ONU ataca vistos gold em Portugal

Os muitos milhões de euros que têm entrado em Portugal, nos últimos anos, através dos vistos gold, não estão a ter um retorno positivo para a economia real. A sentença é da relatora da ONU, que esteve no país para analisar as políticas nacionais de habitação, denunciando que o programa não tem resultado na criação de empregos e nem uma pequena parte dos ganhos foi aplicada no desenvolvimento de habitação acessível.

Leilani Farha, no documento entregue esta semana ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, diz que, entre outubro de 2012 e setembro de 2016, dos 3.888 vistos gold atribuidos, a grande maioria (3.669) foi concedida a estrangeiros que adquiriram imobiliário e apenas seis a investidores que criaram empregos. 

Publicidade

“Apesar destes investimentos representarem apenas 0,06% do parque residencial de Portugal, o esquema gerou 2.37 mil milhões de euros, dos quais 2.14 mil milhões da compra de imóveis, pressionando o custo do alojamento no pais.", aponta a relatora, baseando-se nos dados do Instituto Nacional de Estatistica para frisar que, entre 2015 e 2016, as áreas urbanas registaram um aumento de 5% a 10% no preço das casas. Na Amadora a subida foi de 9,4%, no Porto de 7.2% e em Lisboa de 5,2%. 

Medidas e habitação do Governo são insuficientes

"A escassez de casas para arrendamento de longo prazo e o acesso mais facilitado ao crédito à habitação e baixas taxas de juros, podem ter exacerbado os problemas de acessibilidade para os agregados de médios e baixos rendimentos.”, aponta a responsável da ONU pela análise do mercado residencial em Portugal. 

Em dezembro, tal como recorda o i, já tinha alertado para o perigo da “turistificação” e do aumento dos arrendamentos temporários em Lisboa e no Porto, considerando que as medidas do governo para travar a especulação e garantir que os centros históricos não se transformam em “enclaves de ricas e estrangeiros” têm sido insuficientes. 

Para poder comentar deves entrar na tua conta