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O poder das plantas e dos animais para tornar a vida melhor em casa

O idealista/news entrevistou Sofia Antunes, fundadora da Curae. Um projeto nascido na pandemia para dar mais “vida” aos espaços, com foco na experiência e cuidado.

Curae
Curae
Autores: Leonor Santos, Tânia Ferreira

Vive com três cães e mais de 60 plantas em casa. Acredita que as pessoas têm o poder de transformar as suas vidas a qualquer momento, “e que as plantas e os animais têm superpoderes e podem contribuir para mudar a nossa vida, de dentro para fora”. Sofia Eiras Antunes é a fundadora e CEO da Curae, uma loja online de venda de plantas focada na experiência de cuidado, que nasceu e floresceu em tempos de pandemia, com entregas à porta em qualquer parte do país. Mas quem compra uma planta desta jovem marca portuguesa está, na verdade, a comprar uma experiência, uma vez que todas são acompanhadas de autocolantes para dar um nome à planta, guias de cuidados e exercícios de “wellbeing” – de meditação, por exemplo.

“As pessoas cuidam de plantas e animais e, ao fazerem-no, estão a tomar conta da sua paz interior”, esta é a convicção de Sofia Eiras Antunes. A CEO da Curae conta que, na pandemia, multiplicou (por várias vezes) o número de plantas que tinha em casa, porque precisou de "trazer a natureza para dentro e sentir todos os seus benefícios”. Foi também neste ano atípico que, sem antes o ter previsto, decidiu despedir-se do emprego que tinha e dedicar-se a 100% à marca, numa espécie de “andar contra a corrente”. Agora, e ainda em pleno confinamento, pretende dar mais um passo e abrir uma loja física em Lisboa (numa altura em que as lojas estão de portas fechadas), não tendo dúvidas de que “as pessoas continuarão a procurar aquilo que lhes faz bem”.

Com a Covid-19, garante, confirmou que é cada vez mais reconhecida a importância e complementaridade daquilo que apelida de “os três P” (people, plants, pets), isto é, pessoas, plantas e animais, nomeadamente para o bem-estar e saúde mental. Defende que as plantas e os animais são uma terapia e que podem ajudar-nos a viver melhor dentro e fora de casa. Os animais, entre outras razões, porque por um lado ajudam-nos a adotar um estilo de vida mais ativo, e porque, por outro, nos permitem experienciar emoções positivas. As plantas, por sua vez, tornam-nos mais criativos e produtivos, e convidam-nos a “abraçar rotinas mindful”, além de melhorarem a qualidade do ar que respiramos, fazendo-nos sentir “menos confinados”.

Mas afinal, quais são as melhores plantas de interior e exterior? E o que é que deve fazer um “plant killer”? Qual o papel dos animais numa casa e na vida dos seus donos? A fundadora da Curae respondeu a esta e outras perguntas na entrevista escrita que agora reproduzimos na íntegra.  

Como (e quando) é que surgiu a Curae?

A Curae nasceu em dezembro de 2020 com uma loja online e abrirá as portas do seu espaço físico já nesta primavera, na zona de Alcântara, em Lisboa.

As plantas e os animais sempre trouxeram luz à minha vida. Rodear-me das mais diversas formas de vida é o que me dá equilíbrio, e assim o é para cada vez mais pessoas. A nossa natureza interior, o que está dentro de nós e na nossa casa e espaço de trabalho, tem uma enorme influência no nosso bem-estar.

Foi na pandemia, quando multipliquei (várias vezes) o número de plantas que tinha em casa, porque precisei de trazer a natureza para dentro e sentir todos os seus benefícios, que decidi criar a Curae em conjunto com duas pessoas: a Maria e a Beatriz.

Curae
Curae

Qual é o conceito da marca? Como é que se diferenciam?

O que vem diferenciar a Curae de qualquer outra marca de plantas é o foco na experiência de cuidado, mais do que a venda de plantas. É daí que vem o nome “curae” que significa “cuidar de”. Escolhemos começar com a nossa loja online, embora seja apenas o início de um projeto em constante desenvolvimento onde iremos focar energias não apenas nas plantas, como nas pessoas e nos animais.

Queremos simplificar a arte de cuidar e trabalhar a confiança das pessoas através das plantas

Introduzimos no mercado o conceito de Família de Plantas porque na verdade os nossos animais e plantas são parte da nossa família e queremos simplificar a arte de cuidar e trabalhar a confiança das pessoas através das plantas, entregando várias plantas em simultâneo à sua porta.

Acreditamos que há rotina de cuidado diferente, antes e depois da Curae, e por isso queremos crescer uma comunidade à volta deste projeto.

Pode dar-nos detalhes sobre o novo espaço físico que estão prestes a abrir em Lisboa?

O nosso espaço é pet-friendly e conta com duas áreas distintas: uma loja que abraça um portfólio vasto de plantas das mais variadas espécies assim como acessórios e livros da área; e um atelier onde desenvolvemos os nossos projetos de decoração com plantas e onde concretizamos uma agenda dinâmica.

No nosso espaço, pessoas, animais e plantas irão co-existir e poderão demorar-se, compatibilizando o seu horário normal de trabalho com uma pausa de final de dia no centro da cidade onde se criam momentos de partilha memoráveis. A própria loja será um jardim interior e contará com uma agenda dinâmica de workshops, aulas semanais e encontros intimistas de bem-estar.

O que explica todos estes passos dados em plena crise? A procura dos vossos serviços aumentou com a pandemia e confinamento?

Com o confinamento, confirmei o que há muito verificava: que a complementaridade de três “P”s (people & plants & pets) se tem tornado cada vez mais reconhecida pelas pessoas e pelas empresas, sobretudo o seu impacto para a saúde mental, ainda mais neste ano atípico.

Tem sido crescente a procura de empresas que querem levar um pouco de vida à casa dos seus colaboradores, e nós tomamos conta de toda a logística. Tem sido crescente também a oferta de plantas como presentes, plantas estas associadas a diferentes benefícios - porque os benefícios passam uma mensagem. Tem sido igualmente crescente a tendência de construirmos o nosso santuário de plantas, o nosso jardim interior perto do qual meditamos diariamente, onde repomos a nossa energia.

Tem sido igualmente crescente a tendência de construirmos o nosso santuário de plantas, o nosso jardim interior perto do qual meditamos diariamente, onde repomos a nossa energia.

A procura aumentou sem dúvida durante a pandemia, principalmente pela conveniência de receber plantas à porta em qualquer lugar do país. Podermos cuidar de um ser vivo proporciona-nos rotinas saudáveis e é um refúgio neste momento desafiante que vivemos. Faz-nos sentir “menos fechados”.

De que forma é que este novo contexto impactou o vosso negócio?

Este novo contexto foi, para nós, impulsionador. Convidou-nos a olhar para dentro, compreender o que flui para nós, refletir sobre o(s) nosso(s) propósito(s). Sempre trabalhei na área de people em startups tecnológicas e este contexto levou-me a questionar e perceber que podia chegar ainda mais às pessoas de outra forma.

Podemos dizer que andamos contra corrente. Foi em confinamento que decidi demitir-me e dedicar-me 100% à Curae. É em confinamento que vamos abrir loja num momento em que as lojas não abrem portas. Queremos com isto trazer esperança, porque acreditamos que as pessoas continuarão a procurar aquilo que lhes faz bem.

Que espécies de plantas têm à venda? Quais são/foram as mais procuradas?

Temos várias espécies à venda e continuaremos a alargar o nosso portfólio. Dentro destas espécies, temos variantes de diferentes cores e texturas - cada planta é um ser único e especial. Temos plantas fáceis de cuidar e opção pet-friendly.

Os nossos "best sellers" são a Sansevieria (Snake, planta da calma), a Zamioculcas (ZZ, planta amigável), a Ficus Tineke (planta capaz), a Pothos Satin (planta amorosa) e a Alocasia Wentii (Elephant, planta adorável). Outras espécies: Palm, Peperomia, Fern, Monstera, Dieffenbachia, Spathiphyllum, Dracaena, Aloe Vera, Codiaeum.

As vossas plantas são sempre acompanhadas de um “guia de cuidados” personalizado. Como e por que é surgiu esta ideia?

Cada planta é mais do que uma planta. É sempre acompanhada do nosso vaso assinatura, de um postal de coleção das fotografias que tirámos em Lisboa, que são também guias de como cuidar (tem uma impressão digital da planta, porque cada planta é especial). Vem também com um exercício de wellbeing para quem recebe (e.g. uma meditação), com um autocolante para dar nome à planta e dicas sobre como cuidar melhor dos novos membros da família.

Cada planta é mais do que uma planta. É sempre acompanhada do nosso vaso assinatura, de um postal de coleção das fotografias que tirámos em Lisboa, que são também guias de como cuidar

Esta ideia tem o intuito de sumarizar as nossas aprendizagens, a nossa experiência, simplificando a arte de cuidar. Pretende sobretudo dar um "boost" inicial de confiança a quem recebe. Mas não ficamos por aqui: todas as pessoas que se juntam à nossa comunidade, começando pela compra de uma primeira planta, têm o nosso contacto direto no Whatsapp, podem retirar qualquer dúvida (quase 24/7). Investimos muito no pós-venda.

Curae
Curae

Quais as melhores plantas de interior e exterior (ou seja, resistentes e mais fáceis de cuidar)?

É importante considerar a nossa experiência com plantas quando iniciamos este processo de cuidar. A nossa sugestão será começar por plantas quase autossuficientes, as mais resistentes, que são igualmente bonitas e irão ajudar-nos a ganhar a nossa confiança neste processo de cuidar. No caso de plantas de interior falo, por exemplo, da Sansevieria, a Dieffenbachia, o Spathiphyllum, a Ficus e a Pothos.

No caso de plantas de exterior, que também funcionam bem em interior, aconselhamos a Aloe Vera, a Musa, a Dracaena e a Sansevieria.

Há quem tenha dentro de si um verdadeiro “plant killer”. Quais são os principais erros que a maioria das pessoas tendem a cometer?

Mais do que regras, precisamos de ouvir as nossas plantas, compreender a sua linguagem, adaptarmo-nos, pois cada planta é um ser único e especial. Ganhando mais confiança, começamos a saber o tempo das nossas plantas. O principal erro das pessoas é assumir que existem regras, que devem regar de X em X tempo fixo, e sobre-reagirem sobre isso.

Algumas dicas que deixamos para que ninguém se sinta um "plant killer":

  1. Começa por plantas quase autossuficientes, as mais resistentes, que são igualmente bonitas e ajudarão a fazer crescer a tua confiança nesta experiência de cuidado.
  2. Ao regar as tuas plantas, rega por inteiro todo o substrato. Só regarás em excesso se regares com demasiada frequência, não ao regar profundamente. Para plantas saudáveis, o vaso deve ter furo de drenagem.
  3. A nossa temperatura exterior não corresponde ao ambiente nativo da maioria das plantas de interior. Deixa-os ficar bem perto de ti, dentro de casa/escritório. Temperatura ideal: 18ºC-30ºC.
  4. Todas as plantas desfrutam de luminosidade. Algumas podem precisar de muito pouca luz e a maioria sofre com a luz direta, mas todas precisam de alguma luz! Ao adotares uma planta, estuda as suas necessidades de luminosidade.
  5. Vais errar ao cuidar das tuas plantas, e está tudo ok. Mais do que regras, precisamos de ouvir as nossas plantas, entender a sua linguagem, adaptarmo-nos, e ir aprendendo. Cada planta é um ser único e especial.
Curae
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“As pessoas cuidam de plantas e animais e, ao fazerem-no, estão a tomar conta da sua paz interior”. A plantas e os animais são uma terapia? Em que medida? Podem ajudar-nos a viver melhor dentro e fora de casa? Qual o papel dos animais numa casa e na vida dos seus "donos"?

Os animais e as plantas são terapêuticos sim! São inúmeros os benefícios cientificamente comprovados. Os animais levam-nos a adotar um estilo de vida ativo e criam oportunidades de socialização (mesmo durante passeios). Com eles vivenciamos lealdade, companheirismo e proteção incomparáveis, emoções positivas que nos dão segurança. Além disso, a proximidade aos animais torna menor a probabilidade de desenvolvermos alergias, harmoniza os níveis de stress e suaviza a nossa respiração.

As plantas, por sua vez, tornam-nos mais criativos, focados, produtivos; estimulam o nosso sistema imunitário; convidam-nos a abraçar rotinas "mindful"; melhoram também a qualidade do ar que respiramos e, sobretudo agora, fazem-nos sentir menos confinados.