Remax, Century 21, ERA, Keller Williams e Zome com novos recordes de faturação. Mais casas houvesse, mais se vendiam.
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Mediação imobiliária em Portugal
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Em 2025, a procura de casa manteve-se consistente em Portugal, apesar dos elevados preços da habitação que continuam a subir, fomentada pelos incentivos à compra - apoios aos jovens e taxas de juro mais baixas no crédito habitação. Isso mesmo indicam os dados mais recentes de cinco das principais mediadoras imobiliárias a operar no país, que com um número de transações e volume de investimento a subir, alimentados por clientes portugueses e estrangeiros de vários segmentos, viram a faturação a acelerar no ano passado face a 2024. Isto num momento em que a falta de oferta de habitação para as famílias é a grande questão de base apontada pelo setor, e um dos principais problemas do país.

As contas anuais confirmam que o negócio da mediação imobiliária continuou robusto e de boa saúde em 2025, em linha com a trajetória de crescimento dos últimos anos. Para ajudar a entender estes resultados, resumimos nos próximos parágrafos algumas das principais ideias – e números consolidados – que o idealista/news recebeu na caixa de correio eletrónico, via comunicado, das mediadoras imobiliárias Remax Portugal, Century 21 Portugal, ERA Portugal, Keller Williams (KW) Portugal e Zome.

Prego a fundo na faturação em 2025

Vamos aos números: a Remax revela que encerrou o ano de 2025 com um volume de preços na ordem de 8,67 mil milhões de euros, um aumento de 21,7% face ao período homólogo. Também o volume de transações cresceu 7,7%.

Já a Century 21 fez, no ano passado, 21.193 transações de compra e venda, um aumento de 10% face a 2024, e 5.604 arrendamentos, mais 3% relativamente ao ano anterior. O volume de negócios superou os 5,31 mil milhões de euros e a faturação atingiu 149,85 milhões de euros, correspondendo a crescimentos de 23% e 28%, respetivamente.

No caso da ERA, a faturação total superou os 126 milhões de euros (+24% face a 2024), tendo 2025 sido o melhor ano de sempre da marca no país. Só nos últimos três meses do ano a rede faturou 36 milhões de euros (28,3% do total anual), e dezembro, com uma faturação de 13 milhões de euros, foi mesmo o melhor mês de sempre da empresa. Foram, ao todo, mais de 13.000 negócios realizados (aumento de 11% face a 2024) e o valor global dos negócios transacionados ultrapassou 2,5 milhões de euros, registando um crescimento de 30% em relação a 2024.

Igualmente expressivo é o balanço feito pela KW, que viu a faturação crescer 18% no ano passado, para 86 milhões de euros, um novo máximo a nível nacional. A KW Portugal informa que realizou 14.500 transações, mais 10% que em 2024.

A Zome também encerrou 2025 em alta, com um volume de negócios de 2.276 milhões de euros, um crescimento de cerca de 26% face a 2024. A mediadora concretizou, entre janeiro e dezembro, 11.320 transações, o que corresponde a um crescimento de cerca de 12% face ao ano anterior, e realizou 11.354 angariações, mais 11,1% comparativamente com 2024. A faturação atingiu 53,1 milhões de euros, refletindo um crescimento superior a 30% face ao ano anterior.

Comprar casa em Portugal
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Quanto custaram, em média, as casas transacionadas?

Os dados revelados pelas mediadoras imobiliárias permitem retirar ainda outras conclusões, nomeadamente sobre o preço médio de venda das casas transacionadas em 2025: na Century 21 subiu de 225.464 euros para 278.954 euros; na ERA fixou-se em 235.000 euros (+17% face a 2024); na KW atingiu os 335.000 euros, traduzindo um crescimento de 12%; na Zome situou-se nos 261.351 euros, registando uma evolução positiva face a 2024, com subidas ligeiras e consistentes ao longo do ano, embora sem variações abruptas. 

Sobre o mercado de arrendamento, há ainda um longo caminho a percorrer, havendo (também) pouca oferta. A Century 21 informa, a este respeito, que os contratos cresceram até ao verão, passando de 1.293 no primeiro trimestre para 1.516 no terceiro (+17,2%), mas recuaram para 1.422 no último trimestre (-6,2%), acompanhando o ambiente de maior prudência e ajustamento entre oferta e procura.

Portugueses são os principais compradores de casas?

Os portugueses foram responsáveis, em 2025, por 78,3% das transações realizadas na Remax, quer na compra quer no arrendamento de imóveis, tendo sido realizados negócios com 114 nacionalidades diferentes, mais seis que em 2024. Em destaque estiveram os clientes brasileiros, com 7% do volume total de transações, angolanos (1,7%), norte-americanos (1,5%), franceses e ucranianos (0,9% cada). 

Um cenário, de resto, semelhante ao verificado na Zome, que adianta que a proporção entre clientes nacionais e estrangeiros se manteve praticamente inalterada no ano passado. Ou seja, houve mais compradores nacionais, sendo que apenas 13,1% foram estrangeiros, com destaque para os mercados dos EUA, Norte da Europa e Ásia.

As outras três imobiliárias não fazem referência, nos comunicados enviados, a este tema.

Negócio da mediação imobiliária em Portugal
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Mediação imobiliária: há mais lojas e agentes no mercado

É mais um indicador que mostra que o negócio da mediação imobiliária está de boa saúde. Falamos da abertura de novas lojas/agências e da entrada no mercado de novos profissionais do setor. As informações divulgadas por quatro das cinco mediadoras falam por si:

  • Remax: equipa comercial aumentou, passando de 10.818 em 2024 para 11.350 em 2025, num total de mais de 12 mil profissionais da rede. Quanto ao número de agências, registou-se um incremento de cerca de 2,4% (422 em 2025 e 412 em 2024);
  • ERA: passou a contar, em 2025, com mais de 3.300 colaboradores, um crescimento de 47,4% face ao ano anterior. Um novo máximo que está ligado à capacidade de retenção, visto que o número de colaboradores que saíram da rede foi 20% inferior ao registado em 2024. Sobre a expansão da rede, nomeadamente sobre o número de novos contratos de franquia assinados, cresceram 23% face a 2024;
  • Keller Williams: abriram cinco novos Market Centers, em São Miguel (Açores), Castelo Branco, Linda-a-Velha, Lisboa Oriental e Loures, alargando a cobertura territorial da rede e consolidando uma estratégia de escala, assente em menos centros, maiores e orientados para a concentração de talento e resultados. O programa Growth Share, modelo de partilha de resultados da empresa, distribuiu 1,6 milhões de euros pelos consultores em 2025;
  • Zome: abriram novas unidades em Penafiel, Vila Nova de Famalicão, Felgueiras, Braga, Vila Real, Porto, Paços de Ferreira, Chaves, Estarreja, Lisboa Lumiar, Carcavelos e Fafe, e houve uma aposta forte na formação, através da Zome Academy, com academias presenciais Evolution realizadas em todo o país e conteúdos formativos online, totalizando mais de 225.000 horas de formação. A empresa prevê incorporar, este ano, cerca de 750 profissionais em Portugal.

Um problema antigo chamado… escassez de oferta

Mediação imobiliária em Portugal
Manuel Alvarez (Remax), Marco Tairum (KW), Ricardo Sousa (C21), Rui Torgal (ERA) e Carlos Santos (Zome) Créditos: Remax | KW | idealista/news | Zome

Manuel Alvarez, presidente da Remax Portugal, enaltece o facto da imobiliária ter mantido “um crescimento sustentado, num contexto de recuperação gradual da capacidade de compra das famílias, impulsionada pela descida das taxas de juro”, e deixa um aviso: “A escassez de oferta, sobretudo nos segmentos intermédios, continuou a limitar o potencial do mercado. Ainda assim, registámos uma maior participação de jovens compradores, sinal claro de confiança no futuro e de renovação da procura”. 

Para 2026, estabilização é palavra de ordem. “Não antecipamos uma aceleração significativa, mas também não identificamos sinais claros de correções estruturais”. E aponta à aposta constante na inovação como fator diferenciador. 

Do lado da Century 21 Portugal, o CEO Ricardo Sousa adianta que a procura se mantém “forte e consistente”. E acrescenta: “O que se alterou foi a capacidade de concretização das transações, num contexto em que o poder de compra condiciona as decisões. Os dados do último trimestre confirmam um abrandamento homólogo do mercado, mas não uma quebra estrutural da procura”. 

Rui Torgal, CEO da ERA Portugal, enaltece a performance da mediadora, salientando que o ano de 2025 foi “absolutamente extraordinário”. “Batemos novamente todos os recordes desde que estamos no mercado, com crescimentos muito acima da média do setor”, comenta, afirmando estar muito animado “com o que ainda está para vir”. 

Marco Tairum, CEO da KW Portugal, destaca o facto de os resultados refletirem o foco contínuo nas pessoas, sendo a empresa criada por consultores para consultores. “O nosso crescimento só é possível porque investimos de forma consistente na formação, na tecnologia e num modelo de negócio que coloca o consultor no centro. O Growth Share é um exemplo claro da nossa cultura de partilha – só em 2025 distribuímos 1,6 milhões de euros pelos associados. Queremos que cada consultor sinta que cresce connosco e que participa diretamente no sucesso da empresa”, sustenta.

Por fim, Carlos Santos, CEO da Zome, exalta a estratégia da empresa, “muito focada em tecnologia, automação e Inteligência Artificial (IA), mas sobretudo nas pessoas”. “Investimos fortemente na formação, na produtividade e na criação de condições para que os consultores consigam fazer mais e melhor, mesmo num contexto exigente. É este equilíbrio entre inovação, talento e visão de longo prazo que nos permite preparar uma nova fase de expansão, incluindo a internacionalização já em 2026”, remata.

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