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Imóveis do Novo Banco: empresário que vendeu sociedades ao Anchorage rejeita ligações ao fundo

“Não sabia a quem é que ia vender” as sociedades, disse António João Barão, no Parlamento.

Novo Banco
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Autor: Redação

António João Barão, empresário que vendeu cinco sociedades imobiliárias a uma empresa do Luxemburgo através da qual o fundo Anchorage adquiriu ao Novo Banco (NB) uma carteira de imóveis por 364 milhões de euros, o projeto Viriato, disse que “não sabia a quem é que ia vender” as referidas sociedades. 

O responsável referiu, na comissão parlamentar de inquérito do NB, realizada sexta-feira (30 de abril de 2021), que não teve qualquer contacto direto com o fundo. “Não foi o fundo que propôs adquirir as minhas sociedades, falou com os advogados, a Morais Leitão, e eles sabiam que eu as tinha”, disse António João Barão, citado pelo Expresso. 

Em causa está a venda de mais de cinco mil imóveis e mais de oito mil frações pelo NB no projeto Viriato em outubro de 2018, recorda a publicação, lembrando que para esse negócio o fundo Anchorage, a partir das ilhas Caimão, utilizou a empresa luxemburguesa AIO, que tratou de previamente adquirir cinco pequenas empresas portuguesas, todas detidas por António João Barão e a sua mulher.

O empresário explica que tinha criado essas cinco empresas em novembro de 2017, todas com a mesma morada em Lisboa, para tentar aproveitar oportunidades de negócios imobiliários.

“Essas sociedades tenho-as às vezes para uso próprio, porque vou a leilões de imóveis. O tal fundo tinha uma certa urgência e pediu-me as sociedades, a partir daí não sei mais nada, se eles iam comprar um imóvel, um terreno ou um hotel. Eu não sabia a quem é que ia vender”, referiu. 

António João Barão explicou que o contacto para a venda das cinco empresas à sociedade do Luxemburgo foi feito por um advogado da Morais Leitão, João Torroaes Valente, e garantiu que quando criou as sociedades, que venderia à empresa luxemburguesa por cerca de 5.000 euros cada, desconhecia o fundo Anchorage. “Na altura em que eu as fiz nem sabia da existência deste fundo”, referiu.

Na comissão de inquérito, escreve o Expresso, o empresário confessou ainda ter outras atividades além da criação e venda de sociedades imobiliárias: “Sou pintor, pinto uns quadros de vez em quando. E também sou mágico”.