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IFRRU 2020: complexo World of Wine arrecada a maior fatia de financiamento público

Donos do empreendimento concorreram com 4 projetos. Até abril, foram aprovados 304 no âmbito do programa IFRRU 2020.

Maksym Kaharlytskyi / Unsplash
Maksym Kaharlytskyi / Unsplash
Autor: Redação

A missão de reabilitar os centros urbanos das cidades e melhorar o desempenho energético dos edifícios não ficou esquecida durante 2020. O IFRRU 2020 - Instrumento Financeiro para a Reabilitação e Revitalização Urbanas apoiou o financiamento de um total de 304 projetos até abril, o que representa um investimento público de mais de 890 milhões de euros. Neste programa criado no âmbito do Portugal 2020, foi o empreendimento World of Wine (WOW), situado em Vila Nova de Gaia, que arrecadou a maior fatia do financiamento público – mais de 26,5 milhões de euros.

Foi através da Hilodi – Historic Lodges & Discoveries, S.A. que o grupo The Fladgate Partnership - proprietário do WOW - submeteu quatro candidaturas neste programa que foram aprovadas, conseguindo apoios financeiros que oscilaram entre os 3,1 e os 8,6 milhões de euros. Em concreto, os projetos do WOW aprovados dizem respeito a três museus (Museu Cork Experience, do Museu Moda e Design, do Museu Wine Experience) e à reabilitação de imóvel na Rua Guilherme Braga, 31, em Vila Nova de Gaia, revela a listagem divulgada pelo IFRRU. A este financiamento público, o complexo WOW conta também com os empréstimos realizados no BPI através do IFRUU 2020. Entre financiamentos bancário e público, o projeto soma 58 milhões de euros, segundo as contas do suplemento imobiliário em papel da Vida Económica. Note-se que o WOW é um megaempreendimento que possui um total de cinco museus, oitos restaurantes, cafés, um espaço para exposições e vários espaços para eventos e, portanto, o investimento total é superior a 100 milhões de euros.

O complexo WOW concorreu apenas com quatro projetos dos 304 já aprovados no âmbito do programa IFRRU. Contam-se 155 que se destinam à reabilitação de edifícios onde estão instaladas atividades económicas. Outra fatia expressiva destes contratos – 132 - diz respeito à intervenção em habitações. Os restantes 17 referem-se a equipamentos de utilização coletiva ou de apoio social e cultural, que inclui residências de estudantes públicas e edifícios na área da saúde. A grande maioria dos projetos são submetidos por privados – 235 do total – e já se contam mais de 60 imóveis com a sua reabilitação concluída.

Santander lidera financiamento

Tal como no caso do megaempreendimento WOW, cada projeto aprovado conta com um financiamento por parte das instituições bancárias que aderiram à iniciativa IFRRU. São elas: o Santander, o BPI e o Millennium BCP. Nesta ‘corrida’ quem arrecadou a medalha de primeiro lugar foi mesmo o Santander, quer em número de contratos celebrados (164) quer no valor total atribuído (297 milhões de euros) contabilizados até dia 30 de abril, segundo a mesma publicação que não está disponível em versão online.

O número dos contratos realizados no Santander representa mais de metade do total. E o valor do financiamento nesta instituição pesa 47% do total contratado até ao final do mês de abril. Note-se ainda que também foi a instituição que alcançou maior número de concelhos no país – um total de 58. A tipologia dos projetos de reabilitação financiados pelo Santander é também variada destacando-se os edifícios destinados a habitação e ao turismo.

Até ao momento, o programa IRRU já chegou a um total de 81 concelhos de Norte a Sul do país e ilhas. E pode ir ainda mais longe. Este instrumento financeiro do Ministério das Infraestruturas e da Habitação possui uma capacidade de financiamento total de 1400 milhões de euros que se destina a incentivar a reabilitação urbana nas áreas definidas por cada município para o efeito. A iniciativa vai continuar a apoiar novos projetos já que o prazo de candidaturas foi alargado até 31 de dezembro de 2023.