Governo espanhol avança com projeto de lei para regular arrendamentos

Objetivo é limitar os valores das rendas às empresas proprietárias de mais de 10 casas em zonas com preços considerados elevados.
Governo espanhol avança com projeto de lei para regular arrendamentos
Pedro Sánchez lidera o governo de esquerda do país vizinho. Flickr
Lusa
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O Governo espanhol aprovou ontem, dia 26 de outubro, o anteprojeto de lei do Direito à Habitação, que vai permitir às comunidades autónomas limitar o preço do arrendamento às empresas proprietárias de mais de 10 casas em zonas com preços considerados elevados.

A regulação das rendas, que começará a afetar os grandes proprietários 18 meses após a entrada em vigor da lei, tem sido o ponto mais controverso nas negociações de quase um ano de duração entre os dois parceiros do Governo minoritário de esquerda espanhol, o Partido Socialista (PSOE) e o Unidas Podemos (extrema-esquerda).

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O que diz a nova lei espanhola sobre limitar e subir as rendas 

O anteprojeto de Lei sobre o Direito à Habitação habilita as 17 comunidades autónomas a limitarem os preços de arrendamento em áreas de crise (oferta reduzida e preços elevados) a entidades jurídicas (empresas e instituições) que possuam mais de 10 habitações.

Os restantes proprietários destas áreas podem aumentar os preços até 10% em relação à última renda do contrato anterior, desde que tenham efetuado obras de remodelação e de melhoramento energético e de acessibilidade nos últimos dois anos.

Como mecanismo de contenção de renda, o texto estabelece também para os novos contratos um desconto geral de 50% no imposto sobre o rendimento pessoal aos senhorios, modulável de acordo com vários critérios, até um máximo de 90% para aqueles que reduzem o preço das suas rendas em 5%.

Com o objetivo de trazer casas vazias para o mercado, é dada às autarquias locais a possibilidade de aplicar uma sobretaxa de até 150% do IMI (imposto municipal sobre bens imobiliários) às casas desocupados sem justificação durante mais de dois anos.

Entre outras medidas para aumentar o parque de habitação social, o texto estabelece a reserva de 30% dos terrenos urbanizados em novos empreendimentos para habitação pública e, desta percentagem, metade para arrendamento, e 10% na reforma ou renovação da urbanização.

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