Quebra no investimento em habitação até 2026, antecipa Centeno

Investimento geral vai crescer nos próximos dois anos. Mas em habitação deverá permanecer fraco durante mais tempo, diz BdP.
Nova construção em Portugal
Foto de Isabella Mendes no Pexels

O investimento em Portugal cresceu menos em 2023, devido, em parte, às elevadas taxas de juro. E a expectativa do Banco de Portugal (BdP) é que o crescimento do investimento recupere entre 2024 e 2026, antecipando uma “melhoria” do contexto macrofinanceiro. Mas nem tudo vai correr bem. O regulador português admite que a “fraqueza” do investimento em habitação vai ser “mais prolongada”. E refere que a construção nova vai continuar a ser penalizada pelo agravamento do acesso à habitação em Portugal.

O crescimento do investimento reduziu-se em 2023, tendo sido condicionado “pelas taxas de juro mais elevadas e pela estagnação da atividade interna e externa”, começa por explicar o regulador no Boletim económico de dezembro publicado esta sexta-feira, dia 15 de dezembro. Mas as expectativas são otimistas para o próximo ano: o BdP prevê que o crescimento do investimento em Portugal deverá recuperar em 2024–26, “sob o impulso da melhoria gradual do enquadramento macrofinanceiro e de maiores entradas de fundos da União Europeia”.

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A sustentar as suas previsões está o crescimento da componente empresarial “que deverá beneficiar da recuperação da procura global e de necessidades crescentes de investimento para efetivar a transição digital e energética dos processos produtivos, num contexto de desvanecimento gradual dos efeitos da restritividade da política monetária”, explicam no documento. E a expectativa de maior crescimento do investimento empresarial e público nos próximos anos é explicada também pelas maiores entradas de fundos europeus.

Por outro lado, o investimento em habitação continuará fraco nos próximos anos. “A fraqueza da FBCF (Formação Bruta de Capital Fixo) em habitação deverá ser mais prolongada”, admite o BdP. E explica porquê: a rendibilidade e o investimento em nova construção deverão ser penalizados pela “deterioração da acessibilidade à habitação via crédito”, que tem reduzido a procura e criado expectativas de moderação dos preços de venda”.

Em concreto, o BdP prevê que o investimento em habitação vai passar por dois anos negativos, de quebra ou recessão desta atividade, em 2023 e 2024. E só em 2025 e 2026 deverá recuperar. Isto quer dizer que a potencial queda da procura de casas pode ainda reduzir ainda mais a oferta de habitação existente (que já é escassa), porque as margens de construção nova deixam de ser interessantes aos olhos dos investidores.

investimento em habitação
Banco de Portugal

Economia portuguesa vai crescer 1,2% em 2024, prevê BdP

A verdade é que a subida dos juros e a menor procura externa tiveram efeitos na economia portuguesa em geral, que estagnou nos trimestres recentes. Além destes fatores, o BdP destaca também que a economia foi afetada pela “dissipação do impulso associado à retoma pós-pandémica do turismo e à recuperação do choque sobre os termos de troca”. Em todo o caso, o regulador manteve a previsão de crescimento de 2,1% da economia portuguesa para este ano.

Quanto ao futuro, as perspetivas do crescimento da economia são, ainda incertas, estando condicionadas pela incerteza dos novos focos de tensões geopolíticas e da situação política nacional. Por isso mesmo, o BdP reviu em ligeira baixa o crescimento económico de Portugal em 2024 para 1,2% (em outubro era de 1,5%). Para 2025, a atual perspetiva de crescimento é de 2,2% e para 2026 de 2,0%.

O que o regulador liderado por Mário Centeno também diz é que existem “fatores de resiliência no mercado de trabalho, no estímulo dos fundos europeus e na competitividade de alguns setores-chave”, que vão ajudar a alavancar a economia.

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