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Vistos gold: otimismo está de volta com investimento de 55 milhões em fevereiro

Gtres
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Autor: Redação

Depois do escândalo de corrupção associado à concessão de vistos gold – foram detidas 11 pessoas em novembro, entre elas altas figuras do Estado –, o programa implementado pelo Governo em 2012 parece estar de novo a atrair investidores estrangeiros para Portugal. Essa é, pelo menos, a convicção da Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário (CPCI) e da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP).

Segundo os mediadores, foram concedidas até ao final de fevereiro 2.203 Autorizações de Residência para Investimento (ARI) – também conhecidas como vistos gold, vistos dourados ou golden visa –, das quais 2.088 através da aquisição de imóveis (têm de custar pelo menos 500.000 euros). A APEMIP adianta, por isso, que esta modalidade representa cerca de 95% do total dos vistos atribuídos. Só em fevereiro foram concedidos 103 vistos, mais que em janeiro.

Já a CPCI revela que, em fevereiro, o programa de vistos gold regista mais 62 milhões de euros de novos investimentos, dos quais 55 milhões são relativos à compra de imóveis. “Valores que representam um regresso à tendência de crescimento que se vinha a registar até novembro do ano passado”, diz, em comunicado.

“Após se ter terminado 2014 com mais de 900 milhões de euros captados, dos quais 91% correspondem a investimento em imobiliário, valores que são três vezes superiores aos registados em 2013, e de um registo de 46 milhões em janeiro, o mês de fevereiro volta a apontar para uma evolução significativamente favorável, tendo sido concedidas 103 novas ARI, das quais 96 resultam de investimento em imobiliário”, acrescenta.

Já Luís Lima, presidente da APEMIP, revela que os números confirmam que não existiu qualquer quebra brutal no número de vistos atribuídos relacionada com a investigação “Operação Labirinto”. “Este tipo de notícias faz-nos tirar ilações erradas sobre o real impacto que este escândalo teve na confiança de potenciais investidores estrangeiros. É natural que tenha havido uma retração, na medida em que o impacto mediático deste escândalo foi brutal, mas sem as dimensões dramáticas de que se falou”, salienta. 

O responsável adianta que, em termos de investimento total, desde a sua criação, os vistos gold já trouxeram para o país cerca de 1,3 mil milhões de euros, sendo que a aquisição de bens imóveis supera já os 1,2 mil milhões de euros.

Chineses continuam a ser os mais interessados

Os chineses continuam a ser os principais investidores internacionais interessados no programa de vistos gold e consequentemente no imobiliário nacional. Segundo a APEMIP, mantêm-se no topo da lista dos cidadãos que mais procuram este programa, com um total de 1.777 vistos concedidos. Seguem-se os brasileiros (74) e os russos (70). 

“Os chineses continuam a ocupar o topo da lista, o que acontece desde a criação deste programa. Já o Brasil, passou a ocupar o segundo lugar, algo que já previa desde o ano passado, especialmente depois de uma missão que fiz a este país, em que senti um interesse crescente pelo imobiliário português e pelos programas de captação de investimento que temos. Acredito que o investimento brasileiro terá um crescimento acentuado”, conta Luís Lima.