O arquiteto português Eduardo Souto de Moura vai ser homenageado em Barcelona com um programa conjunto da Ordem dos Arquitetos (OA) e da Casa da Arquitetura (CA), anunciaram esta terça-feira (22 de junho de 2026) estas duas entidades, à margem do Congresso Mundial dos Arquitetos.
Nesse evento, a decorrer em Barcelona (Espanha), em que o português vai receber a medalha de ouro da União Internacional de Arquitetos, a OA e CA juntam-se à Embaixada de Portugal em Espanha, no dia 1 de julho, para uma homenagem.
Pelas 16h00, uma conversa junta Nuno Grande, Souto de Moura, Inês Lobo, Manuel Aires Mateus e Wilfried Wang, depois da abertura, a cargo de Avelino Oliveira, presidente da OA, Nuno Sampaio, diretor da CA, e Marta Vall-Llossera, presidente do Colégio Superior dos Arquitetos de Espanha.
No encerramento, nota para a presença da secretária de Estado da Habitação, Patrícia Gonçalves Costa.
Mais tarde, no Museu MOCO, de arte moderna e contemporânea, há uma receção comemorativa com uma instalação dedicada a Souto de Moura, intitulada “Ucronia”, que parte de esquissos inéditos do arquiteto, dos anos 1970.
“Reúne vídeos desenvolvidos pelo 18—25 Research Studio em colaboração com Eduardo Souto de Moura, revelando as atmosferas e linguagens de representação da série de 'monumentos imaginários'", pode ler-se em comunicado sobre a instalação, que tem curadoria de Pedro Bandeira.
Congresso Mundial dos Arquitetos decorre de 28 de junho a 02 de julho
O Congresso Mundial, de 28 de junho a 02 de julho, tem como ponto alto a atribuição da medalha de ouro a Souto de Moura, no dia 30, na Basílica da Sagrada Família, após candidatura submetida pela OA.
De resto, Portugal terá uma delegação encabeçada por Avelino Oliveira e um “’stand’ institucional dedicado à arquitetura nacional”, além de participar em alguns dos momentos do evento.
Durante o congresso, no dia 29, o Comité Internacional de Críticos de Arquitetura também entregará os prémios e menções honrosas que este ano distinguiram ensaios e trabalhos de investigação dos arquitetos portugueses André Tavares, Pedro Baía, Luís Santiago Baptista, Vítor Alves e Carlos Machado e Moura.
Eduardo Souto de Moura, Prémio Pritzker em 2018, será o segundo português a receber a Medalha de Ouro da UIA, depois de Álvaro Siza Vieira, também ele agraciado com o Pritzker, em 1992.
Criada em 1984 pela UIA, de caráter trienal, a medalha é classificada pela própria organização como "a mais prestigiante distinção atribuída a um arquiteto por arquitetos, escolhida a partir de nomeações submetidas por instituições profissionais de todo o mundo".
Souto de Moura: uma carreira repleta de prémios
A carreira de Eduardo Souto de Moura, nascido no Porto em 1952, soma mais de uma dezena de prémios, como o Leão de Ouro da Bienal de Veneza, atribuído em 2018, e o Pritzker, o "Nobel da arquitetura", em 2011, pelo conjunto da obra.
Entre outras distinções, recebeu o Prémio da X Bienal Ibero-americana de Arquitetura e Urbanismo, em 2016, o Prémio Wolf de Artes, de Israel, em 2013, o Prémio Pessoa, em 1998, e o Prémio da Associação Internacional de Críticos de Arte - Portugal, em 1996.
Nos EUA, a sua carreira foi reconhecida pela Academia Americana de Artes e Letras, com o Prémio Arnold W. Brunner 2019.
A Casa das Histórias Paula Rego (Cascais), o Estádio Municipal de Braga, a Torre Burgo (Porto), o Centro de Arte Contemporânea Graça Morais (Bragança), a remodelação do Museu Nacional Grão Vasco (Viseu) e os interiores dos Armazéns do Chiado (Lisboa) contam-se entre os seus projetos, assim como o pavilhão da Serpentine Gallery, em Londres, feito em parceria com Álvaro Siza, com quem iniciou a carreira, em 1981.
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