Venda de casas em Portugal a não residentes está a descer há 3 anos

Quem vive fora da fronteira europeia adquire habitações no país pelo dobro do preço dos residentes, revela o INE.
Compra de casas em Portugal por não residentes
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A venda de casas em Portugal a quem vive fora do território nacional (estrangeiros e emigrantes portugueses) está em queda há três anos seguidos. Mas estes compradores não residentes continuam a adquirir habitações bem mais caras do que quem mora no país – alguns pagam mesmo o dobro. O Algarve e o Norte são as regiões onde os não residentes compram mais casas, segundo revela o Instituto Nacional de Estatística (INE).

Quem tem domicílio fiscal em Portugal (portugueses e imigrantes) comprou um total de 161.341 casas no país em 2025, mais 10,1% em relação ao ano anterior. “Este registo representa 95,0% do número total de transações (+1,3 pontos percentuais face a 2024), o peso relativo mais elevado da série iniciada em 2019”, destaca o INE. Estas vendas de casas somam 37,8 mil milhões de euros, representando 91,8% do total (o peso mais elevado em seis anos).

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Já quem vive fora do território nacional (estrangeiros e emigrantes portugueses) protagonizou a aquisição de 8.471 habitações durante o ano passado, menos 13,3% face ao ano anterior, sendo esta a terceira redução anual consecutiva. Estas operações movimentaram 3,4 mil milhões de euros, indica no boletim divulgado esta segunda-feira, dia 23 de março. 

Entre os compradores não residentes em território nacional, foi mesmo quem vive além das fonteiras europeias que registou um maior decréscimo de transações residenciais:

  • Compradores a viver num país da União Europeia (UE), exceto Portugal: compraram 4.416 habitações (-9,6% que em 2024);
  • Compradores a viver fora da UE: adquiriram 4.055 alojamentos (-17,1% face a 2024). 

Estas quedas na compra de casas por não residentes podem ser explicadas por, hoje, existirem menos incentivos fiscais, perante o fim do vistos gold para investimento imobiliário no final de 2023 e a revogação do regime de residentes não habituais, que foi substituído por outro mais restrito em 2024.

Mas quem vive fora de Portugal continua a comprar casas bem mais caras do que os residentes no país, sugerindo que nos países onde residem há maior poder de compra. Quem vive na UE compra casas 43% mais caras do que quem mora no país luso. E os residentes fora das fronteiras europeias compram casas pelo dobro do preço.

“Em média, em 2025, o valor das transações por compradores com domicílio fiscal no território nacional correspondeu a 234.120 euros, abaixo do valor médio apurado para os compradores com domicílio fiscal União Europeia (335.640 euros) e restantes países (470.277 euros)”, revela o instituto. 

Mas onde é que estes cidadãos não residentes em Portugal compraram mais casas no país? O Algarve está em primeiro lugar (29,7% das transações), seguido do Norte (20%, o valor mais elevado desde 2019), Centro (14,9%) e Grande Lisboa (12,5%).

Já considerando o valor das transações protagonizadas por quem vive no estrangeiro, “a predominância do Algarve foi mais expressiva, concentrando 42,4% do total, seguindo-se a Grande Lisboa com 22,2% e o Norte com 12,1% do total”.

Face ao ano anterior, o Algarve e o Norte foram os protagonistas dos maiores aumentos relativos quanto ao número de transações (+2,4 p.p. e +2,0 p.p., respetivamente) e em valor (+4,0 p.p. e +1,6 p.p., pela mesma ordem). “Em contrapartida, a Grande Lisboa foi a região em que se registaram as maiores reduções das respetivas quotas regionais, com menos 2,8 p.p., em número e menos 5,7 p.p., em valor), lê-se ainda no boletim.

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