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Grândola vai medir densidade turística para ver se aceita novos projetos imobiliários

Presidente da Câmara reeleito avisa que "não há lugar para mais empreendimentos, só se for para o interior do concelho”.

Wikimedia commons
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Autor: Redação

O crescente interesse dos promotores e investidores imobiliários pela costa alentejana tem vindo a ser cada vez maior, nos últimos anos. E perante a instalação e desenvolvimento de hotéis, campos de golfe, aldeamentos, condomínios e moradias de verão - desde o extremo da península de Tróia até à praia de Melides - a Câmara de Grândola diz que vai fazer a contagem da densidade turística “para saber se já chega ou não”. Mas Figueira Mendes deixa já um aviso: "não há lugar para mais empreendimentos, só se for para o interior do concelho”.

O presidente daquela autarquia - que acaba de ser reeleito - considera que “estamos a chegar ao limite" e, por isso, "temos de repensar o turismo que queremos” no concelho de Grândola. Sobre a pressão imobiliária na freguesia de Melides, Figueira Mendes diz que “parece que ali há ouro, dado o preço dos terrenos.” O turismo “é tanto que o concelho não tem condições para o enquadrar.”

As declarações do autarca, citadas pelo Público, foram proferidas no debate entre os candidatos da CDU, PS e PSD à Câmara de Grândola, realizado pelo diário regional O Setubalense no dia 9 de setembro de 2021.

Figueira Mendes aproveitou para recordar que para a faixa costeira no concelho de Grândola previa-se a instalação de 120 mil camas em 1964. Em 1981, no Plano Integrado da Faixa Costeira de Grândola, o seu número foi reduzido para 54 mil. Depois baixou para 35 mil, 24 mil e agora estão 15 mil camas aprovadas. “Não há lugar para mais empreendimentos, só se for para o interior do concelho”, afirmou o presidente da Câmara de Grândola, preocupado com a “tremenda especulação imobiliária” no concelho.

Acesso público às zonas balneares e às praias da costa alentejana em causa

António Candeias, que se candidatou na lista do PS, alertou para o risco dos que vivem em Grândola deixarem de usufruir das mais-valias costeiras. “De cada vez que um empreendimento turístico se instala, fica-nos a sensação de que pretendem ficar com a praia na sua zona de jurisdição.”

O então candidato socialista apelou para a defesa do interesse coletivo, reclamando o acesso às praias do concelho “para os que vivem e para os quem vêm para as zonas balneares da zona costeira de Grândola”.

Também o representante do PSD, Jacinto Ventura, disse que num futuro próximo a população “vai estar limitada à praia de Melides”, segundo conta o diário.