontro entre os membros do Conselho está marcado para dia 12 de setembro de 2024 (uma quinta-feira).
Os analistas de mercado estão expectantes que haja um novo corte das taxas de juro, tal como aconteceu em junho. Mas Christine Lagarde não deu pistas sobre a decisão, mantendo-se cautelosa e reforçando apenas que tudo dependerá da evolução dos vários dados económicos, nomeadamente se há a confirmação de que a inflação na zona euro está mesmo a desacelerar e a estabilizar nos 2% (o objetivo do regulador).
A verdade é que inflação na zona euro (média anual) tem estado a assumir uma trajetória decrescente, prevendo-se que se fixe em 2,5% em 2024 e em 1,9% em 2025. Não se pode, portanto, descartar a possibilidade de um novo corte dos juros em setembro. Mas, note-se, que o BCE pode assumir uma posição cautelosa e voltar a manter os juros inalterados nessa reunião.
Enquanto se aguardam novidades sobre os juros, a taxa de juro das principais operações de refinanciamento mantém-se em 4,25%, a dos depósitos em 3,75% e a taxa aplicável à facilidade permanente de cedência de liquidez em 4,50% .
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