Fundraising imobiliário ganhou força por fundos de dívida e estratégias oportunísticas. Residencial alternativo já não é nicho.
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Investimento imobiliário em Portugal
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O mundo imobiliário continua bem atento a todos aspetos económicos, sociais e financeiros que lhe podem tocar. E o envelhecimento da população e a pressão sobre a acessibilidade na habitação são dois temas em destaque que têm movimentado investimentos. “O fundraising no setor imobiliário recuperou em 2025, alimentado por estratégias focadas em dívida e oportunistas, com as tendências demográficas a impulsionar a procura por coliving e residências senior”, conclui o mais recente relatório da analista de mercado Preqin.

De janeiro até setembro de 2025, “o fundraising imobiliário global foi impulsionado por fortes aumentos de capital, alimentado pela forte procura por fundos de dívida e pela recuperação do capital destinado a investimentos oportunistas em fundos”, destaca Henry Lam, especialista em real estate da Preqin.

Para Gonçalo Nascimento Rodrigues, especialista em finanças imobiliárias, quando a captação de recursos cresce por vida dos fundos de dívida e estratégias oportunistas, o mercado está a indicar que “há retorno no ‘reprice’ e na estruturação, mas ainda há cautela no 'equity core' tradicional”, disse numa análise publicada no Out of the Box.

Mas embora o ritmo de fundraising imobiliário tenha melhorado (com mais capital levantado), “o valor total dos negócios permaneceu amplamente estável em comparação com 2024”, conclui Henry Lam. Este cenário é “consistente com spreads, custos de financiamento e prudência”, analisa Gonçalo Nascimento Rodrigues.

Ao nível regional, “a América do Norte liderou a atividade de negócios, impulsionada pelos setores industrial e residencial, enquanto a Europa ficou para trás e a região Ásia-Pacífico apresentou uma leve desaceleração”, revela ainda a Preqin.

Investimento imobiliário global
Créditos: Preqin

Há um ponto estratégico de longo prazo que os investidores imobiliários devem olhar com atenção: “As tendências demográficas estão a reconfigurar os mercados residenciais, com o aumento da procura por unidades mais pequenas, coliving e residências para idosos, impulsionada pelos desafios de acessibilidade e pelo envelhecimento da população”, alerta. Esta é mesmo uma das mudanças estruturais que deverão persistir no futuro.

Gonçalo Nascimento Rodrigues admite que o coliving, senior living e casas pequenas passaram a ser segmentos “residenciais estruturais”, deixando de ser “um nicho”. “A pressão de ‘affordability’ e o envelhecimento não são tendências, são a nova norma. O mercado residencial foca-se cada vez mais em produto, utilização, serviço e ocupação”, conclui no mesmo artigo.

Olhando para o futuro, “a evolução dos termos de investimento e a análise do desempenho histórico destacam mudanças estruturais nos mercados imobiliários privados. Apesar da incerteza macroeconómica, o setor oferece oportunidades emergentes para investidores focados em diversificação e crescimento a longo prazo”, antevê a Preqin.

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