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Construção: falta de materiais ameaça paralisar o setor

Stock e produção de materiais de construção não acompanham procura. Preços estão a subir em flecha.

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Photo by Construtora Lyx Engenharia on Unsplash
Autor: Redação

A pandemia da Covid-19 não fez parar o setor da construção. Mas a falta de matérias-primas ameaça paralisá-lo. Os stocks estão a escassear e a produção destes materiais continua a não acompanhar as necessidades do setor. E perante o desequilíbrio entre a oferta e a procura, os preços sobem e muito. Todo este cenário já está a atrasar obras e acabamentos.

A escassez de materiais - e a consequente escalada de preços - surge num momento em que o mercado imobiliário de construção está ao rubro: há novos projetos em fase de acabamentos, projetos de reabilitação, obras públicas e construção apoiada por fundos comunitários pressionadas por curtos prazos. Os dados da Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas (AICCOPN) fazem referência a 24.900 novas casas, das quais 17.300 concluídas só este ano, cita o Jornal Expresso.

O setor queixa-se da falta de stock de madeira, aço, alumínio e vidro, materiais essenciais para a construção de habitações. E os preços já têm vindo a escalar - em alguns casos (como o do cobre e do alumínio) mais do que duplicaram.  Já em março, o Instituto Nacional de Estatística (INE) registou um aumento do preço dos materiais de construção em 3,3% face a fevereiro. E só na última de maio estes preços cresceram 14%, indica o mesmo jornal.

E a subida do preço dos combustíveis também não ajuda, pois influencia o valor dos materiais derivados no setor da construção – como o PVC, borrachas e isolamentos – e o seu transporte para as obras. A falta de stock é tal que há também incerteza no prazo de entrega dos materiais.

As expectativas para o futuro não são otimistas. José de Matos, presidente da Associação dos Comerciantes de Materiais de Construção (ACMC) considera que as obras previstas no Plano de Resiliência e Recuperação “tenderão a agravar” a situação. E por isso é preciso haver uma “maior planificação das obras públicas, que permitam reajustar materiais e alterar a forma de construir”.

A subida de preços está hoje a ser suportada pelas construtoras, mas “se os preços continuarem a “subir da forma que se tem assistido nos últimos meses, não será comportável para as empresas assumir diferenciais tão grandes”, disse Nuno Garcia, diretor-geral da gestora de obras GesConsult, ao Dinheiro Vivo. Isto quer dizer que se a situação não se inverter e as construtoras não pagarem a fatura da subida de preços dos materiais de construção, as casas podem mesmo ficar mais caras.