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Imobiliário residencial atrai investidores – mas retalho sofre com a Covid

Investimento poderá atingir os 2,8 mil milhões de euros no final de 2021, prevê a Savills, admitindo derrapagens.

Residencial atrai investidores
Imagem de 12138562 por Pixabay
Autor: Redação

São várias as marcas que pandemia da Covid-19 está a deixar no mercado imobiliário. O segmento residencial tornou-se mais apetecível aos olhos dos investidores. Mas os espaços de retalho nem por isso, estando mesmo a sofrer os “efeitos colaterais da crise pandémica".

A “grande tendência” do momento é mesmo o setor residencial (private rented sector - PRS), que representou 150 milhões de euros de investimento só nos primeiros seis meses do ano, revela a consultora Savills Portugal no relatório divulgado esta quinta-feira (dia 29 de julho de 2021). O interesse neste e nos ativos alternativos tem vindo a aumentar e refletiu-se nos resultados do semestre: juntos captaram 190 milhões de euros. Mas, note-se, que o montante investimento nos alternativos “reporta a operações de forward-funding”, refere a consultora.

Já o setor do retalho continua a acusar os “efeitos colaterais da crise pandémica” e, embora continue a haver movimentos de capital, os investidores estão mais cautelosos. Os dados da Savills mostram que no primeiro semestre de 2021, o mercado de retalho somou cerca de 85 milhões de euros de investimento total, um valor substancialmente inferior à média dos últimos cinco primeiros semestres situada nos 500 milhões de euros.

E há outra tendência evidente neste setor: “as transações de centros comerciais dão agora lugar à venda de lojas de comércio de rua, com uma procura ativa direcionadas para unidades alimentares”. Esta é uma mudança também já detetada em outros países europeus, sublinha a consultora.

Sem surpresa, os escritórios continuam a atrair mais investidores para o mercado imobiliário português. Os dados da Savills falam por si: este setor representou 41% do volume total. Note-se que o investimento em imobiliário comercial fixou-se nos 569 milhões de euros no primeiro semestre do ano, um valor 66% inferior ao mesmo período de 2020. Apesar desta evolução negativa em termos homólogos, a consultora destaca que entre abril e junho o investimento imobiliário deu sinais de retoma, subindo 57% face ao apurado entre janeiro e março.

Supermercados atraem investidores
Supermercados são a nova estrela do retalho / Imagem de Ulrich Dregler por Pixabay

O que espera a segunda metade de 2021?

Os resultados observados no primeiro semestre de 2021 são o “espelho de um país que iniciou o ano com um segundo confinamento obrigatório, colocando novo travão à retoma de atividade”, diz a consultora, que considera que na segunda metade de 2021 deverá assistir-se à conclusão de algumas operações que “irão elevar mais significativamente o volume total de investimento em 2021”.

A expectativa da consultora é que Portugal irá manter-se firme nos radares dos investidores internacionais, com os segmentos de escritórios, 'hospitality' e alternativos a captarem o seu interesse. Já no segmento industrial e logística prevê-se que continue a haver investimento ascendente, embora este possa ser travado pela escassez da oferta.

Para o fecho do ano 2021, a Savills Portugal prevê que o volume de investimento possa atingir os 2,8 mil milhões de euros. Mas nota que este “está muito dependente da conclusão de uma operação chave para o alcance deste resultado”. Admitindo derrapagens, o ano poderá fechar nos 1,9 mil milhões de euros, assume a consultora.

Até agora, o mercado tem reagido bem à retoma da economia. Alberto Henriques, Capital Markets Associate Director da Savills Portugal, refere que "um excelente indicador de retoma do ritmo de atividade na segunda metade do ano foi o arranque fortíssimo do terceiro trimestre de 2021, que à data do final do mês de julho contabiliza já mais de 300 milhões de euros, com o setor de hospitality na liderança e tendo o potencial de se tornar o segmento com maior volume de transações em 2021".