O Banco de Portugal (BdP) reviu em baixa o crescimento da economia em 2026 para 1,8%, devido ao impacto da guerra no Médio Oriente, de acordo com o boletim económico divulgado esta quarta-feira, 25 de março de 2026. Além disso, antecipa que a inflação vai acelerar para 2,8%.
A previsão sobre o crescimento da economia compara com uma estimativa de um crescimento de 2,3% inscrita no boletim económico de dezembro, valor que corresponde também à projeção do Governo, no Orçamento do Estado para 2026 (OE2026).
A revisão em baixa da estimativa do BdP é de 0,5 pontos percentuais, o que reflete a "deterioração do contexto internacional, na sequência do conflito no Médio Oriente, que implicou o aumento do preço dos bens energéticos e a expectativa de agravamento das condições de financiamento", segundo explica o banco central.
Segundo a instituição liderada por Álvaro Santos Pereira, nos próximos dois anos a atividade económica será condicionada pelo abrandamento da oferta de trabalho e pela diminuição dos fundos europeus.
Aceleração da inflação para 2,8% em 2026
O indicador que mede a evolução dos preços também foi revisto em alta em 0,7 pontos percentuais (p.p.) este ano e 0,3 p.p. para 2,3% em 2027, devido ao aumento das pressões de origem externa.
"O conflito no Médio Oriente explica, em larga medida, as revisões em alta da inflação em 2026 e 2027", diz o BdP, sendo que a "dissipação do efeito do choque energético nos preços e a manutenção das expectativas de inflação de longo prazo ancoradas deverão contribuir para a redução da inflação para 2% em 2028".
Recorde-se que, no Orçamento do Estado para 2026, o Governo previa uma inflação de 2,1% este ano.
O BdP ressalva que existe um grau elevado de incerteza, sendo que as hipóteses deste exercício de projeção "têm por base as expectativas implícitas nos mercados financeiros até 13 de março, pressupondo uma duração relativamente limitada do conflito no Médio Oriente e efeitos contidos na confiança das famílias e empresas e nas cadeias de abastecimento globais".
"A intensificação ou prolongamento das hostilidades teria um impacto mais significativo nos preços e na atividade", alerta a instituição.
*Com Lusa
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