Portugal vai ter o seu primeiro Arquivo Nacional do Som (ANS). Mafra foi o local escolhido para receber esta obra, projetada pelo Atelier Carvalho Araújo e financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) com 4.000.000 de euros, permitindo preservar a memória imaterial dos sons do país, entre vozes, músicas, paisagens sonoras e registos históricos.
O ANS, selecionado em concurso público lançado no início de 2024, permite posicionar Portugal na vanguarda da preservação do património sonoro, uma área onde Alemanha, Reino Unido e França já investiram, há décadas, em infraestruturas dedicadas.
A sua inovadora abordagem arquitetónica assenta em três conceitos fundamentais:
- Caixa-forte: espaço de silêncio e proteção onde se guardam registos sonoros de valor incalculável;
- Oficina: lugar vivo de trabalho técnico e artesanal sobre o som;
- Casa: edifício inscrito no tecido urbano que converge no Palácio Nacional de Mafra.
Novas possibilidades para investigadores e artistas
Reunindo laboratórios de áudio, depósitos de máxima segurança, oficinas de conservação, serviços educativos e espaços de gestão, esta nova infraestrutura cultural cria novas possibilidades tanto para investigadores, como para artistas, instituições académicas e cidadãos, em Portugal e no estrangeiro.
A sua capacidade de expansão futura e o seu anfiteatro exterior ampliam o potencial do ANS como polo de criação cultural e de ligação à comunidade. Além disso, a estrutura prevê a facilitação de registos digitais e consultas remotas.
Há ainda que destacar o facto de a sua localização, num território classificado pela UNESCO, potenciar o cruzamento entre turismo cultural de excelência e missão patrimonial e podendo tornar-se como destino de investigação internacional e referência no espaço lusófono.
Onde o passado sonoro renasce para gerações futuras
Para o Atelier Carvalho Araújo, a essência deste projeto define-se com as seguintes palavras: “em primeiro lugar o silêncio, ou a presença dos sons que não conseguimos ouvir”.
“Em primeiro lugar o silêncio, ou a presença dos sons que não conseguimos ouvir”, Atelier Carvalho Araújo.
O Arquivo Nacional do Som pretende ser um espaço onde o passado sonoro de Portugal (a músicas, as vozes, as paisagens e os registos históricos) se torne acessível e vivo para as gerações futuras. E é com esta ambição que o projeto se materializa numa estrutura em betão robusto, compacto e de baixa manutenção que garante o máximo isolamento e proteção acústica.
A sua fachada ventilada em pedra branca prolonga visualmente o eixo do Palácio Nacional de Mafra, enquanto a fachada posterior inclui elementos metálicos leves que filtram a luz e protegem os interiores. Já o terraço prolongado e o anfiteatro exterior preparam o terreno para uma futura expansão.
Nota especial ainda para um elemento de distinção no edifício: um “sino contemporâneo” que, sempre que for concluído um novo registo no arquivo, emitirá um breve excerto.
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