A ideia da habitação colaborativa, ou coliving, deixou de ser "uma moda importada" para entrar, em 2025 e 2026, no centro de um debate maior: a crise da habitação, mobilidade profissional, trabalho híbrido e até solidão urbana. Mas, do lado do Governo da AD, a mensagem é clara: o coliving está a ser considerado na revisão da normativa, só que não está no topo da lista de urgências em termos de políticas de habitação. Em conversa com o idealista/news, no primeiro dia da Semana de Reabilitação Urbana de Lisboa (SRU), a secretária de Estado da Habitação, Patrícia Gonçalves Costa, explicou que a prioridade continua a ser desbloquear o essencial: "Pôr casas reais a servir famílias reais, já, e em escala".
À margem do evento que conta com o idealista como portal oficial, a governante adiantou que o Governo de Luís Montenegro "continua a trabalhar" para robustecer políticas e regras, incluindo a revisão de standards através do Regulamento Geral das Edificações Urbanas (RGEU), precisamente para responder às novas necessidades de habitar a casa e a cidade, nomeadamente "habitação colaborativa, cooperativas de habitação, habitação sénior, residências para estudantes".
O coliving funciona como uma "habitação partilhada profissionalizada": quarto ou estúdio privado, serviços incluídos, e áreas comuns (cozinhas, salas, lavandarias e muitas vezes cowork), com contratos mais flexíveis do que o arrendamento tradicional, mas mais estáveis do que o alojamento de curta duração .
Apesar de ser um formato que responde a necessidades atuais de alojamento temporário e mobilidade profissional, Patrícia Gonçalves Costa é pragmática: "O nosso foco aqui tem que ser nos contratos de arrendamento que permitam um equilíbrio e uma sensação de confiança para as famílias".
Nova lei do arrendamento urbano e alterações ao licenciamento no topo das prioridades do Governo
Nesse sentido, o Executivo está a trabalhar numa nova lei do arrendamento urbano, que deverá ir a Conselho de Ministros já em março, cujo objetivo é devolver confiança aos proprietários, criar estabilidade contratual e aumentar a oferta de casas para arrendar, num país onde milhares de fogos permanecem vazios por falta de segurança jurídica. O diploma integra o pacote de medidas do programa “Construir Portugal” e surge como o terceiro eixo de uma estratégia assente na fiscalidade, na simplificação do licenciamento e na estabilização do mercado de arrendamento.
Por outro lado, a secretária de Estado considera que a "urgência social", atualmente do país, em termos de habitação obriga a acelerar a oferta de casas no mercado, também por via da agilização dos licenciamentos urbanísticos. "E esse é um trabalho que está a ser feito em parceria com as autarquias", tal como frisou na sessão de abertura da 13ª edição da SRU Lisboa, a decorrer esta semana.
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