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“O vinho, a enologia, é a alma do L’AND Vineyards"

José Cunhal Sendim, fundador e CEO do resort alentejano, fala ao idealista/news sobre um dos “encantos” da propriedade.

As vinhas do L'AND Vineyards e, à direita, José Cunhal Sendim / L'AND Vineyards / ilusao.otica
As vinhas do L'AND Vineyards e, à direita, José Cunhal Sendim / L'AND Vineyards / ilusao.otica

“O vinho, a enologia, é a alma do L’AND Vineyards”. José Cunhal Sendim, fundador e CEO do resort alentejano, nascido – a vertente turística (hoteleira) – há dez anos, fala ao idealista/news sobre aquele que é um dos encantos da propriedade, que se encontra na Herdade das Valadas, em Montemor-o-Novo. As vinhas, de facto, são uma das imagens de marca do resort, que tem uma adega “para micro-vinificação, que permite aos hóspedes fazerem atividades vínicas” e aos proprietários de casas que ali investiram “fazerem todos os anos o seu vinho no resort”, conta o responsável.

A forte presença da enologia no L’AND é também visível através dos núcleos existentes na propriedade, todos com nomes de castas. Mais curioso ainda, ou até diferenciador, é o facto de se poder fazer o próprio vinho no hotel. 

“Nós temos uma vinha com quatro castas: Alicante Bouschet, Touriga Franca, Touriga Nacional e Syrah. E temos uma adega no hotel, que está desenhada para se poder fazer micro-vinificação, ou seja, vinho personalizado. Tem 30 cubas de cerca de mil litros e isso permite que os membros do Wine Club, que é aberto aos proprietários, mas também pode ser acedido por pessoas de fora, possam todos os anos criar o seu vinho. Podem criar desde 120 garrafas por ano, podem desenhar o rótulo, que é uma coisa engraçada, podem combinar as castas da maneira que quiserem. No limite, podem ter a sua barrica de carvalho francês, onde fazem o envelhecimento, e se quiserem, já num grau mais avançado, podem pegar nas cubas e fazer mesmo o processo de vinificação, escolher o fermento, a temperatura etc.”, explica José Cunhal Sendim.

A adega do L'AND Vineyards / L'AND Vineyards
A adega do L'AND Vineyards / L'AND Vineyards

Um desafio engraçado, reconhece o responsável, que “permite a cada um dos membros do clube ter uma experiência a fundo na área da enologia”. “Além disso, os membros do clube têm um conjunto de atividades durante o ano que acaba com a Festa das Vindimas, que fazemos aqui no final de agosto, início de setembro, em que toda a gente vai vindimar e no final há um jantar”, acrescenta.

"O facto das pessoas poderem ter o seu próprio vinho tem sido um aspeto fundamental no projeto”
José Cunhal Sendim

Para o fundador e CEO do L’AND Vineyards, não há dúvidas de que o “facto das pessoas poderem ter o seu próprio vinho tem sido um aspeto fundamental no projeto”. “É uma experiência, e depois podem comparar o seu vinho com o dos outros membros. É uma atividade que tem funcionado bem”, conclui.

Imagem de parte das vinhas existentes na propriedade / L'AND Vineyards
Imagem de parte das vinhas existentes na propriedade / L'AND Vineyards

Os sabores do Alentejo num restaurante premiado

O restaurante L'And Vineyards já conquistou, em duas ocasiões (nas edições de 2015 e de 2017 do Guia Michelin Espanha e Portugal), uma estrela Michelin, “nos tempos” do chef Miguel Laffin. Um dos membros dessa equipa vitoriosa era Nuno Amaral, que é o atual chef do restaurante

“Posso dar-me ao luxo de dizer que fiz parte dessa equipa que ganhou, que perdeu e que recuperou. É muito bom estar nessa liga, a Liga dos Campeões, como costumamos dizer, mas agora, com dois filhos em casa, não abdico deles por uma estrela Michelin. As minhas estrelas estão em casa e são os meus filhos, mas soube bem, claro, jogar nessa liga quando era mais novo”, diz ao idealista/news.

Nuno Amaral, chef do restautante L'AND Vineyards / ilusao.otica
Nuno Amaral, chef do restautante L'AND Vineyards / ilusao.otica

O chef enaltece o facto de estar na cozinha do L’AND praticamente desde que o resort abriu portas – entrou em setembro de 2011 e o hotel começou a funcionar em abril desse ano – e destaca a “forte ligação ao ocidente” que existe em termos culinários, que se reflete “em tudo o que existe no hotel, desde a essência, o cheiro, até à comida, os citrinos, as especiarias…” Que especiarias são essas, questionamos? “Caril, tandori, zimbro, canela…, coisas mais exóticas”, responde, sublinhando que lhe dá “muito prazer trabalhar num restaurante como o L’AND Vineyards”. “Identifico-me muito. São já dez anos. Sinto que já faço parte do projeto, da mobília, como se costuma dizer. A minha mulher trabalha aqui, o L’AND tem também esta atmosfera romântica, não só para os clientes como para os funcionários. Muitos de nós encontrámos aqui a cara-metade”.

Um dos pratos que o chef Nuno Amaral teima em não retirar da ementa é as bochechas embebidas em vinho tinto, revela, dando conta que “o vinho está sempre presente”. Também o Borrego integra o menu: “É um prato que me dá muito gozo fazer. Montemor é a terra do borrego, que é temperado com uma mistura de especiarias, caril, canela, zimbro, alho etc., e é acompanhado com um puré de batata doce com canela e legumes salteados, e ainda com um puré com apontamento de cebolada. É um prato que representa muito aquilo que é o L’AND, o Alentejo e, principalmente, Montemor”.

Restaurante do L'AND Vineyards / L'AND Vineyards
Restaurante do L'AND Vineyards / L'AND Vineyards