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Altamira a crescer em Portugal: “Temos cerca de 1,6 mil milhões sob gestão no país”

Eduardo Cerqueira, CEO da Altamira em Portugal, revela que a empresa gere várias carteiras de NPLs, além da Oitante.

Eduardo Cerqueira, CEO da Altamira em Portugal
Eduardo Cerqueira, CEO da Altamira em Portugal

A Altamira entrou em Portugal no final de 2017, para fazer a gestão da carteira de crédito malparado e imóveis da Oitante, herdeira do Banif. Mudou entretanto de mãos, tendo sido comprada pela italiana doValue, e gere agora também carteiras de Non-Performing Loans (NPLs na sigla inglesa – créditos problemáticos) de outras entidades. “Temos ao todo cerca de 1,6 mil milhões de euros sob gestão em Portugal”, revela ao idealista/news Eduardo Cerqueira, CEO da Altamira em Portugal.

“Somos o maior ‘servicer’ no sul da Europa, gerimos cerca de 130 mil milhões de ativos. Somos líderes de mercado em todos os países onde estamos presentes [Espanha, Itália, Chipre e Grécia] menos em Portugal, porque entrámos há menos tempo. Foi há cerca de um ano e oito meses, e nesse momento a Oitante contratou a Altamira para fazer a gestão do seu portefólio, que era composto, à data, por dois terços de imóveis e um terço por NPLs. Atualmente o portefólio está mais ou menos metade, metade e são cerca de 800 milhões de euros de dívida”, conta o responsável.

O líder da Altamira em Portugal explica que houve “um processo de transfomação de toda a equipa” no início de 2019, “com a entrada de uma nova organização na estrutura” da empresa, que deixou assim de ter apenas um cliente: “Acabámos por ter mais negócio. Tínhamos um cliente único, a Oitante, e agora temos outro tipo de clientes. Gerimos não só mais duas carteiras de NPLs, que têm um valor de cerca de 700 milhões de euros – são duas securitizações, dois ‘players’, um americano e outro inglês –, como também uma carteira de uma instituição bancária, de terrenos, que anda à volta dos 100 milhões de euros. Ao todo temos cerca de 1,6 mil milhões de euros sob gestão em Portugal”. 

"Queremos deixar a conotação inicial que tivemos de lado e sermos ‘multiclient’"
Eduardo Cerqueira, CEO da Altamira em Portugal

Eduardo Cerqueira diz que a Altamira tem os pés bem assentes no chão, já que há a noção de que a empresa não é líder de mercado a nível nacional, mas considera que o futuro tem tudo para ser risonho. “Temos de aproveitar as oportunidades que existem em Portugal para aumentar o nosso negócio com parcerias com entidades locais, que até já estamos a fazer, para podermos duplicar o nosso negócio a médio prazo”, aponta, sublinhando que a empresa ambiciona ser líder de mercado em Portugal. 

Paralelamente, a Altamira quer mudar a imagem com a qual é por vezes conotada. “Na realidade, gerimos NPLs, mas também todo o processo de aquisição de uma nova carteira até ao processo de venda dos ativos. Há processos anteriores e durante [a negociação] que também fazemos, são muitas vezes tarefas que não são visíveis. Queremos deixar a conotação inicial que tivemos de lado e sermos ‘multiclient’”, explica.

Ativos da oitante valorizam até 20%

Relativamente ao portefólio da Oitante, o responsável conta que a Altamira conseguiu, entre 2017 e 2019, valorizar anualmente cerca de 15% a 20% o valor de venda dos ativos. 

“Não estamos no processo de vendas com o preço mais baixo, estamos a manter o mesmo nível, aumentando o número de vendas. Significa que estamos a vender ativos ao valor dos que são transacionados no mercado, e são ativos que já estão no mercado há muito anos. São imóveis que estavam a ser vendidos pelo Banif, depois pela Oitante e mudaram para a Altamira”. 

"[No caso da Oitante] Estamos a vender ativos ao valor dos que são transacionados no mercado, e são ativos que já estão no mercado há muito anos"
Eduardo Cerqueira, CEO da Altamira em Portugal

Quando questionado sobre se a conjuntura atual do mercado está a ajudar o negócio da empresa, Eduardo Cerqueira lembra que “a função da Altamira é garantir não só aos bancos mas também aos fundos de investimento que há valores reais de venda que estão muito acima daquilo que estão a ser transacionados pelos bancos”. “É complicado passar esta mensagem aos investidores, isso é a nossa tarefa. Estamos a tentar também passar essa mensagem dentro de Portugal”, diz.   

Momento atual do setor ajuda

Sobre o futuro do negócio da Altamira, e tendo em conta o cenário de taxas de juro Euribor baixas, o responsável frisa que a empresa é “maleável” face aquilo que existe no mercado. “Começámos com uma lógica de ‘servicer’ muito vocacionada de negócio NPLs simples, contacto direto, baixo valor de dívidas e ativos menos complexos, para aquilo que existe hoje, que é vendas de ativos e NPLs extremamente complexos, em que os ‘servicers’ se adaptam a essa realidade. E assim será no futuro. A Altamira está preparada para trabalhar com os bancos para que esses momentos não cheguem, ou seja, para que as máquinas já possam fluir diretamente entre as duas empresas para se houver alguma crise estarmos prontos para dar resposta eficaz a esse tipo de momentos”.

E quem é que anda a investir em Portugal, quem são os interessados neste tipo de ativos? “Na compra de carteiras é um misto, mas diria que cerca de 80% são fundos de todo o mundo, americanos, ingleses e de outros países. E depois, para outro tipo de carteiras mais pequenas, fundos nacionais, ‘family offices’ que têm esse interesse em investir, tendo em conta o momento que vivemos económico e a rentabilidade que este tipo de negócios pode ter. E obviamente apostam na Altamira para valorizar os ativos”, responde. “O que temos visto é que todos os tipos de fundo estão a investir em países como Portugal”, conclui.