Os portugueses vão às urnas este domingo, dia 18 de janeiro, para votar nas eleições presidenciais de 2026. Há 11 candidatos à Presidência da República, que têm uma preocupação comum: resolver a crise de acesso à habitação em Portugal. Mas defendem formas diferentes de solucionar este problema. Descobre quem são os candidatos às eleições presidenciais e o que pensam sobre a habitação neste artigo preparado pelo idealista/news.
No próximo dia 18 de janeiro de 2026, o país é chamado a eleger no próximo Presidente da República, contando com uma lista 11 candidatos validados pelo Tribunal Constitucional. Será eleito o candidato que consiga reunir mais de 50% dos votos validamente expressos, ou seja, que consiga obter maioria absoluta – um cenário que as mais recentes projeções têm descartado.
Tudo indica, assim, que haverá uma segunda volta nas eleições presidenciais de 2026, na qual vão concorrer apenas os dois candidatos mais votados no domingo. Nesta segunda volta agendada para dia 8 de fevereiro (domingo), será eleito como novo Presidente da República o candidato que obtiver maior número de votos.
Para te ajudar a escolher o próximo Presidente da República, que irá suceder a Marcelo Rebelo de Sousa como chefe de Estado e representar o país nos próximos cinco anos, o idealista/news preparou este artigo onde faz um breve retrato de cada candidato a Belém e resume o que defendem na área da habitação e imobiliário. Isto numa altura em que o país está mergulhado numa crise de acesso à habitação pautada por escassa oferta e elevados preços, que tem efeitos sociais, económicos e políticos.
Luís Marques Mendes
Luís Marques Mendes, 68 anos, é o candidato apoiado pelo PSD e pelo CDS-PP. Nasceu em Azurém, Guimarães, em 1957 e licenciou-se em Direito na Universidade de Coimbra. Com 19 anos, ainda estudante, chegou a vice-presidente da Câmara Municipal de Fafe, cidade onde cresceu. Foi deputado, secretário de Estado, ministro e líder do PSD, bem como comentador televisivo na SIC desde 2013 até avançar para a corrida a Belém.
Um dos focos da sua campanha para as eleições presidenciais 2026 é mesmo a habitação. “A minha prioridade neste momento é, por exemplo, a habitação. Em particular para os jovens. No ano de 2001, 64% dos jovens tinham casa própria. Já em 2017, e daí para cá, isto reduziu-se praticamente para 24%”, disse num debate na RTP, apoiando-se num estudo da Fundação Calouste Gulbenkian.
Sobre a atual estratégia do Governo de Montenegro para a habitação, Marques Mendes considera que as medidas são positivas, mas insuficientes. “A estratégia do Governo para acelerar a construção está certa, mas como construir leva anos é preciso encontrar uma solução, entretanto, porque as pessoas não aguentam cinco anos com falta de casa ou nos valores que têm", disse o ex-líder do PSD.
Neste sentido, o candidato a Belém considera que é preciso "mobilizar o mercado de arrendamento enquanto leva tempo a construir novas casas", apelando a que se criem condições de estabilidade e previsibilidade nas regras, para que mais proprietários sejam incentivados a colocar casas para arrendar.
E lembrou também que o Presidente da República não pode resolver o problema da habitação diretamente. “O Presidente tem, sim, um grande espaço de manobra, sobretudo, na capacidade de influenciar a situação e a tomada de decisões”, disse Marques Mendes, recordando que pode fazê-lo em conversas com o primeiro-ministro ou enviando mensagens ao Parlamento, defendendo soluções de consenso em vez de confrontação institucional.
António José Seguro
António José Seguro, 63 anos, é o candidato à Presidência da República apoiado pelo PS. Nasceu em 1962 em Penamacor, é mestre em Ciência Política pelo ISCTE-IUL e licenciado em Relações Internacionais pela Universidade Autónoma de Lisboa. É militante do PS desde jovem, tendo sido membro de vários governos socialistas, deputado da Assembleia da República e do Parlamento Europeu.
Para o candidato a Belém, a habitação é um dos problemas sociais que precisa de resposta. Numa mensagem deixada a propósito do Dia da Implantação da República, 5 de outubro, Seguro criticou as “rendas e preços das casas inacessíveis” que afetam a vida das famílias.
Sobre a demolição de casas precárias (por exemplo em Loures), Seguro apelou a respostas que garantam que as pessoas não fiquem sem teto e que as políticas públicas sejam “decididas com a cabeça, mas executadas com coração” para proteger quem está em situação vulnerável.
Ao longo da sua campanha às eleições presidenciais 2026, Seguro tem sublinhado que o foco da sua candidatura está em resolver problemas reais do país — incluindo habitação — através de diálogo institucional e pressão política, reforçando que os “interesses ficam à porta”. E garantiu que a “revisão constitucional não é uma prioridade do país”, considerando que os partidos devem concentrar-se na resolução dos problemas da saúde e da habitação.
Cotrim Figueiredo
João Cotrim Figueiredo, 64 anos, é o candidato apoiado pela Iniciativa Liberal. Nascido em 1961, em Lisboa, Cotrim Figueiredo licenciou-se me Gestão em Londres e foi gestor maior parte da sua vida até ter tropeçado na política há seis anos. Em 2019, tornou-se no primeiro deputado da Iniciativa Liberal a chegar à Assembleia da República, sendo atualmente deputado no Parlamento Europeu pelo mesmo partido.
Para o candidato presidencial, a crise da habitação em Portugal tem causas estruturais relacionadas com oferta e procura, pelo que a resposta passa por aumentar significativamente a construção de casas no país. “Precisamos construir entre 550 mil e 700 mil fogos novos, mas atualmente erguem-se apenas 20 mil casas por ano”, alertou o ex-líder liberal.
E também rejeitou a ideia de que os estrangeiros ou o Alojamento Local (AL) sejam responsáveis pela escalada dos preços das casas. “Nos últimos dez anos, os estrangeiros que compraram casas em Portugal não chegam a 100 mil, e existem cerca de 92 mil licenças de AL. Num parque habitacional com 6,4 milhões de fogos, isso é uma gota de água”, sustentou.
Embora não possa legislar diretamente, o candidato liberal sublinha que o Presidente da República pode chamar a atenção pública para o tema da habitação e pressionar os órgãos do Governo a agir para resolver o problema. O papel do Presidente deve ser o de “garantir que estes temas não desaparecem do debate público”, afirmou.
André Ventura
André Ventura, 42 anos, é o líder do Chega, partido que ajudou a fundar em 2019. Natural de Algueirão-Mem Martins, concelho de Sintra, Ventura licenciou-se em Direito pela Universidade Nova de Lisboa e doutorou-se na mesma área pela Universidade de Cork, na Irlanda. Tornou-se conhecido por ser comentador desportivo na CMTV e depois por ter sido eleito deputado na Assembleia da República pelo Chega. Já se candidatou à Presidência da República em 2021.
Ao longo da sua campanha, André Ventura tem colocado a habitação como prioridade, apelando a um maior investimento em habitação pública, incluindo para a classe média que enfrenta dificuldades no mercado imobiliário devido aos elevados preços.
Também tem defendido que as despesas com a habitação (como rendas ou crédito habitação) devem ser ter maior dedutibilidade no IRS. “Precisamos de ajudar as pessoas para que as despesas que tenham com habitação possam deduzir mais no IRS. Aquilo que têm hoje para deduzir são uma migalha, quando a despesa das famílias na habitação é uma brutalidade", afirmou Ventura.
André Ventura reconheceu ainda que algumas propostas do Governo para a habitação, nomeadamente sobre a redução da burocracia, estão na direção certa, embora considere que são “absolutamente insuficientes” para enfrentar a crise da habitação de forma eficaz. Recorde-se que o pacote fiscal para habitação do Executivo de Montenegro obteve luz verde no Parlamento na passada sexta-feira, dia 9 de janeiro, graças à abstenção do Chega.
Gouveia e Melo
Henrique Gouveia e Melo, 65 anos, é um candidato independente à Presidência da República. Nasceu em Moçambique e entrou na Escola Naval em 1979. Teve uma longa carreira militar até chegar a chefe do Estado-Maior da Armada em dezembro de 2021. Ficou conhecido por ter coordenado a vacinação durante a pandemia da Covid-19. Atualmente, é almirante na reserva.
Desde cedo que Gouveia e Melo reconheceu a habitação como um dos “problemas graves” da sociedade portuguesa, alertando que a crise habitacional afeta a coesão social. Durante a sua campanha presidencial, o almirante elogiou projetos de construção modular em Lisboa, que apontou como um “sinal de esperança” para enfrentar a crise da habitação.
Sobre o pacote fiscal para a habitação, Gouveia e Melo considerou que o “Governo está no caminho certo”, porque está a promover a construção e ainda incentivar os proprietários a colocarem casas no mercado de arrendamento. “É multifatorial, todas essas coisas têm que ser feitas ao mesmo tempo, e parece-me muito bem que essas coisas sejam feitas porque é um problema que todos nós vamos ter que resolver", acrescentou.
Na área da habitação, o Presidente da República pode “dar foco às boas soluções e dar esperança ao país, porque há soluções que podem resolver o nosso problema", acredita.
António Filipe
António Filipe Rodrigues, 62 anos, candidata-se à Presidência da República com apoio do PCP. Nascido em 1963 na Amadora, distrito de Lisboa, António Filipe é licenciado e doutorado em Direito e conta com uma carreira de quase 50 anos na política, a maioria da qual na Assembleia da República e ao serviço do PCP.
A habitação é um tema que preocupa o candidato António Filipe, considerando inadmissível “que não seja possível em Portugal encontrar uma habitação digna a preços que os salários dos portugueses consigam suportar”, disse citado pela RTP. A chave para resolver a questão passa por "uma forte intervenção pública", nomeadamente "na regulação do mercado de arrendamento, que limite a especulação do aumento das rendas de casa e que garanta alguma estabilidade no arrendamento", disse o candidato apoiado pelo PCP.
Recentemente, António Filipe afirmou que "o futuro dos nossos jovens não pode ser a emigração forçada pelos baixos salários, pela precariedade e pela negação do direito à habitação".
Catarina Martins
Catarina Martins, 52 anos, é a única candidata feminina a Belém e conta com o apoio do Bloco de Esquerda (BE). Nasceu no Porto em 1973, chegou a estudar Direito na faculdade, mas depois mudou de curso para Línguas e Literaturas Modernas. Foi atriz e fundou uma companhia de teatro antes de chegar à política. Já foi líder e deputada pelo BE durante vários anos, representando hoje o partido no Parlamento Europeu.
A eurodeputada bloquista promete ser um “travão de emergência” na crise da habitação caso seja eleita Presidente da República. Catarina Martins considera a habitação uma "questão de regime", porque "as pessoas têm que poder ter acesso à habitação com os salários que ganham", acusando o Governo de agravar o problema, disse citada pela Rádio Renascença.
Sobre o pacote fiscal do Governo aprovado no Parlamento, Catarina Martins confessou ter ficado “chocada” ao ver o “ministro das Finanças a defender que 2.300 euros pode ser uma renda com uma borla fiscal por ser moderada”. E assegurou que não irá promulgar "qualquer diploma que diga que uma renda moderada são 2.300 euros".
Jorge Pinto
Jorge Pinto, 38 anos, é o candidato apoiado pelo Livre, sendo o mais jovem de todos. Nasceu em Amarante, distrito do Porto, em 1987. É licenciado em Engenharia do Ambiente e doutorado em Filosofia Social e Política. Viveu em vários países como Lituânia, Índia, França, Itália e Bélgica. Ajudou a fundar o Livre, em 2014, depois de ter sido militante do PS.
Na sua mensagem de Ano Novo, Jorge Pinto afirmou que em Portugal “temos de ser capazes de finalmente concretizar o direito à habitação a um preço digno que as pessoas possam pagar”, indicando que quer ser o Presidente da “esperança e otimismo”.
Se for eleito Presidente da República, Jorge Pinto promete reunir-se com o Governo, autarquias e Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) para elaborar um inventário completo de terrenos e edifícios públicos que possam ser usados para “criar habitação pública de qualidade a preço acessível”, cita o jornal As Beiras.
Na sua campanha, o candidato presidencial apoiado pelo Livre sugeriu também que o Chefe de Estado pode convidar o poder político e os cidadãos a “voltarem a pensar nas cooperativas de habitação”, lembrando que este modelo já serviu para responder aos “problemas trágicos” que surgiram no após o 25 de Abril, refere o mesmo jornal.
André Pestana
André Pestana, 48 anos, é um candidato independente à Presidência da República. Natural de Coimbra, André Pestana ficou conhecido pelas greves nas escolas em 2022/2023, enquanto rosto do Sindicato de Todos os Profissionais da Educação (S.T.O.P.). É professor de Biologia e Geologia e passou pela Juventude Comunista Portuguesa (JCP), pelo BE e mais tarde pelo MAS, tendo, depois, interrompido a militância partidária.
A habitação tem surgido no discurso de André Pestana não como um problema isolado, mas como parte de um conjunto de direitos sociais que deveriam ser garantidos pelo Estado (incluindo saúde, educação e trabalho digno). “Temos milhares e milhares de salários, dos nossos cidadãos (…) que não permitem ter uma alimentação e uma habitação digna”, disse citado pela RTP.
Pelo direito à habitação, André Pestana defende “habitação social com rendas acessíveis para todos, tabeladas a um máximo de 30% de taxa de esforço, face aos respetivos salários/rendimentos”, lê-se no seu programa.
Se for eleito Presidente da República, André Pestana admite que priorizava a Constituição, considerando que o Estado tem a obrigação de garantir habitação.
Humberto Correia
Humberto Correia, 65 anos, é pintor e candidato independente a Belém. Nascido em 1961 no concelho de Olhão, distrito de Faro, onde reside, Humberto Correia esteve emigrado em França, onde trabalhou cerca de uma década em várias fábricas e 15 anos na construção civil. Regressou a Portugal em 2003 e dedicou-se a pintar quadros na rua, na baixa de Faro, durante 20 anos. Em 2017 foi candidato à Câmara Municipal de Faro.
Para Humberto Correia, atual crise da habitação é "o maior problema” do país. “As pessoas, mesmo a trabalhar, não conseguem pagar uma renda de casa. Aliás, não é um problema, é um desastre”, alertou. Se for eleito em 18 de janeiro, quer “impor o cumprimento do artigo 65 da Constituição, que é sobre a habitação”.
Humberto Correia defende mais habitação social construída pelo Estado. “Se for eleito, o Governo, seja qual for a sua cor política, terá de construir 100 mil habitações sociais por ano”, destinadas aos jovens, mães solteiras, vítimas de violência doméstica e pensionistas com rendimentos baixos, precisou. As rendas teriam valores consoante a dimensão, com uma casa de 30 metros quadrados (m2) a custar 90 euros mensais e uma de 80 m2 a custar 240 euros.
Questionado quanto à possibilidade solicitar ao Governo a execução desta proposta caso seja eleito, Humberto Correia afirmou que "o Presidente tem o que se chama a magistratura de influência e a comunicação social", e serão esses "os dois pilares" que permitirão fazer pressão para que a medida se concretize.
Manuel João Vieira
Manuel João Vieira, 63 anos, é músico e artista plástico, sendo candidato independente à Presidente da República. Figura conhecida do entretenimento há várias décadas, nasceu em 1962, em Lisboa, estudou Ilustração na Fundação Calouste Gulbenkian e licenciou-se na Faculdade de Belas Artes de Lisboa em 1988. Foi líder dos Ena Pá 2000, banda caracterizada pelo humor absurdo, que também usa na sua campanha.
Na sua visão, política e a arte deviam estar mais unidas. E é talvez por isso que Manuel João Vieira tem vindo a adotar um discurso entre o sério e satírico, insistindo na promessa de "só desistir se for eleito". Entre as propostas que apresenta, Vieira promete vinho canalizado em todas as casas e fontes de bagaço nas ruas, patinadoras russas para todos os homens, dançarinos cubanos para todas as mulheres e um Ferrari para cada português.
Num debate centrado na habitação na Antena 1, Manuel João Vieira afirmou que “o país precisa de mais espontaneidade” e vincou que a sua inexperiência “é a mais alta qualificação para governar”. Num tom mais sério, o candidato admitiu que o Estado deve garantir o direito à habitação a todos os portugueses.
*Com Lusa
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