A Câmara Municipal de Lisboa está, novamente, sob suspeita de ter beneficiado o Grupo Espírito Santo (GES) em projetos imobiliários. Desta vez, estão em causa quatro grandes operações que começaram a ser preparadas há cerca de uma década nos arredores do Parque das Nações, e nas quaiso GES terá sido favorecido, em detrimento de outras empresas.
À cabeça estão suspeitas de favorecimento daquele grupo, através de um plano de pormenor cuja autoria inicial pertence ao vereador Manuel Salgado, primo direito de Ricardo Salgado, segundo escreve o Público.
Quatro anos depois de a câmara e a assembleia terem aprovado o Plano de Pormenor da Matinha (PPM), o contrato de urbanização da zona recebeu a luz verde do executivo municipal em meados de fevereiro apenas com os votos do PS.
O contrato negociado entre a câmara e a Gesfimo - empresa controlada pela falida Rioforte, do GES, que gere o fundo Fimes Oriente, criado pelo mesmo GES em 2004 e proprietário da maior parte dos terrenos está neste momento a ser avaliado pela Comissão de Urbanismo da assembleia.
Os deputados do PSD e dos CPL acusam o acordo de “favorecer claramente” aquele fundo, “em deterimento de outros proprietários e dos interesses da cidade”, tal como noticia o Público.
Com cerca de 25 hectares, a vasta zona da Matinha esteve em grande parte ocupada até meados da década passada com o que restava da antiga fábrica do gás, pertencente à Lisboagás.
Com a Expo, aquela que era classificada como área Industrial/portuária, em 2000 começou a desenvolver-se um ambicioso plano de urbanização da zona ribeirinha (PUZRO), desde o Parque das Nações até Santa Apolónia.
A ideia era, de acordo com o discurso camarário da época agora recuperado pelo Público, consolidar a ligação do Parque das Nações ao resto da cidade, enquadrando a transformação de zonas industriais desactivadas e degradadas em espaços “integrados e de qualidade”, e respondendo às expectativas criadas ao sector imobiliário.
Foi nessa época que grandes grupos como o GES, empresas como a Inland, de Luis Filipe Vieira, ou a Obriverca, entretanto falida, aí apostaram forte na compra de terenos.





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