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Pandemia muda “regras do jogo” na mediação imobiliária – o trunfo da digitalização

Mediadoras e agentes imobiliários tiveram de se adaptar a uma nova realidade, com a tecnologia no epicentro dos acontecimentos.

Gerd Altmann por Pixabay
Gerd Altmann por Pixabay
Autor: Redação

A pandemia da Covid-19 chegou de forma inesperada e em força, levando a que as “regras do jogo” mudassem no negócio da mediação imobiliária, sendo a digitalização um trunfo das empresas do setor. Este foi, de resto, um tema em análise em vários webinares realizados ao longo do ano, como por exemplo este. A verdade é que as mediadoras imobiliárias tiveram de se adaptar às novas tecnologias para fintar a crise.

O negócio imobiliário pré-pandemia

No início do ano de 2020, ainda sem sinais de pandemia de novo coronavírus em Portugal, foi notícia o facto de terem encerrado 495 agências imobiliárias no país no último trimestre de 2019. Um número que sobe para 975 mediadoras, que suspenderam ou cancelaram a sua licença de atividade, se for tido em conta todo o ano passado.

Como que a antever o que estava para vir, preparámos, em meados de fevereiro, um artigo no qual falamos sobre a importância do marketing imobiliário, que pode muito bem ser uma arma “secreta” para fazer crescer os negócios. Vários especialistas abordaram o tema no sentido de tentar perceber de que forma esta arma “secreta” ajuda a criar oportunidades e a melhorar resultados.

Neste artigo, publicado ainda num cenário pré-pandemia, tivemos o testemunho de Diogo Lampreia e Daniel Henriques, que foram nomeados consultores nº 1 da Remax Europa, pelo segundo ano consecutivo. As suas armas “secretas” são disciplina, dedicação, foco e conhecimento do mercado. 

O que mudou com a Covid-19

É caso para dizer que muita coisa mudou com a pandemia da Covid-19. Adaptação, tecnologia e digitalização passaram a fazer, cada vez mais, parte integrante do negócio da compra, venda e arrendamento de casas. Voltámos a abordar a importância do marketing e da comunicação no imobiliário e constatámos que a atividade não parou. No início de maio, apesar das agências imobiliárias estarem há semanas de porta fechada e sem poder mostrar os imóveis, 83% dos profissionais imobiliários portugueses continuavam a trabalhar desde casa, ou seja, em teletrabalho.

Em maio, de resto, o IMPIC - Instituto dos Mercados Públicos, do Imobiliário e da Construção confirmou que todos os estabelecimentos de mediação imobiliária poderiam “abrir portas”, inclusive os que se encontram dentro de centros comerciais.

Foram vários os eventos online que foram tendo lugar ao longo do ano, como por exemplo “O Desafio”, conduzido por Massimo Forte e Gonçalo Nascimento Rodrigues. Os mesmos protagonistas lançaram ainda um novo projeto digital, “O Desafio – Real Estate Talks”. Também a quarta edição do Imocionate e a 23º do Salão imobiliário de Portigal (SIL),  por exemplo, foram este ano diferentes. 

A importância dos mediadores

Quando chega a hora de procurar casa para comprar ou arrendar, ou quando se quer vender um imóvel, a primeira tentação é tratar de tudo sozinho, sem a ajuda de um profissional. Será esta a melhor solução, sobretudo no atual contexto de pandemia? Neste artigo, explicamos porque vale a pena recorrer à ajuda dos mediadores imobiliários. 

Mas como adaptação é palavra de ordem, os profissionais do setor devem estar preparados para comunicarem da melhor forma as suas marcas. Carla Costa, especialista em Branding e Marca Pessoal, deu-nos umas luzes sobre o tema. Também as redes sociais podem ser um aliado dos agentes imobiliários, ajudando-os a vender mais casas e a fechar mais negócios. Fica a saber como.

Neste dossier especial, intitulado “Diários de mediadores em casa”, contamos como algumas empresas do setor continuaram a (tentar) fazer negócios de forma virtual, com tecnologia, criatividade e perseverança.

Outros artigos curiosos sobre o setor em tempos de Covid-19:

Dicas para os mediadores imobiliários

Lembras-te de quando o Facebook era a agenda telefónica e quando as mensagens não eram deixadas pelo WhatsApp, mas sim com post-its? E quando, para chegar a um determinado local, se perguntava às pessoas onde ficava o mesmo, porque se estava perdido e não havia Google Maps? A tecnologia, em poucos anos, mudou o mundo e a forma como o vemos. E a pandemia acelerou esta realidade. Neste artigo falamos sobre várias aplicações (apps) que há no mercado, destacando as que mais podem ajudar os agentes imobiliários nos seus negócios.

A mesma autora, Ana Palacios, workshop manager idealista, conta-nos como criar um bom anúncio para vender uma casa na internet. Afinal de contas, o marketing digital permite aproximar o imóvel dos compradores através de anúncios, mediante a descrição escrita e do olhar por dentro do imóvel, com fotografias e vídeos profissionais, bem como detalhes sobre a sua localização, distribuição, estado e preço. Aconselhamos, ainda, a leitura deste artigo, que explica como se poderá e/ou conseguirá dar uso à tecnologia existente no mercado para valorizar um imóvel que está à venda.

A casa em tempos de pandemia

A Covid-19 teve impacto no processo de procura de casas, por via de uma mudança nas preferências, gostos e necessidades que surgiram, ou ganharam mais relevância, nos últimos meses por força das circunstâncias. A casa assumiu o papel principal durante a pandemia, o que colocou em evidência uma procura mais orientada para espaços maiores, interiores e exteriores – que permitam uma melhor qualidade de vida e convívio familiar e/ou teletrabalhar –, a par de novas tipologias e localizações, sobretudo, nas zonas limítrofes dos centros urbanos, ou até no campo, em zonas rurais, ou de praia. Fica a saber que casa procuraram os portugueses em tempos de Covid-19.

Para Joaquim Montezuma, professor auxiliar convidado no ISEG e Managing Partner da ImoEconometrics, não há dúvidas: “A pandemia veio acelerar um conjunto de mudanças que já estava em andamento. Há um acelerar de coisas que já vinham de trás, não é um novo paradigma, é uma continuidade”.

Preparámos um especial com testemunhos reais a que chamámos “Mudei-me para uma casa no campo”, visto que a procura de casa em zonas rurais ou perto da praia, longe dos centros urbanos, é uma tendência que ganhou força na pandemia. Eis o que pensa quem resolveu dar este passo em frente e viver de outra forma.