“Habitar Portugal 1974–2024” é a exposição que abrirá a 11 de fevereiro em Lisboa. Objetivo é celebrar 50 anos de democracia.
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Exposição no Centro Cultural de Belém
Centro Cultural de Belém, em Lisboa Getty images
Lusa
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A exposição “Habitar Portugal 1974–2024”, com uma seleção de 100 projetos de arquitetura dentro e fora de Portugal ao longo de 50 anos de democracia, é inaugurada em 11 de fevereiro no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

Comissariada pelos arquitetos Alexandra Saraiva, Célia Gomes e Rui Leão, esta edição especial da iniciativa da Ordem dos Arquitectos em parceria com o centro de arquitetura do Museu de Arte Contemporânea do Centro Cultural de Belém (MAC/CCB) estará patente ao público até 26 de abril, segundo a organização.

Em evidência, nesta seleção, estarão obras como o Bairro 11 de Março, em Olhão, de José Maria Lopes da Costa, a Pousada de Santa Marinha da Costa, em Guimarães, de Fernando Távora, a Casa das Mudas, na Madeira, de Paulo David, ou a Embaixada de Portugal em Brasília, de Raúl Chorão Ramalho.

Lançada em 2003, a exposição "Habitar Portugal" visa divulgar a arquitetura contemporânea produzida por arquitetos portugueses em Portugal e no estrangeiro procurando destacar a abrangência territorial, diversidade de autores e representatividade das obras “selecionadas como um referencial da qualidade da arquitetura portuguesa e do seu contributo para o desenvolvimento económico e social do país”, assinala a organização.

Para a sétima edição, dedicada ao período entre 1974 e 2024, a Ordem dos Arquitetos desafiou uma equipa curatorial com experiências profissionais e geográficas distintas para assinalar meio século de arquitetura portuguesa em democracia, "num contexto marcado por profundas transformações políticas, sociais, económicas e territoriais", justifica a entidade.

Para além da apresentação das obras, a exposição propõe uma leitura alargada da arquitetura produzida desde o último quartel do século XX até à atualidade, integrando diferentes escalas, programas e contextos e convidando o público a refletir sobre o significado contemporâneo de habitar em Portugal.

O objetivo é sensibilizar para o "reconhecimento da arquitetura como veículo cultural e político, cívico e determinante na construção de um futuro mais consciente do território e dos seus recursos".

Exposição de arquitetura em Lisboa
Pousada de Santa Marinha da Costa, em Guimarães, de Fernando Távora CC_by-sa_2.0_by_vitor_oliveira_

Assim será a nova exposição "Habitar Portugal" no CCB 

A mostra está dividida em três eixos temáticos: o primeiro, "Arquitetura como gesto político", reúne obras que evidenciam o papel da arquitetura como instrumento de transformação social, desde a habitação social à infraestrutura urbana, dando como exemplos o Conjunto Habitacional Pantera Cor de Rosa, em Lisboa, de Gonçalo Byrne e António Reis Cabrita, a Câmara Municipal de Matosinhos, de Alcino Soutinho, a Assembleia Regional dos Açores, de Manuel Correia Fernandes, exemplos da dimensão social, institucional e simbólica da arquitetura produzida após 1974.

No segundo eixo - "A persistência da memória" - é valorizada a intervenção no património edificado, destacando projetos que dialogam com a história e a memória coletiva, através de novas funções e soluções arquitetónicas, em projetos como o Convento de São Francisco, em Vila Franca do Campo, São Miguel, de Teresa Nunes da Ponte, a reabilitação do Mercado do Bolhão, no Porto, por Nuno Valentim, o Arquipélago - Centro de Artes Contemporâneas, nos Açores, por Menos é Mais e João Mendes Ribeiro.

O terceiro eixo, intitulado "Ruturas e Novas Configurações", apresenta obras que exploram novas linguagens, tecnologias e programas, antecipando novos modos de habitar, com especial atenção à sustentabilidade, à inovação e às transformações sociais e culturais contemporâneas, descreve a Ordem dos Arquitetos.

Este terceiro eixo reúne obras como o Hotel Dom Henrique, no Porto, de José Carlos Loureiro com Luís Pádua Ramos, o Museu do Côa, de Camilo Rebelo e Tiago Pimentel, ou o Centro de Interpretação do Românico, em Lousada, dos Spaceworkers, projetos que “evidenciam novas linguagens, abordagens tecnológicas e formas contemporâneas de habitar”.

Entre outros projetos em destaque na seleção fora de Portugal estão a Marginal da Baía de Luanda, em Angola, de Alexandre Costa Lopes, Cinco Jardins de Infância, na Guiné-Bissau, do Coletivo Mel, e o Desert X Al Ula Visitor Centre, na Arábia Saudita, de Ricardo Gomes, KWY.studio.

A Ordem dos Arquitetos ressalva que a exposição "não pretende ser exaustiva", mas sobretudo "desafiar o visitante a olhar para além do passado, questionando os desafios do presente e antecipando o futuro".

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