Notícias sobre o mercado imobiliário e economia

Bancos põem à venda carteira com mais de 4.400 casas avaliada em 360 milhões

Maioria dos imóveis estão arrendados e muitos encontram-se nos centros urbanos do Porto, Setúbal e Lisboa.

Amit Lahav on Unsplash
Amit Lahav on Unsplash
Autor: Redação

Vários bancos nacionais, entre os quais o Novo Banco, colocaram recentemente no mercado uma carteira composta por 4.435 frações de habitação, no valor de 360 milhões de euros. Os imóveis em causa estão, na grande maioria, arrendados, sendo que se localizam nos centros urbanos do Porto, Setúbal e Lisboa, estando “parqueados” em fundos de investimento imobiliário para arrendamento habitacional (FIIAH) geridos pela Norfin.

Segundo a notícia avançada pelo ECO, que cita várias fontes do mercado, estes fundos são detidos pelos principais bancos portugueses, através de unidades de participação, nomeadamente pelo Novo Banco, a Caixa Geral de Depósitos (CGD), o Montepio, o BCP e o Santander Totta. De acordo com a publicação, há oito anos, estas entidades fizeram parte de um projeto do Governo de Pedro Passos Coelho designado “mercado social de arrendamento”, num esforço para tentar solucionar o problema da habitação no país num período de crise.

Os anos passaram e os bancos foram colocando centenas de imóveis nos FIIAH para dinamizar o mercado de arrendamento, sendo que, em troca destes ativos imobiliários, receberam unidades de participação dos fundos.

Na altura, participaram no projeto o BES, o Banif, o Banco Popular, o Santander Totta, o Montepio, o Millennium BCP, bem como a CGD, associados ao Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social e ao Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU). O BES foi dissolvido em 2014, dando lugar ao Novo Banco enquanto Banif e Banco Popular foram absorvidos pelo Santander Totta depois de medidas de resolução em 2015 e 2017, respetivamente.

No final do ano passado, em assembleia de participantes, os bancos decidiram acabar com os dois FIIAH em questão: o fundo Solução Arrendamento e o fundo Arrendamento Mais. Terão de ser liquidados até final do ano, com a consequente “limpeza” dos imóveis, que terá de acontecer até final do próximo, escreve a publicação.

De referir que o Novo Banco, que tem estado debaixo dos holofotes por causa das suspeitas em torno de operações de alienação de imóveis, é a entidade que detém as maiores participações nos dois fundos, de 38% e 29%, respetivamente, seguindo-se o Montepio e a CGD.

Citada pelo ECO, a entidade gestora dos fundos explicou que os imóveis da carteira à venda “constituem o património de Fundos de Investimento Imobiliário Fechados cuja duração termina em 31 de dezembro de 2020, tendo por essa razão de ser obrigatoriamente liquidados”. “A alienação dos imóveis decorre do termo da duração dos Fundos sendo imposta pela regulamentação em vigor”, referiu a Norfin.

A carteira de imóveis em causa é composta maioritariamente por frações localizadas na região do Porto (1.000 casas), Setúbal (870) e Lisboa (740), senbdo que só nestas três regiões o valor dos ativos supera os 200 milhões de euros.