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Novo Banco garante que imóveis vendidos “não causaram prejuízos diretos ao Fundo de Resolução”

Presidente da República considera que "os portugueses têm o direito de saber a verdade" sobre o que se tem passado no Novo Banco.

Photo by Louis Paulin on Unsplash
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Autor: Lusa

O Novo Banco garante que a operação de venda do portefólio Viriato, em 2018, “não foi feita a preços de saldo, mas sim a preços de mercado”, “aproveitando as boas condições do mercado imobiliário” desse ano. O banco liderado por António Ramalho diz ainda que os imóveis vendidos não “causaram prejuízos diretos ao Fundo de Resolução”, uma vez que a “generalidade dos imóveis não estão cobertos pelo mecanismo de proteção de capital”.

O esclarecimento surge depois do Público ter avançado que a venda do conjunto de imóveis foi feita a um fundo registado nas ilhas Caimão em que se desconhecem os donos, com preço significativamente abaixo do registado - os imóveis estavam registados no balanço do banco por 631 milhões de euros e foram vendidos por 364 milhões -, tendo o Fundo de Resolução coberto perdas de centenas de milhões de euros. Além disso, o negócio foi feito com dinheiro que o Novo Banco emprestou ao fundo para este fazer esta aquisição.

Em comunicado, cirado pela Lusa, o Novo Banco lembra ainda que “a operação foi auditada no ano da sua realização” e que “obteve para parte dos imóveis o acordo expresso do Fundo de Resolução”, constando “das operações que serão revistas no âmbito da auditoria especial em conclusão”. E sublinha ainda que a “operação não teve qualquer custo direto para o Fundo de Resolução porque a generalidade dos imóveis não estão cobertos pelo mecanismo de proteção de capital“.

Sobre o crédito ao fundo para a compra dos imóveis, diz o banco que esse foi feito “de acordo com as melhores práticas de mercado” e com "hipoteca dos bens até à amortização da dívida”.

O banco liderado por António Ramalho mostra-se também disponível para esclarecer quaisquer dúvidas que as vendas de ativos possam gerar, e disse que enviou ainda ontem (28 de julho de 2020) à Procuradoria Geral da República um conjunto detalhado de informação referente à venda dos imóveis integrados no portefólio Viriato e Sertorius.

Uma das dúvidas levantadas pela notícia do Público é quem foi o beneficiário último destas vendas. Numa reação à notícia, na rede social Twitter, António Ramalho assegura que o banco sabe quem é o “beneficiário último” dos imóveis que foram vendidos. “Claro que sabemos o beneficiário último e que foi analisado detalhadamente pelo compliance do banco e feitos todos os relatórios“, escreveu na rede social, esclarecendo que “todas as sociedades são detidas pelo vencedor do concurso, a Anchorage”, e que “tudo foi publicado em outubro de 2018”.

Marcelo quer “esclarecimento cabal” sobre Novo Banco

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, quer um “esclarecimento cabal” e “por todos os meios” sobre o que se passou no Novo Banco “num passado recente” e aguarda o resultado da auditoria adiado para este mês.

Marcelo assumiu estas posições em declarações aos jornalistas, à saída de uma visita à Sociedade Histórica da Independência de Portugal, em Lisboa, sem se querer pronunciar sobre se deve ou não haver uma investigação judicial sobre a gestão do Novo Banco.

O chefe de Estado realçou ainda que os portugueses, "direta ou indiretamente, através do Fundo de Resolução e da garantia ou garantias dadas pelo Estado, são chamados a participar naquilo que é um compromisso dentro do sistema financeiro" e defendeu que por isso "têm todo o direito a saber" do destino "dos seus contributos financeiros".

Tanto à esquerda como à direita, os partidos já reagiram à notícia, e o PS vai requerer que o presidente do Novo Banco seja ouvido logo na reabertura dos trabalhos parlamentares, em setembro.