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Preço das casas ainda sobe em tempos de pandemia, mas menos – e venda de imóveis cai a pique

Casas ficaram 7,8% mais caras no segundo trimestre face ao período homólogo, sendo que foram vendidos 33.398 imóveis, menos 21,6% que há um ano.

Gtres
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Autor: Redação

A Covid-19 deixou marcas em todos os setores de atividade, e o imobiliário não é exceção. Os preços das casas continuaram, no entanto, a subir em tempos de pandemia, tendo aumentado 7,8% no segundo trimestre de 2020. Trata-se, contudo, de um crescimento homólogo 2,5% inferior ao registado nos primeiros três meses do ano (10,3%). Os dados divulgados esta terça-feira (22 de setembro de 2020) pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) permitem ainda concluir que foram transacionados, entre abril e junho, 33.398 alojamentos, com um valor total de 5,1 mil milhões de euros, menos 21,6% e 15,2%, respetivamente, que no mesmo período do ano passado.

Os preços à lupa

Segundo o INE, a taxa de variação obtida no Índice de Preços da Habitação (IPHab), os já referidos 7,8% em termos homólogos, é a mais baixa desde o quarto trimestre de 2016, tendo sido influenciada pelo contexto da pandemia. 

De referir que, em termos homólogos, o aumento tinha sido de 10,3% no primeiro trimestre de 2020, de 8,9% no quarto trimestre de 2019, de 10,3% no terceiro trimestre de 2019 e de 10,1% no segundo trimestre de 2019. 

“Por categoria, as habitações existentes registaram um aumento dos preços de 8,2%, menos 2,4% que no trimestre anterior. Nas habitações novas, a desaceleração dos preços traduziu-se numa taxa de variação de 6% (8,9% no primeiro trimestre de 2020)”, conclui o instituto, dando conta que o IPHab cresceu 0,8% entre o primeiro e o segundo trimestre deste ano, abaixo da taxa de variação registada no trimestre anterior (4,9%). “No período de referência e pelo segundo trimestre consecutivo, as habitações novas registaram um aumento
dos preços superior ao observado nas habitações existentes
, 1,2% e 0,7%, respetivamente”, lê-se no documento.

Rx à venda de imóveis

No que diz respeito ao número de habitações transacionadas, e conforme referido em cima, recuaram 21,6% no segundo trimestre deste ano quando comparado com o mesmo período do ano passado – o número de vendas baixou de 42.590 para 33.398.  

“O desempenho do mercado imobiliário, avaliado pelo comportamento do número de transações, parece ter acompanhado a evolução das restrições impostas no contexto da pandemia Covid-19. No trimestre em análise, abril, período durante o qual vigorou o estado de emergência, foi o mês em que se observou a maior contração, em termos homólogos, do número de transações (variação de -35,2%). Nos meses de maio e junho, com o início do desconfinamento, as reduções foram menos expressivas, observando-se taxas de -22% e -7,6%, respetivamente. No trimestre de referência, a redução observada no número de vendas foi extensível a ambas as categorias de alojamentos. As habitações existentes, as quais representaram 84,4% do total das transações, diminuíram 22,8%, taxa mais negativa que a apresentada pelas habitações novas (-14,4%)”, explica o INE.

Em termos trimestrais, ou seja, do primeiro para o segundo trimestre de 2020, o número de transações de alojamentos diminuiu 23,3%, tendo passado de 43.532 para 33.398. 

“A amplitude da redução da taxa de variação apurada é a segunda mais elevada da série disponível sendo necessário recuar até ao primeiro trimestre de 2014 para obtermos uma diminuição mais intensa em cadeia. A redução no número de transações foi mais expressiva no caso das habitações existentes (-23,9%), por comparação com as habitações novas (-19,8%)”, escreve o INE.

Valor das vendas ao detalhe

Ao todo, as 33.398 habitações transacionadas entre abril e junho de 2020 totalizaram 5,1 mil milhões de euros, menos 15,2% que no período homólogo (6 mil milhões de euros). O valor das transações de alojamentos existentes decresceu 16,3% para 4,1 mil milhões de euros e o valor das vendas de habitações novas recuou 10,6% para 1,1 mil milhões de euros.

“Por meses, abril foi aquele em que se registou a maior redução homóloga no valor das transações de alojamentos, 25%. Em maio e junho, as taxas de variação, embora de sinal negativo, registaram amplitudes decrescentes, nomeadamente, -14,2% e -7%, respetivamente”, conclui o INE.

Relativamente ao trimestre anterior, o primeiro de 2020, o valor das habitações transacionadas decresceu 23,8%, sendo que tinha recuados nos primeiros três meses do ano, face aos últimos três de 2019, apenas 2,5%.

As zonas mais (e menos) ativas

Das 33.398 habitações transacionadas no trimestre deste ano, 11.713 encontram-se na Área Metropolitana de Lisboa e 9.592 no Norte do país. Pelo segundo trimestre seguido, estas duas regiões, que ao todo representaram 63,8% do total de transações, “acentuaram o seu peso relativo conjunto, o qual atingiu o valor mais elevado desde o terceiro trimestre de 2018”. 

“Também o Centro (6.392 transações), o Alentejo (2.293 transações) e a Região Autónoma dos Açores (560 transações) registaram aumentos homólogos nas respetivas quotas
relativas regionais, de 0,2%, 1% e 0,1%, pela mesma ordem. O Algarve, com um total de 2.323 transações, apresentou a maior redução no respetivo peso relativo regional, 1,8%”, revela o INE.

O instituto adianta ainda que, entre abril e junho, a Área Metropolitana de Lisboa concentrou 46,7% do montante total das transações de alojamentos, representando 2,4 mil milhões de euros.

“No segundo trimestre de 2020, todas as regiões registaram uma redução, em termos homólogos, no número de transações de alojamentos. O Algarve e a Região Autónoma da Madeira, com taxas de variação de -37,8% e -28,7%, respetivamente, foram as regiões onde essa diminuição foi mais pronunciada. O Alentejo (-9,5%), a Região Autónoma dos Açores (-18,6%), o Norte (-20,4%), o Centro (-20,6%) e a Área Metropolitana de Lisboa (-20,9%) apresentaram reduções inferiores ao valor médio nacional (-21,6%)”, lê-se no site do INE.