Nada parece travar o interesse dos estrangeiros pelo imobiliário em Portugal. Mesmo depois do fim dos vistos gold para investimento imobiliário no fim de 2023, os cidadãos internacionais investiram 3.905 milhões de euros no mercado imobiliário do nosso país em 2025, mais 10% face ao ano anterior e um novo máximo registado pelo Banco de Portugal (BdP).
O investimento em imobiliário parece estar em contra-ciclo e a ganhar peso. Isto porque este tipo de investimento aumentou 10,4% no último ano, enquanto o total de investimento direto estrangeiro (IDE) em Portugal caiu 34,9% em 2025, para 8.510 milhões de euros, mostram os dados do BdP divulgados na semana passada.
Perante esta evolução, o imobiliário passou a representar 45,9% do investimento direto estrangeiro no país, sendo este o maior peso de sempre, segundo analisa o Expresso. No ano passado, o imobiliário representava apenas 27,1% deste total e há dez anos 19,3%. O ano em que o imobiliário teve menos expressão no capital estrangeiro alocado ao país foi em 2012, pesando apenas 6,7%.
Olhando para o total de investimento direto estrangeiro, o supervisor bancário informa que os países europeus foram os que mais investiram em Portugal no ano passado (5.775 milhões de euros), com destaque para Luxemburgo (1.100 milhões de euros), Reino Unido (cerca de 900 milhões de euros) e Alemanha (800 milhões de euros).
O BdP destaca, no entanto, que há países que servem como intermediários, como os Países Baixos, Luxemburgo e Espanha, pelo que “o valor do investimento direto em Portugal na perspetiva do investidor final é inferior ao observado na ótica da contraparte imediata”. Estes países são usados como intermediários por França, EUA e Reino Unido, por exemplo, para os quais o valor do investimento em Portugal será superior.
A nível geográfico, a Grande Lisboa foi a região que concentrava o maior valor de IDE: 113,2 mil milhões de euros em 2025, seguida do Norte, com 37,2 mil milhões de euros e o Algarve, com 21,7 mil milhões de euros. “Estas regiões representavam, no seu conjunto, 80,5% do total do stock de IDE em Portugal”, anota o supervisor bancário.
Como ficou o investimento direto de Portugal lá fora?
As transações de investimento direto de Portugal no exterior totalizaram 6.704 milhões de euros (7.593 milhões de euros em 2024). O valor do investimento direto de Portugal no exterior é explicado pelo investimento no capital de entidades não residentes (cerca de 4.200 milhões de euros) e pelo investimento próximo de 2.500 milhões de euros em instrumentos de dívida.
O investimento também foi realizado maioritariamente em entidades residentes no continente europeu, somando 5.838 milhões de euros, destacando-se o investimento nos Países Baixos (cerca de 2.300 milhões de euros), Espanha (1.700 milhões de euros) e França (600 milhões de euros).
Tendo em conta estas transações, no final de 2025, o stock de investimento direto estrangeiro em Portugal era de 213.731 milhões de euros, contra 201.384 milhões de euros um ano antes, chegando ao equivalente a 70% do PIB português.
Já o stock de investimento direto de Portugal no exterior avançou 9,2% para 78.620 milhões de euros, valor próximo de 26% do PIB português.
Os dados divulgados na semana passada pelo regulador acrescentam que os rendimentos de propriedade pela detenção de capital resultaram em rendimentos de investimento direto estrangeiro pagos a não residentes de 13.400 milhões de euros – superiores em cerca de 1.400 milhões de euros a um ano antes – e os de investimento português no estrangeiro de 5.400 milhões de euros, um valor semelhante ao de 2024.
*Com Lusa
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