Reforço sísmico de edifícios: alunos "aprendem" com projeto em Lisboa

Cerca de 40 jovens visitaram as obras do projeto CITIFLAT Avenidas Novas, da Level Constellation. Prevenção é palavra de ordem.
Alunos visitam obra com reforço sísmico em Lisboa
Level Constellation

A importância de apostar e investir no reforço sísmico dos edifícios está cada vez mais na ordem do dia, sobretudo em Lisboa, uma zona onde o risco de ocorrer uma catástrofe natural desta natureza é considerado mais elevado pela comunidade científica. Prevenção é, por isso, palavra de ordem. Tendo essa preocupação em mente, a promotora imobiliária Level Constellation (LC), presente em Portugal há vários anos, organizou uma visita a uma obra que está a desenvolver na capital: o projeto CITIFLAT Avenidas Novas, que está a “renascer” já preparado para dar boa resposta a um eventual sismo. Foram cerca de 40 os jovens estudantes presentes, que acreditam estar mais bem preparados que no passado para lidar com questões relacionadas com as estruturas de resistência sísmica. 

O CITIFLAT Avenidas Novas, localizado na Avenida Elias Garcia, recebeu no dia 18 de outubro a visita de um grupo de 40 alunos e professores do Curso Técnico-Profissional de Condução de Obra. Um evento organizado em colaboração com o CENFIC e a OPEN WEEK - GRUPO CASAIS que teve como objetivo “proporcionar aos alunos uma visão prática da importância crítica do reforço sísmico e da reabilitação arquitetónica, ultrapassando os limites da teoria académica”, explica a LC, num artigo preparado para o idealista/news. 

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Em causa está um antigo imóvel de escritórios construído no início da década de 1970 que foi licenciado em 2022 para ser transformado num condomínio de luxo com 17 apartamentos, adianta a promotora imobiliária, revelando que o edifício existente será, na generalidade, mantido, à exceção de zonas locais com a criação de aberturas em laje e a ampliação dos pisos nas traseiras. 

“Dado que o edifício é de há meio século, a qualidade e durabilidade da sua estrutura original de betão tornou-se altamente incerta devido à erosão do tempo das últimas décadas. Por conseguinte, qualquer reabilitação sem análise e reforço estrutural introduziria um maior potencial de risco sísmico”, sustenta. 

Segundo a promotora imobiliária, a A2P, empresa responsável pelo projeto de engenharia estrutural, adotou uma solução com uma atualização importante para a sustentabilidade e segurança deste edifício, que envolve principalmente as seguintes abordagens:

  • Estrutura mista de betão armado e reforços metálicos; 
  • Reforços com projeção de betão; 
  • Pré-esforço em vigas; 
  • Novas estruturas de betão. 
Alunos visitam projeto de reabilitação em Lisboa
Level Constellation

Há ainda “alguma indefinição na regulamentação e legislação”

Em declarações ao idealista/news, alguns dos alunos e professores que visitaram o projeto CITIFLAT Avenidas Novas mostraram-se agradados. É o caso do estudante Iamik Furtado, que considera ser muito importante melhorar os conhecimentos sobre a resistência sísmica dos edifícios em Lisboa: “Tem tudo a ver com questões de sobrevivência, é um fenómeno natural muito imprevisível, envolve prevenção para reduzir os danos”. 

Já Ana Sousa, professora do CENFIC no Curso Técnico-Profissional de Condução de Obra, refere que “a componente sísmica é lecionada na disciplina de Estruturas”, mas salienta que existe “ainda alguma indefinição na regulamentação e legislação, nomeadamente na reabilitação”.

"Há alguma evolução, mas tal como a segurança em obra, que é hoje muito mais controlada e houve uma evolução significativa nos últimos 20 anos, também a importância sísmica terá de crescer em relevância e controlo"
Ana Sousa, professora que esteve presente na visita ao projeto da LC

“Não é necessariamente difícil transmitir as questões técnicas, a relevância sísmica é ainda pouco explorada e por vezes negligenciada. Há alguma evolução, mas tal como a segurança em obra, que é hoje muito mais controlada e houve uma evolução significativa nos últimos 20 anos, também a importância sísmica terá de crescer em relevância e controlo”, comenta.

A visita ao projeto foi interessante para os estudantes universitários verem o reforço estrutural em curso, que no final ficará escondido atrás de acabamentos luxuosos, explica a LC. Desta forma, nota a empresa, conseguiram ver e perceber ‘in loco’ a importância da resistência sísmica de um edifício numa construção real

Obras com reforço sísmico em Lisboa
Level Constellation

Estudantes estão mais bem preparados para estes temas 

E será que as jovens gerações de futuros arquitetos e engenheiros civis estão agora mais bem preparadas para as questões relacionadas com as estruturas de resistência sísmica? “Sim, atualmente a tecnologia está mais avançada”, responde Iamik Furtado. “A construção e a regulamentação têm vindo a evoluir. Há novos materiais, novos métodos de construção e produção. Hoje, as obras e os projetos centram-se mais nestas temáticas dos riscos, do risco sísmico, das preocupações com a sustentabilidade e com o ambiente”, acrescenta. 

"Hoje, as obras e os projetos centram-se mais nestas temáticas dos riscos, do risco sísmico, das preocupações com a sustentabilidade e com o ambiente"
Iamik Furtado, aluno que esteve na visita ao projeto da LC

Ana Sousa considera, também, que os estudantes portugueses estão mais bem preparados que outros para estas questões sísmicas. E explica porquê: “A evolução do mercado, das necessidades e da consciência da globalização leva a que se crie uma maior atenção ao tema. Em 1990, quando me licenciei em Engenharia Civil, o projeto de estruturas já abordava as ações sísmicas, mas não era tão relevante como é hoje. Felizmente, em Portugal continental e nas ilhas começámos a estar mais atentos e a implementar normas sísmicas na fase de projeto e construção. Há ainda, no entanto, um caminho a percorrer e muito a fazer”. 

Para a docente do CENFIC, é preciso ter em conta que a importância da componente sísmica tem também custos relevantes para o projeto e para o valor da obra. “O promotor que normalmente procura otimizar os custos deve considerar que nem tudo o que é caro é bom, mas que o que é bom é caro. Nesse sentido, a sísmica é muito importante de considerar, tal como as outras especialidades, térmica e acústica”, conclui.

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