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Teletrabalho: trabalhar à distância e aprender a viver assim

O trabalho à distância é uma tendência que mudou a vida de milhões de pessoas. Trouxe novos desafios para empresas e trabalhadores, mas gera oportunidades.

Photo by Bench Accounting on Unsplash
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Autor: Redação

O teletrabalho, devido à pandemia da Covid-19, chegou de forma repentina e milhões de pessoas tiveram de aprender a trabalhar à distância e a viver com novos desafios e regras. As empresas têm de repensar os espaços, instalar um pequeno escritório em casa virou moda e os nómadas digitas já começam a criar tendência, abrindo outro filão. O trabalho remoto veio para ficar e mudou a vida e o emprego, mas está também a criar oportunidades de mercado no imobiliário. Com vantagens e desvantagens, ditará o futuro da economia e da sociedade, e por isso requer legislação. O idealista/news preparou um guia especial sobre um dos temas que mais marcou 2020 e, com certeza, vai continuar a dar que falar em 2021. Afinal, trabalhadores e empresas têm de estar preparados para viver melhor neste contexto.

Teletrabalho e a (necessária) legislação

O regime de teletrabalho acelerou o processo de digitalização de muitas empresas, nomeadamente no setor imobiliário. O Covid-19 fechou a economia dentro de casa, mas os negócios continuam a (tentar) fazer-se fora de portas, e a prova disso são os “Diários de mediadores em casa”. 

Se, numa primeira fase, o trabalho à distância apresentou-se sob a forma de necessidade, por causa do confinamento, rapidamente ganhou adeptos, depois de superados os primeiros receios de fracasso e dadas provas em sentido contrário, ao nível dos ganhos de produtividade e conciliação familiar. Já depois da primeira vaga, e com o regresso gradual aos escritórios, muitos preferiram manter o desempenho das tarefas a partir de casa, por decisão pessoal ou das próprias empresas. Chegada a segunda vaga, no caso concreto de Portugal, o teletrabalho voltou a ser obrigatórioe só pode ser recusado por escrito - nos concelhos considerados de risco e mais afetados pelo vírus, que passaram a estar obrigados ao cumprimento de medidas adicionais para combater o avanço da pandemia no país. O Governo publicou o diploma que regula as novas regras do trabalho a partir de casa, apenas para esta ocasião, e o idealista/news preparou um guia de perguntas e respostas que esclarece todas as dúvidas.

Photo by Standsome Worklifestyle on Unsplash
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E porque o trabalho remoto veio mesmo para ficar, de uma forma generalizada, é necessária legislação. A ministra da Administração Pública, Alexandra Leitão, já veio dizer que é preciso que esta modalidade “não retire direitos aos trabalhadores“, nem se traduza numa redução da qualidade dos serviços públicos, defendendo por isso um necessário enquadramento legal do teletrabalho. Ainda não há propostas do Governo em cima da mesa, mas 2021 deverá trazer novidades nesta matéria para os setores público e privado. É importante, por exemplo, definir as garantias e direitos dos trabalhadores, até ao nível do pagamento das despesas associadas a este regime, mas também regras para que não existam perdas de produtividade ou excesso de exposição ao trabalho, fora de horas.

Truques para melhorar a produtividade e ter sucesso

E agora que a fatiga pandémica se começa a intensificar, há algumas estratégias que podem dar uma ajuda, garantindo um maior equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, para se produzir mais, melhor e ser feliz. A CEO da Adecco em Portugal, Carla Rebelo, partilhou com o idealista/news uma lista de 10 passos fundamentais para trabalhar melhor desde casa.

A verdade é que manter a confiança no novo mundo do trabalho será um dos grandes desafios, assim como as questões da flexibilidade e liderança de elevada inteligência emocional. O futuro trará um trabalho orientado para resultados, que pode ser feito em casa e no escritório, num equilibrio necessário das duas realidades. Numa entrevista ao idealista/news, a responsável da Adecco uma fórmula para atingir o "sucesso" no trabalho e nos negócios em tempos de pandemia que vale a pena ler.

Annie Spratt on Sunsplash
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Os desafios do imobiliário

A crise sanitária e o teletrabalho fizeram florescer uma nova realidade de trabalho, para a atividade imobiliária e para as outras. Mas de que que forma irá impactar este setor, em particular? Tiago Borges, Career Business Leader na Mercer Portugal, partilhou a sua opinião numa entrevista ao idealista/news, e assegura desde logo que os níveis de produtividade podem manter-se ou até aumentar, e que os colaboradores da maioria das organizações têm genericamente a autonomia e as competências necessárias para estes novos modelos de trabalho.

Com todo este contexto como pano de fundo, a verdade é que as casas tornaram-se, de facto, o centro do mundo e o impacto no imobiliário está à vista. O lar de cada um assume-se agora como um ponto estratégico para viver, trabalhar, consumir e muito mais, e fez nascer um novo conceito, que promete dar que falar: o Homification. Neste artigo explicamos o que é que significa e como vai mudar a realidade das pessoas e empresas, aos mais variados níveis. O teletrabalho é só a ponta do icebergue.

Como criar um escritório em casa

E ter uma zona de trabalho em casa é mais importante do que nunca – e uma aposta ganha para os tempos que se avizinham. Depois do primeiro período de confinamento, muitas pessoas decidiram procurar soluções para resolver o problema da falta de um espaço de trabalho adequado nas suas casas, e os pedidos dispararam, tal como explica a diretora da Architect Your Home, Mariana Morgado Pedroso em entrevista ao idealista/news. A responsável está convencida que de que a realidade do teletrabalho e a flexibilidade não são movimentos passageiros e esta será uma mesmo das tendências que irá marcar a era pós-Covid-19, considerando, por isso, que a casa do futuro terá, necessariamente, de estar mais bem preparada para passarmos mais tempo nela.

Zsuzsa Dara
Zsuzsa Dara

E há muitas dicas e designs inspiradores para montar um escritório em casa, ou até modelos pré-fabricados que se montam em 24 horas para instalar num pátio ou pequeno jardim. E esta incrível casa para teletrabalhar em qualquer parte do mundo?

O impacto do teletrabalho na procura de casa

Há quem tenha decidido dar um passo maior e em vez de procurar adaptar o espaço de casa, procurou mesmo mudar-se para outro tipo de casa ou até mesmo para outro local. As principais redes imobiliárias analisaram os comportamentos desde o rebentar da pandemia e ao longo destes últimos meses, perspetivando o futuro do setor. E concluíram que atualmente a procura está orientada para casas maiores, interiores e exteriores, que permitam uma melhor qualidade de vida e convívio familiar e/ou teletrabalhar, a par de novas tipologias e localizações, sobretudo, nas zonas limítrofes dos centros urbanos, ou até no campo, em zonas rurais, ou de praia.

O idealista/news dedicidu ainda recolher vários testemunhos reais, de quem resolveu dar este passo em frente e viver de outra forma em plena pandemia, no especial “Mudei-me para uma casa de campo”. Histórias de quem quis mudar de casa, mas sobretudo de vida.

O futuro dos escritórios

Nada voltará a ser igual, nem mesmo os escritórios. Não vão acabar, mas também terão de adaptar-se ao novo mundo do trabalho. Os escritórios do futuro têm agora um desafio: transformarem-se em espaços de trabalho mais flexíveis e promotores do bem-estar mental e físico, segundo o estudo da JLL, que analisou o impacto do trabalho à distância em Portugal, identificando tendências do pós-pandemia. Na prática, passaremos a falar menos de escritórios e cada vez mais de espaços de trabalho. Mas afinal, como será o local de trabalho em 2030?

Photo by Nastuh Abootalebi on Unsplash
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Nuno Garcia, diretor-geral da GesConsult, acredita que irá prevalecer no futuro “um modelo híbrido, de teletrabalho e funcionamento das equipas nos espaços das empresas”. “Se houve aspeto que a pandemia veio mostrar foi que é possível garantir a continuidade dos negócios através do trabalho remoto”, garante numa entrevista ao idealista/news.

Nómadas digitais: uma nova tendência

Para milhares de trabalhadores, o teletrabalho é a nova regra, mas para os nómadas digitais, esta é uma realidade que abraçaram há já muitos anos. A Madeira decidiu tirar partido da tendência e lançar um projeto piloto único: o Digital Nomads Madeira. O objetivo é ter profissionais do setor empresarial e empreendedores de todo o mundo a trabalhar a partir da região por períodos entre um a seis meses, numa altura em que se torna urgente criar estratégias integradas de atração deste mercado. Está tudo explicado aqui.

E há mais operadores do mercado de olhos postos no futuro e a tentar oferecer soluções capazes de servir as novas necessidades dos profissionais. É o caso do Zmar, Localizado perto da Zambujeira do Mar, em pleno Parque Natural do Sudoeste Alentejano e na Costa Vicentina. O eco-resort lançou uma campanha especial para estadias prolongadas e dirigida a profissionais em teletrabalho e nómadas digitais, cujo lema "é compatibilizar a rotina e tarefas do dia-a-dia com a sensação de férias e liberdade". Vale a pena ler a história.

Estes conceitos ganharam força durante a pandemia e está nos planos no Governo continuar a estimulá-los, também no interior.  Destaca-se, neste âmbito, um apoio à contratação em regime de teletrabalho, equivalente a metade um IAS - Indexante de Apoios Sociais (438,8 euros) dado às empresas do litoral que criem postos de trabalho no interior do país. O valor do apoio é de 219 euros por pessoa, sendo que a medida tem um orçamento estimado de 20 milhões de euros. Quem quiser voos mais altos, pode sempre até mudar de país. Esta aldeia italiana, por exemplo, paga até 44.000 euros a quem decidir ir viver e trabalhar para lá.

Com as quebras no turismo, por causa da pandemia, também hóteis e alojamento local devem posicionar-se como novos espaços de teletrabalho. A Associação da Hotelaria de Portugal propôs ao Governo que unidades de alojamento dos hotéis possam ser usadas para vários fins e o Executivo aceitou. Segundo o Decreto-Lei nº99/2020, publicado em Diário da República os estabelecimentos hoteleiros, de turismo de habitação e resorts, parques de campismo e caravanismo, estão autorizados a serem temporariamente usados como escritórios, 'showrooms' e centros de dia.

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