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Imobiliário em tempos de pandemia aos olhos das mediadoras – venda de moradias dispara

Moradias estão a ganhar adeptos em Portugal, segundo um inquérito realizado pela Associação dos Mediadores do Imobiliário de Portugal (ASMIP).

Imagem de Larisa Koshkina por Pixabay
Imagem de Larisa Koshkina por Pixabay
Autor: Redação

Quais são as casas mais procuradas em Portugal em tempos de pandemia da Covid-19? Segundo um inquérito realizado pela Associação dos Mediadores do Imobiliário de Portugal (ASMIP) em janeiro de 2021 – junto de 850 empresas suas associadas ativas –, as moradias estão a ganhar adeptos no país. A maioria dos imóveis residenciais vendidos em 2020 foram apartamentos de tipologia T2 (48%), seguindo-se precisamente as moradias (42%). Apartamentos T3 e terrenos ocupam, por esta ordem, o terceiro e quarto lugares.

“Surpreendente, ou talvez não, devido ao fator pandemia e aos seus efeitos, foram as alterações em termos de procura de tipologias, que tradicionalmente se centrava nos apartamentos, passou a ser relegada para segundo plano, com a preferência pelas moradias. Estes dados são surpreendentes, sobretudo porque tradicionalmente os apartamentos eram as tipologias mais procuradas. A partir de agora quer as moradias, quer os terrenos ganham um novo ímpeto, devido ao crescente interesse na aquisição de espaços abertos e mais arejados que até aqui não tinham tanta importância”, lê-se no documento.

Francisco Bacelar, presidente da ASMIP, diz não ter dúvidas de que “este é um fator a ter em conta nos novos projetos em desenvolvimento não só nas cidades, como nas suas periferias, e também na província”. Isto de forma a conseguir dar resposta “às solicitações crescentes que tem vindo a ser sentidas”, acrescenta.

Uma das razões que ajuda a explicar esta situação é, segundo a ASMIP, o aumento do teletrabalho, que começa a ser visto como uma mais-valia pelas empresas e, também, por muitos colaboradores.

Preocupação com o futuro

De acordo com a associação, que se apoia nos resultados do inquérito que desenvolveu, “as empresas de mediação imobiliária encaram o futuro da atividade com preocupação”. O mesmo permite concluir que 46% das empresas prevê uma redução da atividade em 2021 enquanto 30% acredita na manutenção. De referir ainda que 24% das empresas considera possível haver um crescimento dos negócios, embora neste último grupo parte significativa (17%) espere que haja apenas uma retoma ligeira.

Relativamente a 2020, o estudo mostra que 54% das empresas viram reduzida a atividade, que 23% dizem que o negócio se manteve igual e que 23% adiantam ter aumentado a atividade. Isto em termos homólogos, ou seja, face a 2019.

“Por segmentos, é visível que a realização de negócios é esperada sobretudo na componente residencial e nos terrenos. Para todas as demais categorias é considerado que haverá uma quebra nas vendas, com destaque para os 77% dos inquiridos que acreditam na diminuição das vendas de habitação turística, contra 20% na manutenção e apenas 3% que acham que haverá algum aumento do negócio. Há também uma perceção generalizada de que os negócios de venda de espaços comerciais, industriais e escritórios serão bastante afetados pela crise, considerando, ainda, que nestes segmentos a mesma situação vai acontecer com os arrendamentos”, lê-se no documento.

Preços mantiveram-se em 2020

E será que os preços das casas subiram no ano passado? Tendo por base as respostas das mediadoras imobiliárias, 40% dos inquiridos destaca a manutenção dos preços enquanto 30% considera que houve um aumento e os restantes 30% apontam para uma quebra.

Em relação à oferta de habitação, 44% dos inquiridos aponta para uma manutenção, 40% para uma diminuição e 16% para um aumento. 

Já quanto à procura, 42% dos inquiridos garantem que diminuiu, 32% que aumentou e 26% que se manteve igual.

A ASMIP conclui, face às respostas obtidas ao inquérito, que há uma preocupação enorme, por parte das empresas, quanto ao futuro dos negócios devido ao agravamento da situação, sobretudo no acentuar da tendência de quebra de vendas, já verificada em 2020. A entidade considera, nesse sentido, que é urgente a necessidade de implementar um conjunto de medidas que protejam o setor.

“Com a quebra de vitalidade do setor, toda a economia perde, e as consequências serão transversais para muitas outras áreas suas fornecedoras, e por inerência de si dependentes”, conclui Francisco Bacelar.