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Construção finta a pandemia: "Mercado dá sinais de querer recuperar a dinâmica anterior"

David Marques, CEO e sócio fundador da Detailsmind, empresa dedicada ao mercado da construção e reabilitação em Portugal, em entrevista ao idealista/news.

Reabilitação de edifício de 4 pisos na Graça, em Lisboa / FG+SG - Fotografia de Arquitectura
Reabilitação de edifício de 4 pisos na Graça, em Lisboa / FG+SG - Fotografia de Arquitectura
Autor: Leonor Santos

Nenhum setor de atividade passou incólume pela pandemia. No entanto, a construção, e quase numa espécie de contraciclo, tem-se destacado ao longo de todo este período pelo seu desempenho positivo e pela forma como tem conseguido “escapar” à crise - esta é, de resto, a análise que o Banco de Portugal (BdP) faz no seu Boletim Económico de outubro. Deu novas provas de “imunidade” à Covid-19 e espera-se que atinja, a curto prazo, um ritmo de crescimento “muito próximo do verificado antes da pandemia”. Pelo menos é esta a convição de David Marques, CEO e sócio fundador da Detailsmind, empresa dedicada ao mercado da construção e reabilitação em Portugal. Para este responsável, “o mercado dá sinais de querer recuperar a sua dinâmica anterior”, mantendo-se “as intenções de execução de projetos em várias áreas”.

Mesmo perante o atual contexto de incerteza, o CEO da Detailsmind está “otimista e confiante” quanto ao futuro. Revela em entrevista ao idealista/news que, apesar de uma ligeira redução do volume de negócios nos primeiros meses de pandemia, a empresa está a “conseguir recuperar rapidamente no segundo semestre do ano”. “Neste momento, temos em carteira contratos fechados de obras que nos garantem a atividade até ao final de 2021”, sublinha David Marques.

Considera ainda que “um dos grandes desafios do mercado será perceber e identificar o que procuram e como se irão posicionar os investidores nacionais e estrangeiros”, mas que, apesar disso, há "razões para acreditar que os investidores continuarão a direcionar os seus capitais para Portugal”.

Mas, afinal, como é que a Detailsmind “viveu” o período mais crítico da pandemia? Que impacto teve no negócio? Que obras/projetos tem a decorrrer? E como perspetiva agora o futuro? O CEO e fundador da empresa responde a estas e outras questões.

David Marques, CEO e sócio fundador da Detailsmind
David Marques, CEO e sócio fundador da Detailsmind

A Detailsmind assinala 15 anos no mercado da construção e reabilitação em Portugal. Que balanço faz destes anos?

O balanço destes últimos 15 anos da Detailsmind só pode ser muito positivo. O caminho que temos vindo a percorrer tem sido sólido, com alicerces bem estruturados e firmes. A nossa estratégia tem sido consistente e consequentemente muito bem-sucedida. Somos a empresa de construção e reabilitação reconhecida pela forma como fazemos do rigor um compromisso do princípio ao final de cada projeto. A diferença está no detalhe, nos acabamentos. Aliás, a nossa assinatura – “Está tudo no detalhe” – reflete isso mesmo. Nos nossos projetos nada é subvalorizado. Privilegiamos aquele aspeto diferenciador que muitas vezes, em contexto de obra é fácil esquecer.

"Os resultados falam por si só: atualmente temos mais de 400 obras realizadas"

Por outro lado, somos também reconhecidos pelos clientes pela nossa atitude descomplicada e por conseguir anular a tensão que tende a caracterizar o normal contexto de obra, proporcionando aos parceiros e clientes uma experiência de parceria altamente positiva e construtiva. Os resultados falam por si só: atualmente temos mais de 400 obras realizadas.

Além de sermos uma empresa de construção e reabilitação de referência no setor da restauração, temos vindo cada vez mais a diversificar-nos e a levar o nosso 'expertise' e experiência para outros empreendimentos e arquiteturas. 

A Detailsmind decidiu mudar de imagem para assinalar o 15º aniversário, num ano marcado por mudanças a vários níveis. Como é que se pretende diferenciar e posicionar no setor? E o porquê desta mudança de imagem nesta fase de pandemia em que vivemos?

Esta mudança de imagem era algo que já vinha a ser trabalhado internamente. Não foi fruto da pandemia. Infelizmente esta pandemia acabou por nos impactar a todos sem pré-aviso ou premonição, mas não quisemos deixar de comunicar ao mercado o nosso 15º aniversário e com ele apresentar uma nova imagem, mais moderna, renovada e mais ajustada ao nosso propósito atual.

A pandemia instalou-se, é certo, mas quisemos e queremos aproveitar o momento de instabilidade para o transformar em oportunidade, e demonstrar ao mercado que somos mais que nunca um dos 'players' do setor que mais robustez apresenta no panorama atual. Apesar da tendência generalizada de contenção encontramo-nos fortes, com espírito pró-ativo e preparados para a atuar em qualquer circunstância.

"A pandemia instalou-se, é certo, mas quisemos e queremos aproveitar o momento de instabilidade para o transformar em oportunidade"

A Detailsmind é uma empresa conhecida e reconhecida pela sua capacidade técnica e produtiva. Com esta renovação de imagem, queremos que esta dimensão seja reforçada e sedimentada, uma vez que temos uma equipa capaz de aportar a cada projeto mais-valias indiscutíveis, onde a qualidade do produto final é reconhecida por todos os intervenientes no projeto como uma superação das suas próprias expetativas.

A que tipo de projetos se dedicam? Consegue destacar algumas obras/projetos? Pela sua relevância, dimensão, por exemplo...

A Detailsmind atua maioritariamente na área da construção e reabilitação de edifícios residenciais, comerciais, escritórios e industriais. O setor do 'retail' e do turismo, com uma forte presença na restauração, são também áreas onde a empresa tem manifestamente muita experiência. Além do trabalho intrínseco a uma obra, atuamos também como consultores. 

No nosso portefólio constam projetos muito interessante, desafiantes e conhecidos de todos nós. Podemos destacar como referência na área da restauração muitos dos espaços do Chef José Avillez, de que são exemplo o Belcanto, o Bairro do Avillez e o Restaurante Selllva.

Restaurante Belcanto em Lisboa / Grupo José Avillez
Restaurante Belcanto em Lisboa / Grupo José Avillez

Já no turismo, temos a mais recente reabilitação do Hotel Albatroz, em Cascais e, no setor industrial, a fábrica de cafés do maior produtor de café, Massimo Zanetti (de 16.800 m2), na Amadora. O edifício de Coworking Wood (2.200 m2), no Marquês de Pombal, em Lisboa, e os escritórios sede da HBM Fibersensing, na cidade da Maia, foram também obras com assinatura Detailsmind. No residencial destacamos um projeto muito recente, como o Edifício Salitre 183, empreendimento residencial de luxo, para um mercado mais 'super-premium'. Efetivamente a nossa experiência é muito vasta, abrangente e consolidada em quase todos os segmentos do mercado imobiliário. 

Edifício Salitre 183 / João Guimarães/Detailsmind
Edifício Salitre 183 / João Guimarães/Detailsmind

Têm muitas obras/projetos a decorrer atualmente? Quais? Em que zonas do país?

Atualmente temos em curso cerca de 29 empreitadas, entre elas duas moradias na zona de Belém, duas no Estoril, uma em Cascais e vários apartamentos residenciais no centro de Lisboa. Encontram-se ainda em andamento um restaurante no Estoril, dois edifícios na zona de Alcântara, uma unidade hoteleira na zona de São Bento, em Lisboa, e um Palácio na zona da Lapa. Ao nível da recuperação e reabilitação estamos com um projeto no Convento do Beato, a remodelação de um edifício em Paredes e uma residência de estudantes em Aveiro.

"Temos em curso cerca de 29 empreitadas, entre elas duas moradias na zona de Belém, duas no Estoril, uma em Cascais e vários apartamentos residenciais no centro de Lisboa"

Neste momento, temos em carteira contratos fechados de obras que nos garantem a atividade até ao final de 2021, e como o mercado dá sinais de querer recuperar a sua dinâmica anterior, a nossa expetativa é de continuar a manter o caminho de crescimento forte que vínhamos a registar nos últimos anos.

Quem são os principais investidores/proprietários de imóveis que contactam a Detailsmind? Mais nacionais ou estrangeiros? O cenário mudou nos últimos anos?

Os nossos clientes são maioritariamente investidores e proprietários de imóveis, sendo que cerca de 70% dos nossos projetos são realizados para clientes estrangeiros, na sua maioria franceses, americanos, brasileiros, macaenses, australianos, sul-africanos e russos. Face ao cenário destes últimos anos, esta tendência tem-se mantido, sem grandes alterações.

O Wood é um espaço de cowork e escritórios no Marquês do Pombal / Francisco Nogueira
O Wood é um espaço de cowork e escritórios no Marquês do Pombal / Francisco Nogueira

O setor da construção não parou, mesmo em tempos de pandemia. Como é que a Detailsmind enfrentou este período? Que impacto teve no negócio? O volume de negócios aumentou ou diminuiu no primeiro semestre face ao mesmo período do ano passado?

Apesar da necessidade que tivemos de nos adaptarmos rapidamente às novas condicionantes, quer ao nível da segurança de todos os intervenientes em espaço de obra, quer ao nível da redução pontual dos ritmos de produção e aprovisionamento de materiais, foi possível verificar que, efetivamente, este foi um dos setores que não parou.

"Apesar da uma ligeira redução do volume de negócios que sentimos nos primeiros meses de pandemia em Portugal, estamos a conseguir recuperar rapidamente no segundo semestre do ano"

De qualquer forma, as alterações e adaptações foram transversais a todos nós, sem dúvida. No caso da Detailsmind, implementámos, desde o primeiro momento, um plano de contingência muito rigoroso, liderado pelo nosso departamento de Segurança, Qualidade e Ambiente, que vai totalmente ao encontro das recomendações da DGS e que foi adotado de imediato através de uma excecional colaboração de todos os nossos colaboradores. Nesse sentido, as nossas equipas tiveram sempre presente no trabalho uma atitude muito responsável perante a situação, o que fez com que fosse possível manter-nos em atividade em segurança.

Apesar da uma ligeira redução do volume de negócios que sentimos nos primeiros meses de pandemia em Portugal, estamos a conseguir recuperar rapidamente no segundo semestre do ano. O nosso ritmo de produção continua firme e alinhado com o nosso objetivo inicial de volume de negócios.

Que análise faz do mercado atualmente e quais as perspetivas para o futuro?

Acreditamos que a curto prazo vamos continuar a assistir ao crescimento do setor, a um ritmo muito próximo do verificado antes da pandemia, variando ainda assim o tipo, o valor e a zona geográfica dos projetos. A leitura que fazemos do mercado neste momento é que mantêm-se as intenções de execução de projetos em várias áreas do setor, sendo que existem algumas áreas, como o turismo e a restauração, onde naturalmente prevalece uma maior reserva devido a todos os condicionalismos do contexto atual. De qualquer forma, os nossos indicadores comerciais levam-nos a ser otimistas e confiantes que o futuro será de bonança.

"Vamos continuar a assistir ao crescimento do setor, a um ritmo muito próximo do verificado antes da pandemia"

Quais são, afinal, os grandes desafios do mercado da construção e reabilitação?

Um dos grandes desafios do mercado será perceber e identificar o que procuram e como se irão posicionar os investidores nacionais e estrangeiros. Outra questão que se levanta prende-se com o eventual ajuste dos valores do mercado imobiliário e toda a sua cadeia de valores a montante. De qualquer forma, e como referíamos acima, encaramos o futuro de uma forma muito positiva.

Moradia Praia Grande / João Guimarães
Moradia Praia Grande / João Guimarães

Portugal irá continuar no “radar” dos investidores? Porquê?

Só temos razões para acreditar que os investidores continuarão a direcionar os seus capitais para Portugal, procurando eventualmente outro tipo de investimentos.

A atualização das taxas de juro, revistas em baixa para os próximos anos, e o facto de continuarmos a ser um dos destinos turísticos mais procurados da Europa, aliado ao facto de sermos uma referência de país seguro e tranquilo para viver, continua a trazer investimentos para o setor do turismo e residencial, sem dúvida. Reunimos condições e qualidades que nenhum outro país detém e isso é um ativo e património únicos.