Notícias sobre o mercado imobiliário e economia

Clandestinidade e concorrência desleal são os maiores problemas da construção

Gtres
Gtres
Autor: Redação

Depois de um longo período de crise, o setor da construção começou a recuperar o fôlego. Mas os problemas que agora enfrenta já não se prendem com a falta de obras e dificuldades de crédito, mas sim com a proliferação da concorrência desleal e clandestinidade. Há muitas empresas e trabalhadores por conta própria que estão no terreno a prestar serviços à margem do mercado, sendo no segmento da reabilitação urbana que o problema da economia paralela surge com maior força.

De acordo com a Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas (AICCOPN), a regulação exercida por entidades como o Instituto dos Mercados Públicos, do Imobiliário e da Construção (IMPIC), bem como a fiscalização que deveria ser feita por todas as câmaras municipais são “manifestamente insuficientes” para combater a clandestinidade no setor, escreve o Público.

AICCOPN cria "marca de certificação"

A AICCOPN decidiu criar, com o apoio dos fundos comunitários, uma marca que pretende certificar as empresas e combater estes problemas. O presidente da entidade, Manuel Reis Campos, que é também o presidente da Confederação da Construção e do Imobiliário (CPCI), revelou, citado pela publicação, que a marca RU - IS (Reabilitação Urbana Inteligente e Sustentável) “tem tudo a ver com clandestinidade”, mas deixa um aviso: só as empresas que a merecerem é que vão poder beneficiar das linhas de crédito que vão ser disponibilizadas através do programa Casa Eficiente, que deve arrancar no início do próximo ano.

Reabilitação é a mais afetada

Os problemas da clandestinidade, concorrência desleal e sinistralidade laboral atravessam todo o setor. Ainda assim, Reis Campos admite que estas questões ganham maior relevância no segmento da reabilitação urbana. Algo que é facilmente justificável pelo largo período de crise que se abateu sobre o setor e que levou ao desaparecimento de cerca de 37.000 empresas e 260.000 postos de trabalho. Significa isto que as grandes obras continuam a faltar, sendo a reabilitação urbana um escape e uma oportunidade para o setor.

De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), citado pelo diário, o número total de empresas de construção era em 2015 de 75.626 e em 2016 de 75.705. Apesar disso, em 2015, o IMPIC só deu alvará a 47 214 empresas, e a 50.443 em 2016. A 28 de abril de 2017 eram apenas 51.566 as empresas que possuíam este título habilitante, o que significa que 33% das empresas está no mercado sem o alvará obrigatório.