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Novo Banco: operações imobiliárias “forçadas e abaixo da avaliação”

Auditores dos fundos imobiliários apresentaram reservas sobre vários negócios realizados. E deixaram avisos.

Autor: Redação

A atividade dos 26 fundos de ativos imobiliários geridos pela GNB, seguradora do Novo Banco, terão suscitado várias reservas aos auditores dos negócios, que várias vezes terão deixado alertas sobre as operações imobiliárias realizadas. Em causa estão vendas abaixo das avaliações e dos valores de balanço nas contas de 2019, e vendas forçadas que levaram a perdas para o próprio fundo e para o banco.

O jornal Observador, que avança a notícia, consultou os relatórios e contas dos fundos geridos pela GNB e informa ter descoberto vários avisos em relação a uma dezena de fundos. Dá como exemplo o da auditora Baker Tilly, que aponta que, nos "últimos exercícios têm sido concretizadas alienações por parte do Fundo e daquelas empresas participadas, de alguns ativos por valores significativamente abaixo dos seus valores de balanço, em resultado de vendas forçadas e de que resultam menos-valias significativas".

A publicação online dá o exemplo de um imóvel avaliado em 6,2 milhões de euros que “foi alienado por cerca de 1,1 milhões de euros, tendo sido registada uma menos valia de cerca de 5,1 milhões de euros”. A Quinta da Areia, outro caso, foi adquirida por 11,9 milhões em 2012, e acordada a sua venda no ano passado por cerca de 515 mil euros, apesar de estar valorizada em cinco milhões de euros em 2018.

Estas operações, escreve ainda o Observador, podem ter impacto no dinheiro que o banco pede ao Fundo de Resolução, que precisa de dinheiro do Estado para cumprir as suas responsabilidades. Para já, o Novo Banco aponta para um impacto reduzido destas perdas nos pedidos de capital com recursos a dinheiros públicos.

O banco disse em declarações ao jornal que estas operações “decorrem do facto de os objetivos e timings de desinvestimento colocarem pressão adicional nos valores concretizados de venda dos imóveis face à sua avaliação em carteira”, mas que, no entanto, “é de realçar que todas as alienações de ativos foram realizadas com base em processos de venda competitivos e feitas ao melhor preço recebido”.