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Trocar a cidade pelo campo: de Lisboa para a Nazaré por uma vida melhor

Cada vez mais jovens procuram casa longe dos grandes centros urbanos, pressionados também pelas rendas altas. Ana Rita Faria é um caso.

Trocar a cidade pelo campo: da Grande Lisboa para a Nazaré
Wikipedia, Misterno CC-BY-3.0
Autor: Daniela Rodrigues (colaborador do idealista news)

Ana Rita Faria, 28 anos, é um dos rostos de muitos dos jovens que decidiram mudar de vida em plena pandemia. Viveu quase sempre entre Lisboa e Sintra, mas com as rendas cada vez mais elevadas na região – quer no centro, quer nas periferias –, e com o fim do contrato de arrendamento à vista, decidiu procurar alternativas noutras zonas do país. Acabou por trocar a vida na cidade pelo campo/praia já este ano, deixando a Grande Lisboa para trás rumo à Nazaré. E partilhou toda esta experiência numa entrevista ao idealista/news.

Foto de Edouard Chassaigne no Pexels
Foto de Edouard Chassaigne no Pexels

“Toda a minha vida foi vivida entre Lisboa e Sintra. Este ano, com o fim do meu contrato de arrendamento atual, comecei à procura de uma nova casa”, explica. Em 2016, Ana abraçou a aventura de sair de casa dos pais e mudou-se para Lisboa, onde viveu com o namorado num apartamento T3 renovado, perto de serviços e transportes. Em 2017, com o aumento do valor da renda, foi em Sintra que conseguiram arrendar uma pequena moradia, mais “em conta”, e que apesar de estar mais “datada”, como refere a jovem, se adaptava perfeitamente às suas necessidades.

Em julho de 2021, teve de procurar casa outra vez e deparou-se com mais problemas do que soluções. “Foi um verdadeiro desafio. Primeiro, porque comecei a procurar uma casa nova no verão e muitos dos arrendamentos eram de curta duração, especificamente direcionados para quem estava de férias e os que não o eram, tinham preços absurdos e (alguns) condições inacreditáveis”, conta ao idealista/news.

Com a saída agendada para setembro de 2021, e sem soluções viáveis à vista, a jovem decidiu procurar uma alternativa noutro distrito, porque mesmo partilhando gastos arrendar uma casa na zona de Lisboa estava a ser impossível. “Ativei os alertas de novos imóveis em todas as plataformas possíveis e imaginárias. Lembro-me que um dia, quase em desespero, resolvi fazer uma pesquisa na plataforma do idealista por imóveis em todo o país, dentro dos valores e tipologia que queria e fiquei incrédula quando percebi as diferenças de preços entre Lisboa e outras distritos.”

Da Grande Lisboa para uma aldeia na Nazaré

Ana, que trabalha na área da comunicação, escolheu o distrito de Leiria como nova morada, mais precisamente, uma aldeia perto da Nazaré. Arrendou uma moradia T2 recuperada e aumentada através de construção modular, com espaço exterior. O valor, segundo a jovem, “é justo, tendo em conta a casa que é”. “Em Lisboa seria impensável conseguir sequer um apartamento da mesma tipologia pelo mesmo preço”, refere.

Um lugar que não ficasse muito distante da capital foi um critério fundamental na escolha que, mesmo assim, “não foi nada fácil”. “Em Lisboa ficaram as memórias de toda a minha vida, eu gostava genuinamente de viver ali. Já para não falar na família e os amigos que no fundo são a minha rede de suporte. Era importante para mim conseguir continuar a vê-los com alguma frequência, principalmente depois de um ano e meio de pandemia em que ainda havia tantos desencontros por alinhar”, acrescenta.

A nova casa de construção modular / Créditos: Ana Rodrigues
A nova casa de construção modular / Créditos: Ana Rodrigues

Apesar de ter de recomeçar a vida, longe dos rostos que lhe são familiares, a jovem está confiante neste novo desafio. “O ambiente mais rural não me assusta, antes pelo contrário. Acredito que é uma sorte poder trabalhar do alpendre a ouvir os passarinhos. Fazer uma caminhada no campo ou dar um salto até à praia. Certamente, também será mais fácil ficar na memória das pessoas que ainda trocam couves por ovos. É uma aventura e acredito que ainda me posso vir a surpreender muito pela positiva, mas só com o tempo saberei”.

Foto de Eli Sommer no Pexels
Foto de Eli Sommer no Pexels

O atual contexto de se poder trabalhar à distância também ajudou à decisão de mudar. Mas um possível regresso a Lisboa não está fora de questão, sendo que ainda não há data definida, nem planos definidos. No entanto, a jovem mantém esperança que, daqui a um ano, quando o seu contrato atual terminar “aconteça um milagre e os preços se voltem a ajustar à realidade económica das pessoas”.  Se isso acontecer, diz, a única coisa que terá de deixar para trás são as saudades.