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Nómadas digitais atraídos pelas cidades portuguesas - e é tendência para ficar

Custo de vida, segurança, clima e gastronomia atraem cada vez mais profissionais para o país. Uma nova forma de trabalhar, enquanto se viaja, com efeitos no imobiliário.

Nómadas digitais atraídos pelas cidades portuguesas
Photo by Persnickety Prints on Unsplash
Autor: Redação

O teletrabalho mudou a vida de milhões de pessoas e deu impulso a novos estilos de vida. Esta forma de trabalhar ganhou espaço nas empresas e acelerou o movimento dos nómadas digitais: pessoas que trabalham a partir de qualquer parte do mundo, sem localização fixa. Portugal aparece no mapa das preferências destes profissionais, atraídos pelo reduzido custo de vida, a segurança, o clima e a gastronomia.

Os nómadas digitais não estão obrigados a trabalhar num escritório ou espaço físico circunscrito. São uma população de trabalhadores independentes que optam por um estilo de vida que lhes permite viajar e trabalhar remotamente, em qualquer lugar do mundo. Andam de cidade em cidade, de país em país, desfrutando dos locais por onde passam enquanto trabalham.

Este modelo só é compatível com determinadas funções, mas está a ganhar cada vez mais adeptos um pouco por todo o mundo. Além disso, a pandemia fez-nos perceber que há muitos trabalhos que podem ser feitos a partir de qualquer lugar. Segundo um estudo da consultora MBO Partners, citado pelo Público, só nos Estados Unidos da América havia, em 2018, 4,8 milhões de trabalhadores remotos sem residência fixa.

Lígia Gomes, autora de um dos raros estudos académicos sobre nómadas digitais feitos em Portugal, traça um perfil destes profissionais. Trata-se sobretudo de jovens adultos entre os 28 e os 35 anos, com algum poder de compra e habitualmente sem família constituída. São profissionais da programação informática, do design, da publicidade, da tradução, da advocacia ou do jornalismo e, em geral, de todas as áreas “passíveis de entregar projetos através de um computador”, escreve, citada pelo mesmo jornal.  

Movimento dos nómadas digitais cresce por todo o mundo
Foto de Helena Lopes no Pexels

Portugal na mira dos nómadas digitais

O nómadismo virou tendência e Portugal aparece na rota destes profissionais. São atraídos pelo reduzido custo de vida, a segurança, o clima e a gastronomia. A existência de comunidades fortes de nómadas digitais é outro fator que contribui para a fixação destes profissionais num determinado sítio. “Sem sentido de comunidade as pessoas não ficam. Ela é muito importante para as pessoas não se sentirem sozinhas”, diz Lígia Gomes.

De acordo com autora do estudo, “Lisboa tem um dos maiores grupos de nómadas digitais” do mundo. Mas o “Porto está a crescer, a ganhar visibilidade e força”, conta Fernanda Nicolini, co-work manager do Selina Porto – a Selina é uma rede internacional de hotéis especificamente vocacionada para acolher nómadas digitais. “Pela sua dimensão é mais aconchegante e seguro”, frisa.

Em termos nacionais, segundo a mesma responsável, “Lisboa continua a ser a primeira opção, mas há outras tendências: a Madeira, por exemplo”, que “tornou-se um spot durante os confinamentos”.

Em plena pandemia, recorde-se, nasceu o Digital Nomads Madeira, um projeto-piloto, na Ponta do Sol, desenvolvido pela Secretaria Regional da Economia através da Startup Madeira. O objetivo seria atrair nómadas digitais de todo o mundo, nomeadamente profissionais do setor empresarial e empreendedores, para trabalhar a partir da região por períodos entre um a seis meses. O projeto foi lançado no final de 2020, e até ao final de janeiro deste ano já tinha recebido cerca de 2.600 inscrições, tal como o idealista/news noticiou.