Projeto desenvolve fachada modular que armazena e produz energia solar

PowerSkin+ está a ser desenvolvido por um consórcio internacional liderado pelo Instituto Pedro Nunes (IPN).
energias renováveis
Foto de Manny Becerra no Unsplash
Lusa
Lusa

Um projeto liderado pelo Instituto Pedro Nunes (IPN), de Coimbra, está a desenvolver uma fachada modular capaz de produzir e armazenar energia solar, ao mesmo tempo que garante um isolamento energético altamente eficiente.

O projeto PowerSkin+, com um orçamento global de seis milhões de euros e apoio da Comissão Europeia, está a ser desenvolvido por um consórcio internacional de vários pontos da Europa e liderado pelo Instituto Pedro Nunes (IPN). Propõe-se criar uma fachada daquilo que acreditam ser “o futuro dos edifícios”, disse à agência Lusa o coordenador do projeto, Jorge Corker.

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Há cerca de 15 dias, a equipa instalou um protótipo na fachada de um dos edifícios do IPN, que será monitorizado e controlado ao longo de um ano para testar a sua eficácia, referiu o também investigador sénior no laboratório de materiais daquela instituição.

O projeto procura que a fachada assegure três valências:

  • um isolamento térmico superior;
  • produção integrada e autónoma de energia limpa com células fotovoltaicas instaladas;
  • e o armazenamento de energia, reutilizando baterias de lítio usadas em carros elétricos.

“Juntámos todas as inovações num único produto. É uma espécie de assemblagem holística naquilo que acreditamos ser o futuro dos edifícios”, vincou Jorge Corker. No caso do isolamento térmico, cuja solução esteve a cargo do IPN, optou-se por desenvolver isolamento “com painéis em vácuo, que já existem no mercado, são altamente eficientes, mas muito caros e produzidos com materiais com uma pegada carbónica muito grande”.

Neste projeto, procurou-se reduzir “o preço dos painéis sem reduzir a performance, utilizando materiais a partir de resíduos de diferentes origens”, aclarou, referindo que a própria inovação está em processo de submissão de uma patente. Já no caso da produção de energia solar, são usados painéis transparentes, que, no verão, permitem absorver qualquer calor e levá-lo para uma bomba de calor que permite aquecer as águas do edifício ou, no inverno, utilizar a radiação para otimizar a geração de calor dentro do edifício.

“A transição energética terá de se centrar nisto: tornar os edifícios mais isolados, com redução de perdas, a descarbonização do próprio consumo com produção de energia limpa e depois medidas de otimização do consumo elétrico dos edifícios”, realçou. No projeto, participam entidades e empresas de países como Alemanha, República Checa, Polónia ou Itália.

Ao longo do projeto, será também avaliado o custo-benefício deste tipo de fachada modular, que apesar de poder ser aplicada em qualquer edifício, foi desenhada e criada a pensar em edifícios comerciais e escritórios. “Não serão soluções baratas, mas acreditamos que poderá ser vantajoso com os ganhos de eficiência energética que os edifícios possam ter na sua operação”, salientou Jorge Corker.

Segundo o responsável, este tipo de solução tanto poderá ser aplicada em novas construções como na reabilitação de edifícios já existentes.

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