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Mota-Engil assina contrato de 298 milhões para construção e reabilitação de estradas em Angola

Empreitada da construtora portuguesa será feita em parceria, em partes iguais, com a empresa angolana Omatapalo.

Photo by Ivan Henao on Unsplash
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Autor: Redação

A Mota-Engil assinou um contrato em Angola, no valor de 298 milhões de euros (355 milhões de dólares) para a reabilitação e construção de estradas naquele país. Este contrato, assinado pela subsidiária do grupo português naquela nação africana, é uma parceria, em partes iguais, com a empresa angolana Omatapalo e abrange “a reabilitação da EN 230 entre as localidades de Muamussanda na Província da Lunda Norte e Saurimo na Província de Lunda Sul numa extensão de 267 km” (quilómetros).

Além disso, está incluída “a construção da nova variante circular de Saurimo numa extensão de 39,5 km, totalizando assim o projeto 306,5 km”, adiantou a Mota-Engil em comunicado.

A EN 230, segundo explica a empresa, "é um dos principais eixos rodoviários do país, ligando a capital Luanda à cidade de Saurimo, atravessando as províncias do Bengo, Kwanza Norte, Malange, Lunda Norte e Lunda Sul e subsequente ligação à República Democrática do Congo”.

Esta via assume, por isso, “especial importância no apoio ao desenvolvimento da atividade económica do país, com especial enfoque nas atividades agrícola e mineira, enquanto corredor logístico facilitador e acelerador do escoamento dos fornecimentos e das produções de ambas os setores de atividade”, destaca a Mota-Engil.

O valor do contrato ascende a cerca de 335 milhões de dólares, terá a duração de 18 meses, arranque imediato e corresponde ao reforço da carteira de encomendas na componente de infraestrutura rodoviária, diversificando assim o tipo de obras em execução naquele mercado, aspeto fundamental na política de mitigação de riscos e maximização da utilização dos ativos que o grupo dispõe no país”, conclui.

Mota-Engil vai ter gigante chinês como grande acionista

No dia 27 de agosto, o grupo divulgou que estava a negociar um acordo de parceria estratégica e investimento com a China Communications Construction Company, Ltd. (CCCC), que ficará com 30% da empresa após um aumento de capital.

Em comunicado enviado à CMVM, a Mota Engil informou assim que "no seguimento do comunicado publicado ao início da manhã de hoje [dia 27], que a contraparte do acordo de parceria estratégica e investimento em fase final de negociações é a China Communications Construction Company, Ltd. (CCCC)".

Em dezembro foi noticiado que a CCCC estava a avaliar a compra de 30% da Mota-Engil, com o objetivo de expandir internacionalmente o seu negócio, e agora as negociações estão na "fase final", 

A Mota Engil é parceira da CCCC na construção da infraestrutura ferroviária Tren Maya, no México, naquele que é "o maior contrato de sempre na América Latina". E na Nigéria o consórcio das duas empresas foi pré-qualificado para a construção da quarta ponte de Lagos, num montante que mais do que duplica o maior projeto da história do grupo português - o corredor de Nacala.

De acordo com o grupo, a CCCC deverá comprometer-se a subscrever uma participação relevante num aumento de capital social de até 100 milhões de novas ações que será submetido em breve a deliberação em Assembleia Geral.

"Após este aumento do capital social, será imputável à MGP [Mota Gestão e Participações] uma participação de cerca de 40% do capital social da Mota-Engil, sinal de total empenho e alinhamento com a sua posição histórica no grupo, e o novo acionista atingirá uma participação ligeiramente superior a 30%", indicou.

Esta semana ficou a saber-se que a Mota-Engil está a sofrer na pele o contexto pandémico, que penalizou os resultados no primeiro semestre do ano. Para assegurar a gestão da liquidez dos negócios, a construtora portuguesa diz que se viu “obrigada” a reforçar o recurso às moratórias, a adiar investimentos previstos para este ano e a negociar linhas adicionais de liquidez com a banca para enfrentar a crise, que provocou um impacto negativo de 280 milhões de euros no seu volume de negócios na primeira metade do ano.