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Gesvalt: “A estabilidade económica em Portugal apoia-se hoje na estabilidade do imobiliário”

Sunyu on Unsplash
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Depois de operar no mercado nacional há mais de cinco anos, a Gesvalt, empresa espanhola líder em serviços de consultoria de investimento e avaliação de ativos, decidiu ter também um espaço em Portugal. O “timing” foi o ideal, diz ao idealista/news António Braz, managing director da companhia, adiantando que atualmente o imobiliário é o grande motor da economia nacional.

Segundo o responsável, a operação portuguesa está a ser um sucesso. “No escritório de Lisboa já passámos largamente os mil milhões de euros em valor de ativos analisados. Tudo o que já fizemos como consultoria ultrapassa as expetativas. O que aconteceu foi uma necessidade premente dos ‘players’, nomeadamente dos clientes institucionais espanhóis, que dominam o nosso mercado, nomeadamente na banca, de fazer cada vez mais pressão para ter a qualidade de serviço a que estão habituados também aqui em Portugal”, explica, adiantando que o apoio e experiência trazidos do escritório de Madrid são uma mais-valia da Gesvalt.

"Temos uma perspetiva diferenciadora, do ponto de vista do investidor ou proprietário e do ponto de vista do financiador, nomeadamente uma instituição bancária"

De acordo com António Braz, a empresa aporta um ‘know how’ que não é normal no mercado nacional: “Temos uma perspetiva diferenciadora, do ponto de vista do investidor ou proprietário e do ponto de vista do financiador, nomeadamente uma instituição bancária, o que nos dá uma visão mais abrangente do mercado. Percebemos as abordagens dos vários ‘players’, o que é uma vantagem grande, daí sermos muito procurados por investidores, sobretudo para fazer consultoria, e por fundos de investimento para fazer avaliação ou reavaliação das respetivas carteiras”.

O “timing” ideal para entrar em Portugal

Mas o que fazem, afinal, os profissionais que trabalham na Gesvalt? “Somos uma consultora em avaliação. Avaliamos imóveis, que é neste momento o mais fácil de falar, devido ao bom momento do setor: é o que mexe mais com aquilo que é o investidor estrangeiro. A própria economia tem-se estado a desenvolver, a sedimentar e a sustentar com base no imobiliário. Hoje a estabilidade económica apoia-se naquilo que é a estabilidade do imobiliário e o seu crescimento exponencial, o que é muito interessante”, refere o especialista, lembrando, no entanto, a que empresa também faz, por exemplo, avaliação de empresas, de marcas, de patentes, de linhas de montagem e de frotas automóveis.

Uma coisa é certa, o momento escolhido pela Gesvalt para ter um escritório na capital foi o ideal. “Tivemos a sorte de fazer o ‘advicer’ de algumas das principais operações que se concretizaram em Lisboa e em Portugal, o que é muito bom para nós. Faz com que estejamos por dentro do que é o meio mais fechado do imobiliário com alguma notabilidade”, afirma António Braz, enaltecendo o facto da empresa jogar nos “dois lados” do tabuleiro, já que faz “avaliações para o sistema financeiro” e trabalha “diretamente com os investidores”.

A urgência dos REIT

Muitas são as vozes que se têm mostrado a favor da criação em Portugal de sociedades de investimento imobiliário cotadas em bolsa. António Braz tem sido, segundo o próprio, uma das pessoas que mais tem sugerido a implementação de legislação em Portugal para a criação de REIT (Real Estate Investment Trust). Este é um dos pontos que precisa de ser revisto urgentemente, avisa. 

“Estamos sustentadamente a crescer, o que é fundamental, e qualquer investidor que vem para o nosso mercado sente confiança. Mas há pontos que precisam de ser limados de forma urgente, como é o caso dos REIT – as SOCIMI em Espanha. Este é um tema que urge implementar, é dinheiro que estamos diariamente a perder”, referiu.

"Tenho clientes que dizem que não vão comprar um solo em Portugal porque vão perder dinheiro… Se houvesse uma resposta em três meses o cliente estava cá"

Também a burocracia existente relativamente ao licenciamento e/ou aprovação de projetos deveria ser agilizada em Portugal. “É ridículo demorar-se tanto tempo a aprovar um projeto numa câmara municipal. Tenho clientes que dizem que não vão comprar um terreno em Portugal porque vão perder dinheiro… Se houvesse uma resposta em três meses o cliente estava cá”, lamenta o responsável. “Todas as semanas reúno com investidores em que não posso falar de terrenos, eles não vão estar não sei quantos meses à espera de uma aprovação”, conclui.