Lagarde defende taxas de juro como principal instrumento do BCE

Presidente do regulador da zona euro diz que é possível ajustar taxas "de forma proporcionada, calibrando-as em função dos choques".
Lagarde
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Lusa
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A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, defendeu que a política monetária pode "regressar ao essencial" com as taxas de juro como principal instrumento, ainda que num contexto diferente marcado por vários choques à economia.

"Já não precisamos de recorrer a instrumentos não convencionais", mas sim ter o foco na "estabilização da inflação com as taxas de juro diretoras como principal instrumento", disse, no discurso de abertura do Fórum BCE, que decorreu esta semana em Sintra, Portugal.

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Para Lagarde, é possível ajustar as taxas de juro "de forma proporcionada, calibrando-as em função dos choques", não sendo necessárias "formas complexas de indicações sobre a orientação futura da política monetária".

Este "regresso ao essencial" defendido pela responsável do BCE surge numa altura em que os juros já estão mais longe do limite inferior, e os choques têm maior probabilidade de afetar o lado da oferta do que o lado da procura.

Além disso, a Europa construiu um quadro de políticas em resposta às crises que tornou a economia mais resiliente a choques, considerou, reduzindo a necessidade de respostas não convencionais ou vigorosas a nível de políticas, argumentou.

BCE subiu taxas em junho

A transmissão dos choques à economia real também tem sido mais controlada, nomeadamente com a transição para energias limpas, já que nos países com percentagens mais elevadas de eletricidade hipocarbónica, "os preços por grosso da eletricidade estão cada vez mais dissociados dos preços do gás", disse Lagarde, destacando os exemplos de Portugal e Espanha.

Assim, neste enquadramento, "criou-se o espaço para que a política monetária regresse ao essencial", defendeu a líder do BCE, tendo em conta "a estabilização da inflação, com as taxas de juro diretoras como principal instrumento, uma atuação ponderada e a tomada de decisões reunião a reunião".

Contudo, Lagarde destacou que não é tudo igual ao passado, sendo que a frequência de grandes choques "parece estar a aumentar", estes assumem formas diferentes e são também de mais "rápido desvanecimento".

Recorde-se que na última reunião, em 11 de junho, o BCE decidiu subir as taxas de juro em 25 pontos base, para 2,25%, naquele que foi o primeiro aumento das taxas diretoras em quase três anos, desde setembro de 2023.

O Fórum é um evento anual organizado pelo BCE e realizado em Sintra, que reúne governadores de bancos centrais, académicos e representantes do mercado financeiro. Este ano, tem como tema “Moldar o futuro da Europa: inovação, crescimento e estabilidade”.

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