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Imobiliário português é o “mais quente” da Europa... à boleia dos vistos gold

Photo by Maclevison Silva on Unsplash
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Autor: Redação

“O mercado imobiliário mais quente da Europa está a ficar demasiado quente para alguns”. Quem o diz é a Bloomberg, com a mira apontada para Portugal. De acordo com a agência financeira, o “boom” dos preços das rendas – que está a atirar muitos moradores para as periferias das cidades – está diretamente relacionado com os milhões de euros injetados por investidores estrangeiros através dos vistos gold.

E os exemplos estão ao virar da esquina. A agência falou com uma moradora de Marvila, em Lisboa, que teve de se mudar com a mãe depois de já não conseguir suportar o preço de uma renda sozinha. "Os preços dispararam”, disse, apontando para “o outro lado da rua para um punhado de projetos de moradias à volta do bairro”.

Segundo a Bloomberg, Portugal tem atualmente o mercado imobiliário mais dinâmico da Europa Ocidental graças a incentivos fiscais concedidos a compradores estrangeiros e ao chamado programa de vistos gold, que permitem a cidadãos estrangeiros obterem autorização de residência mediante um investimento mínimo de 500 mil euros. Os moradores das cidades, por sua vez, tornaram-se “danos colaterais” da necessidade de o país atrair capital do exterior.

Lisboa tornou-se num “íman para turistas na Europa”, diz a agência financeira, referindo os inúmeros imóveis que estão a ser renovados e transformados em arrendamentos de curta duração, geralmente “responsabilizados pelo aumento de preços”, uma vez que são direcionados para visitantes que podem pagar mais que os locais.

"Eles não podem dar-se ao luxo de dizer que não", refere o fiscalista português Tiago Caiado Guerreiro, citado pela agência financeira, sublinhando o facto de estes incentivos terem ajudado a transformar cidades como Lisboa, colocando-a no "mapa dos principais destinos turísticos ".

“Lisboa nunca foi tão boa em termos de reabilitação dos seus edifícios", salienta Francisco Bethencourt, um professor de História no King's College em Londres. “O número de prédios devolutos tem sido reduzido e alguma da miséria que existia em certos bairros já não é visível. No entanto, esta mudança teve enormes custos sociais à medida que os locais com menos recursos financeiros estão a ser empurrados para as periferias”, remata o investigador.