Economista-chefe do BCE abre a porta a nova subida de juros

Philip Lane admite que a taxa de juro neutra poderá situar-se num máximo de 2,5%, abrindo a porta a um novo aumento de 25 pontos base.
Juros do BCE a subir
GTRES

O economista-chefe do Banco Central Europeu (BCE), Philip Lane, admitiu que o limite superior do intervalo da taxa de juro neutra que não trava nem estimula a economia aumentou de 2,25% para 2,5%, o que significa que a autoridade monetária dispõe ainda de margem para novas subidas de juros sem comprometer o crescimento.

Neste enquadramento, o responsável do BCE sustentou que a decisão de aumentar as taxas em 0,25 pontos percentuais, anunciada na semana passada, não colocou a economia numa fase restritiva. O Conselho do BCE decidiu, em concreto, elevar a taxa de depósitos (DFR) para 2,25%, naquela que foi a primeira subida do preço do dinheiro desde setembro de 2023.

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“Na semana passada endurecemos a política monetária a partir de uma posição claramente neutra”, afirmou Lane num evento promovido pelo Deutsche Bank, em declarações recolhidas pela Bloomberg. “Analisámos vários modelos de neutralidade e entendemos que o limite superior desse intervalo subiu de 2,25% para 2,5%". 

Lane deixou assim em aberto a possibilidade de o BCE voltar a subir o preço do dinheiro sem comprometer os objetivos de crescimento, num contexto ainda marcado por uma inflação persistente. O economista-chefe da instituição considera, contudo, que os preços do petróleo não deverão regressar aos níveis anteriores ao eclodir do conflito no Irão.

“Embora o preço do petróleo esteja agora a descer, acreditamos que os preços dos alimentos irão subir, tal como os dos bens e serviços. Por isso, entendemos que a dinâmica inflacionista global será marcada por um período prolongado de inflação acima da meta”, afirmou Philip Lane na semana passada, num evento organizado pela Reuters. As estimativas apontam para um preço do barril entre 70 e 80 dólares.

As mais recentes projeções do BCE apontam para uma taxa de inflação de 3% em 2026, 2,3% em 2027 e 2% em 2028. Já o PIB deverá crescer 0,8% em 2026, 1,2% em 2027 e 1,5% em 2028. As previsões traduzem uma revisão em alta da inflação e em baixa do crescimento, pelo menos até 2027, “devido a um impacto mais pronunciado da guerra nos mercados de matérias-primas, nos rendimentos reais e na confiança”, segundo os economistas do banco central. “As perspetivas mantêm-se incertas, com riscos em alta para a inflação e em baixa para o crescimento”, acrescentam.

Neste cenário, Lane garantiu que o BCE “fará o que for necessário” para assegurar a meta de inflação nos 2% e classificou as perspetivas económicas como “estáveis”, ainda que as projeções tenham sido divulgadas antes de ser conhecido o acordo entre os EUA e o Irão para cessar as hostilidades.

“A história ainda não terminou”

No dia 15 de junho, a presidente do BCE, Christine Lagarde, saudou o anúncio do fim do conflito entre os EUA e o Irão, mas alertou que os seus efeitos poderão prolongar-se.

Lagarde considerou “uma boa notícia” o acordo para pôr termo à guerra e reabrir o Estreito de Ormuz, ponto estratégico para a circulação mundial de petróleo e gás, mas advertiu que “a história ainda não terminou”, numa alusão a questões como o urânio.

“Só podemos saudar esta evolução, sobretudo se significar a abertura e a desminagem do Estreito de Ormuz”, afirmou a líder do BCE, numa entrevista à rádio France Culture, sublinhando que foi precisamente o encerramento desta rota marítima que desencadeou uma subida dos preços das matérias-primas e uma forte instabilidade global.

Lagarde defendeu a subida de juros anunciada recentemente e insistiu que “se a inflação sair do controlo, será muito mais difícil e dispendioso trazê-la de volta”. Uma inflação elevada de forma prolongada, sublinhou, é inaceitável tanto para consumidores como para empresas.

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