O ano de 2025 foi marcado por um contexto favorável à compra de casa em Portugal, perante ofertas de crédito habitação acessíveis, emprego estável e apoios aos jovens. E os resultados estão à vista. Durante o ano passado, foram vendidas 169.812 habitações, o maior valor de sempre. E os preços das casas aumentaram 17,6%, um novo máximo histórico, revela o Instituto Nacional de Estatística (INE). Afinal, os incentivos à procura de casa superaram os existentes para criar mais oferta residencial, que é escassa no país.
Ao longo de 2025, continuou-se a observar uma “uma dinâmica de crescimento dos preços das habitações transacionadas”, que acabou por se refletir nos resultados anuais. O INE revela que o Índice de Preços da Habitação (IPHab) aumentou 17,6% em 2025, tratando-se da variação média anual “mais elevada na série disponível” que remonta a 2009. Face ao ano anterior, os preços das casas aceleraram o aumento em 8,5 pontos percentuais (p.p.).
Foi mesmo no final de 2025 que a subida dos preços das casas em Portugal atingiu o seu auge, registando uma subida anual de 18,9%, mais 1,2 p.p. acima do observado no trimestre anterior. Esta evolução “corresponde ao crescimento de preços mais expressivo da série disponível e o sétimo trimestre consecutivo com uma aceleração dos preços”, lê-se no boletim divulgado esta segunda-feira (dia 23 de março).
Em todos os trimestres do ano passado, o aumento dos preços das casas usadas foi sempre superior à subida dos preços das casas novas, revelando um efeito contágio:
- Casas usadas: o crescimento anual dos preços foi de 18,9% (subida de 20,9% no último trimestre do ano, a maior registada);
- Casas novas: subida anual dos preços foi de 14,2% (no último trimestre foi de 13,7%, a menos expressiva observada em 2025).
Depois de atingirem máximos devido ao maior desequilíbrio entre oferta e procura de habitação, os especialistas ouvidos pelo idealista/news temem que os preços das casas no país possam continuar a subir de forma acelerada, com a nova pressão sobre os custos da construção de habitação e potenciais travões aos novos empreendimentos antecipados como impactos da guerra no Irão, que está a fazer escalar os preços da energia em Portugal e no mundo.
Venda de casas atinge recorde anual ...
A compra de casas em Portugal atingiu um novo máximo histórico na série disponível pelo INE em 2025. E esta dinâmica pode ser explicada pela conjugação de vários fatores, como a estabilidade no mercado de trabalho (baixos níveis de desemprego), ofertas de crédito habitação atrativas e acessíveis (com juros pouco acima de 2%) e apoios públicos aos jovens até aos 35 anos na compra da sua primeira habitação (isenção de IMT e garantia pública).
“Em 2025, foram transacionadas 169.812 habitações, o que representa um aumento de 8,6% relativamente a 2024 e o registo mais elevado da série disponível”, realça o instituto. Estas vendas de casas movimentaram um total de 41,2 mil milhões de euros, mais 21,7% face ao ano anterior, tratando-se também de um valor recorde.
Foram vendidas mais casas usadas do que novas ao longo de 2025 (representam 80,2% do total de transações), acabando por mexer mais capital no país:
- Casas usadas: foram vendidas 136.245 habitações existentes (mais 9,5% num ano), movimentando 30,5 mil milhões de euros (+25%);
- Casas novas: foram transacionadas 33.567 habitações novas (+5,3%) por um valor de 10,7 mil milhões de euros (+13% face a 2024).
A nível geográfico, foi a região Norte que registou o maior número de transações (mais de 50 mil), seguida da Grande Lisboa (31.762) e do Centro (31.762). “A Grande Lisboa, com um total de 12,4 mil milhões de euros, concentrou 30,1% do valor das transações de alojamentos realizadas em 2025”, seguida do Norte (25,6%, 10,5 mil milhões de euros) e do Algarve (11,2%, 4,6 mil milhões de euros), refere o boletim.
No ano de 2025, a grande maioria das casas foi comprada por famílias (148.632 fogos, mais 10,5% face a 2024), “representando 87,5% do total das vendas, mais 1,4 p.p. relativamente ao ano anterior e o registo mais elevado desde 2019”. “Em valor, as vendas de alojamentos às famílias cresceram 24,4%, para um total de 35,7 mil milhões de euros, 86,8% do total (+1,8 p.p. que em 2024)”, revela o INE.
Também foram os compradores residentes em Portugal que protagonizaram a maioria das transações de casas ao longo do ano passado: 161.341 unidades, mais 10,1% face ao ano passado, movimentando um total de 37,8 mil milhões de euros. “Este registo representa 95,0% do número total de transações (+1,3 p.p. face a 2024), o peso relativo mais elevado da série iniciada em 2019”, informa.
Já no que diz respeito aos compradores com residência fiscal no estrangeiro, o INE destaca que houve uma redução do número de transações pelo terceiro ano consecutivo (menos 13,3%, fixando-se em 8.471 unidades). Note-se que no final de 2023 foi o fim dos vistos gold para investimento imobiliário e no início de 2024 entraram em vigor novas regras mais restritas para residentes não habituais.
Esta redução de venda de casas em Portugal a estrangeiros foi observada nas duas categorias de compradores:
- Compradores com residência num país da União Europeia (UE): contabilizou 4.416 vendas de casas (-9,6% que em 2024);
- Compradores com residência fora da UE: compraram 4 .55 alojamentos, menos 17,1% face a 2024.
Tal como se tem observado, os estrangeiros tendem a comprar casas a preços mais elevados no nosso país. “Em média, em 2025, o valor das transações por compradores com domicílio fiscal no território nacional correspondeu a 234.120 euros, abaixo do valor médio apurado para os compradores com domicílio fiscal UE (335.640 euros) e restantes países (470.277 euros)”, detalha o gabinete.
... mas final de 2025 traz contração na compra de habitação
Embora os resultados anuais tenham revelado recordes na venda de casas em Portugal, nos últimos três meses de 2025 registou-se uma redução homóloga no número de transações de 4,7%, para 43.084 unidades. Esta foi “a primeira vez, desde o primeiro trimestre de 2024, que se regista uma contração no número de transações em termos homólogos”, assinala o INE. Esta redução foi mais expressiva na venda de casas novas (-5,4%) do que nas casas usadas (-4,5%).
No último trimestre de 2025, as casas vendidas no país totalizaram 10,8 mil milhões de euros, mais 5,9% que no mesmo trimestre do ano anterior, o que pode ser explicado pela subida dos preços. Enquanto o valor transacionado cresceu 9,7% nas casas usadas, desceu nas 3,7% habitações novas.
Foram as famílias que compraram a maioria das casas no fim de 2025 (um total de 37.459 unidades, menos 3,6%), movimentando a maioria do valor transacional (9,3 mil milhões de euros, mais 8,2%). E também foram as famílias com residência no país que adquiriram mais habitações (41.037), embora com uma redução homóloga de 3,7%.
“Quanto aos compradores com domicílio fiscal fora do território nacional, contabilizaram-se 2.047 transações (-20,9% em termos homólogos), das quais 1.046 corresponderam à categoria União Europeia e 1.001 aos restantes países. Em ambos os casos, observaram-se reduções homólogas no número de transações, respetivamente, -18,0% e -23,7%”, lê-se no boletim.
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