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Portugal precisa de casas novas nas periferias, avisam especialistas

Gtres
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A reabilitação urbana tem estado na ordem do dia nos últimos anos. Tem e deverá continuar a estar nos próximos tempos. Mas o futuro passará, também, pela construção de novas casas, sobretudo nas periferias das grandes cidades, como por exemplo Lisboa e Porto. Esta é uma das conclusões a retirar das intervenções de alguns dos intervenientes do setor na conferência “Observatório: O Imobiliário em Portugal”, que decorreu terça-feira (18 de outubro) em Lisboa.

“Na semana passada foi feita uma transação no centro do Porto que foi a mais cara de sempre, a ver pelo preço do m2. Isto não é bom para quem vende e para quem compra, até porque vai ter repercussões nas transações feitas na zona, o que é perigoso”, disse Luís Lima, presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), durante o evento, organizado pelo Jornal de Negócios e pela Century 21.

Segundo o responsável, para contrariar esta tendência a solução passa por apostar na construção de casas fora dos centros urbanos, de forma a atrair mais pessoas: “É preciso construção nova em algumas zonas. Os preços [nas periferias das grandes cidades] começam a ser apetecíveis”.  

“A procura de imóveis está a aumentar na periferia das cidades"
Ricardo Sousa

Uma opinião, de resto, partilhada por Ricardo Sousa, CEO da imobiliária Century 21. “[A procura de imóveis está a aumentar] na periferia das cidades. Há muito a fazer nessas zonas, há uma necessidade grande de obra nova, deve haver uma evolução nesse sentido”, referiu, salientando que o imobiliário “continua a ser um investimento seguro”. “Há que comprar é bem”, adiantou.

Um dos motivos que contribui para o facto de haver mais transações de casas está relacionada com o facto de os bancos estarem mais disponíveis para emprestar. Para Manuel Puerta da Costa, administrador executivo do BPI Gestão de Ativos, “não se vai fazer crédito à habitação à escala do ano passado”, mas os bancos estão mais “amigos” dos consumidores. Sobre a questão dos spreads estarem de novo a baixar bastante, o responsável é claro: “A evolução dos spreads é sempre uma questão de concorrência”.

O exemplo espanhol

Também presente na conferência esteve Gonzalo Bernardos, professor de Economia da Universidade de Barcelona. Para o especialista no setor não há dúvidas: “Se fosse investidor não punha um euro em Barcelona ou Madrid”. É nessas cidades que sobem os preços, argumentou, frisando que é preciso apostar noutras cidades, como Valência, Bilbao e Málaga.

"Se fosse investidor não punha um euro em Barcelona ou Madrid"
Gonzalo Bernardos

Bernardos adiantou ainda que as cidades devem ser pensadas de forma a “empurrar” o turismo para as zonas históricas e ribeirinhas e as pessoas para as periferias. Nesse sentido, o espanhol recomendou os investidores a apostar em terrenos e a olhar para os subúrbios. “Aconselho quem tem alguma coisa para vender no centro da cidade a vender”.