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Subida de preços da construção e atrasos na aprovação de projetos preocupam promotores

O Duque 70, em Lisboa, é um dos projetos que está a ser comercializado pela Habitat Invest / Habitat Invest
O Duque 70, em Lisboa, é um dos projetos que está a ser comercializado pela Habitat Invest / Habitat Invest

Há falta de oferta no setor imobiliário? Os preços das casas estão demasiado altos? Estamos na iminência de uma bolha? Para Luis Corrêa de Barros, CEO da Habitat Invest, os problemas atuais são outros: os preços de construção em alta e a grande demora da Câmara Municipal de Lisboa (CML) em aprovar projetos, em média dois anos. 

“Neste momento, os dois maiores riscos que um promotor imobiliário tem não é a oferta e a procura, não é a bolha, é o facto dos preços de construção estarem a aumentar e dos tempos de aprovação de projetos na câmara serem longos. São em média dois anos, e isto correndo bem. É muito muito complicado”, começa por dizer o responsável ao idealista/news.

"Os dois maiores riscos que um promotor imobiliário tem é o facto dos preços de construção estarem a aumentar e dos tempos de aprovação de projetos na câmara serem longos"

Para Luis Corrêa de Barros não há dúvidas de que “Portugal está no mapa” e que “há de facto muita procura”, mas é preciso “ter muito cuidado” com a forma como se procede: “Não é a falta de capitais para investir, não é os estrangeiros desaparecerem, é a desmotivação de qualquer investidor em investir num país que não controla os custos de construção e os prazos de aprovação. É um risco”.

Segundo o CEO da Habitat Invest – empresa privada de investimento imobiliário fundada em 2004 que está a apostar em projetos para a classe média/alta nacional –, este é um assunto sensível, até porque Portugal continua a precisar “muito de capital estrangeiro e de dar confiança e tranquilidade a quem quer viver e investir” no país. “Os fundos de investimento têm a Taxa Interna de Rentabilidade (TIR): se o projeto demorar dois anos desde que entra na CML até que começa a construção e as vendas tem uma TIR, se demorar quatro tem outra, e ai já não arriscam e vão embora”, alerta.

Um problema chamado instabilidade legislativa 

Luis Corrêa de Barros elogia as alterações introduzidas no setor em 2012, com a Nova Lei das Rendas – “se a legislação não tivesse mudado podiam vir os fundos e os investidores e Lisboa podia ser a cidade mais fantástica do mundo que nada disto mudava” –, mas apela à estabilidade legislativa. “Hoje em dia parece que tudo aquilo que gera dinheiro para a economia tem de ser taxado ou sobretaxado”, conta, frisando que não se pode “esquecer quem investe, quem arrisca, quem põe o seu dinheiro em risco”

"Portugal continua a precisar muito de capital estrangeiro e de dar confiança e tranquilidade a quem quer viver e investir no país”

O responsável considera, de resto, que o facto de as leis serem “constantemente alteradas” não traz segurança aos investidores: “Tenho alguns processos parados, porque os investidores disseram que eram projetos para o Alojamento Local (AL), e agora com as novas zonas de contenção vai haver projetos e reabilitações que vão deixar de ser feitas, o que é uma pena”. 

Quando questionado sobre quantos projetos já caíram por terra por esse motivo, responde de forma clara: “Um caiu e outro está a ser totalmente alterado”. Trata-se do Páteo do Salema, na zona histórica de Lisboa. “Vamos desenvolvê-lo, mas será menor que o inicialmente planeado. Vai ser um projeto com muito menor graça do que aquele que eu preferia”, conclui.

Investidos 175 milhões em oito projetos

De referir que atualmente a Habitat Invest tem em curso oito projetos que representam um investimento de cerca de 175 milhões de euros, como é possível comprovar na imagem. Nos últimos quatro anos, entre 2014 e 2017, a empresa investiu mais de 122 milhões de euros em 12 projetos, que levaram à criação de 37 lojas, 359 apartamentos e 104 quartos de hotel.

Habitat Invest
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