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Merlin à espera do passaporte comunitário para ser socimi também em Portugal

Maior gigante imobiliário cotado em Espanha está na bolsa portuguesa há um mês, mas apenas em 'dual-listing', não como SIGI.

Marildo Montenegro|Iberian Property
Marildo Montenegro|Iberian Property
Autor: Tânia Ferreira

O foco da maior empresa imobiliária cotada em Espanha continua apontado para Portugal. Em paralelo com os investimentos que tem em curso na melhoria dos ativos que detém no mercado luso, a Merlin Properties pretende operar em Portugal também como socimi - à semelhança do país vizinho. "Mas para isso esperamos um aperfeiçoamento legal e regulamentar do regime das SIGI - (Sociedades de Investimento e Gestão Imobiliária) e que seja criado um passaporte comunitário", explica o CEO da empresa espanhola, Ismael Clemente.

Ao contrário de Espanha, onde qualquer sociedade de investimento europeia (REIT, na designação em inglês) pode agrupar todos os ativos numa empresa espanhola que automaticamente se torna numa socimi graças ao passaporte comunitário, no mercado português, atualmente, isso ainda não é possível. "Por isso, se fossemos uma socimi teríamos de cumprir o regime luso e agrupar todos os ativos numa empresa portuguesa, cotá-los em portugal, com um 'free-float' obrigatório de 20%, entre outros aspetos que consideramos inconvenientes", precisou o gestor, esta segunda-feira, no âmbito da conferência Iberian Reit Conference, em Madrid.

Dizendo que desconhece quais são os objetivos do Governo de Portugal quanto a criação de um passaporte europeu, em termos de datas, Ismael Clemente argumenta que "seria positivo que existisse um regime semelhante ao que existe em Espanha", porque como empresa seria possível "estar nos dois mercados com o mesmo mesmo modelo".

Nos moldes atuais, o gestor argumenta que as empresas acabam por ser prejudicadas, "devido a ineficiências fiscais". Mas está convencido que, em algum momento, "deverá haver com certeza alguma novidade neste sentido, porque todas as mudanças lesgislativas tendem a uma perfeição técnica e isso mesmo aconteceu em Espanha, quando o regime das socimis foi criado".

A Merlin começou a negociar na Bolsa de Valores de Lisboa no mês passado com a fórmula de listagem dupla ('dual-listing'). Atualmente, cerca de 10% da receita da socimi é gerada a partir do mercado português, onde a empresa possui shoppings, escritórios e tem em desenvolvimento uma plataforma logística de 225.000 m2, onde investirá 147 milhões de euros. 

O que vai fazer a Merlin este ano em Portugal 

Em 2020, tanto em Portugal como em Espanha, o grande objetivo estratégico da Merlin está concentrado em melhorar a qualidade da carteira, para valorizar os ativos e gerar maior rentabilidade. "É um ano de capex e não de investimento em novas compras", avançou o responsável, referindo-se tanto a ativos como empresas.

"Apesar da forte atividade em Espanha, a remodelação do edifício Monumental na Praça do Saldanha é um dos alvos de maior investimento este ano da Merlin", indica Ismael, precisando que "em Portugal o portfólio foi comprado por eleição seletiva e indidualizada dos ativos, sendo por isso de melhor qualidade e mais modernos, enquanto em Espanha a empresa tem escritórios que herdou com as carteiras de Metrovacesa e Testa, e que têm de tudo e investir mais para melhorar o nível". 

Descartando a compra de mais ativos este ano, o CEO da Merlin diz que também a compra de outras empresas também está fora dos planos, por falta de oferta no mercado. "Portugal é um mercado tremendamente atomizado. Não há substrato adquirível de empresas. As que havia foram vendidas". E o mercado residencial está também totalmente fora do radar desta empresa, que vai continuar orientada para escritórios, centros comerciais e logística.