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Montepio, um banco que agora também é um promotor imobiliário

Fernando Ferreira Santo, administrador do Montepio
Autores: @Frederico Gonçalves, Tânia Ferreira

O Montepio herdou nos últimos anos, tal como a maioria dos bancos, muitas casas de clientes que pediram crédito para comprar casa mas depois não conseguiram pagar a prestação. Fernando Ferreira Santo, administrador do Montepio, explica, em entrevista ao idealista News Portugal, que o banco decidiu seguir uma estratégia diferente, assumindo “o papel de promotor imobiliário”.

“No Montepio, os imóveis não são vistos numa lógica meramente do sistema bancário, porque foram recebidos em dações e pagamento ou insolvência e alguém não pagou os empréstimos. Há outras visões de olhar para os imóveis, como fazer parte de um processo de rentabilização desses ativos. Por isso, decidiu-se criar um ACE [Montepio Gestão de Ativos Imobiliários, ACE], que é constituído por nove entidades (todas com imóveis), que passou a gerir a partir de maio de forma integrada todo o património do grupo”, começa por explicar. 

E o ACE acabou por assumir que o banco é também um promotor imobiliário. “Porque quando recebemos imóveis que estão por acabar temos de olhar para eles e ver o que vamos fazer, não podemos vender como estão. No fundo, temos de os acabar para os podermos vender, mas só sai do balanço quando se faz a escritura, o que pode demorar dois, três anos”, conta.

Investimento de seis milhões em reabilitação e vendas duplicam

A reabilitação é, assim, uma das apostas do Montepio, até porque a carteira de imóveis contempla “edifícios devolutos ou semi-devolutos que precisam de obras”. “Temos um plano que foi agora concluído para fazer a reabilitação dessas frações, para os termos no mercado em ano e meio no máximo. São algumas dezenas de edifícios, 140 frações integradas em edifícios ou a avulso para reabilitar. Pode implicar um investimento na ordem dos seis milhões de euros”, revela. 

Segundo dados conhecidos em novembro de 2014, a estratégia seguida fez com que as “vendas de imóveis a retalho duplicassem desde julho até final de outubro” face à média mensal de 2013. Até porque, considera o responsável, continua a haver procura por “cidadãos em nome individual” e “pessoas a precisar de habitação”. 

Sem avançar com números, Fernando Santo adianta que a carteira de imóveis do Montepio contempla “um pouco de tudo”, desde “terrenos, imóveis por acabar, habitação, armazéns, lojas, escritórios, tudo o que faz parte do portefólio que vem normalmente com os empréstimos”. A habitação é, no entanto, o segmento com maior peso, cerca de 50%. “Houve uma estratégia própria, uma abordagem diferente, e passámos a ser promotores, entre aspas”, frisa. 

Rede de 90 mediadores com exclusividade nos imóveis do Montepio

A promoção da venda dos imóveis começou por ser feita através de anúncios na comunicação social, mas o Montepio tem uma rede de 90 mediadores que têm exclusividade sobre os mesmos durante seis meses. “A carteira está exposta no portal Montepio Imóveis, que tem cerca de 4.000 imóveis publicitados. Houve também uma melhoria em termos de conteúdos na forma como os publicitamos. É um processo em curso”. 

A realização de leilões não está para já pensada, garante Fernando Santo, assegurando que a preocupação inicial “é ter a carteira bem segmentada”, porque as pessoas quando compram um imóvel, terreno etc. têm de saber com o que podem contar”. 

O mercado de arrendamento também não é esquecido, apesar de ser dado um maior enfoque à venda. “Todos os imóveis que temos, tirando os da Caixa Económica, que o banco não pode arrendar diretamente, estão para venda e arrendamento. Temos normalmente os dois preços. Mas até agora temos estado mais focados em vender”, diz, sublinhando que geralmente os preços de venda anunciados raramente podem ser negociados.